Palamon - Terra - O cerco de Palamon
Norte - Atreus
— Ahn... Uma perguntinha pra vocês — Embora eu saiba que não vão entender nem me responder pensou Atreus. — O que é pior que um canhão de mão?
Os decaídos continuavam a avançar, mas estavam receosos, algo na linguagem corporal do guardião dizia que ele estava confiante. Confiante demais.
Os decaídos continuavam a avançar, mas estavam receosos, algo na linguagem corporal do guardião dizia que ele estava confiante. Confiante demais.
— É claro que vocês não sabem. — Atreus saca outro canhão de mão. — São dois.
A primeira bala de cada um dos canhões de mão acertou a cabeça do primeiro decaído. Ela explodiu, o corpo contorceu e esparramou no chão. O cheiro do sangue decaído não era tão evidente, ou mesmo a pólvora, pois a chuva estava absorvendo tudo. As poças que se formavam não se distinguia o sangue da O peso de cada gota gelada se misturava com os metais frios em suas mãos.
Os decaídos gritaram e começaram finalmente a correr. Então caíram. A trincheira.
— Ahn... Um decaído caindo. — Disse Atreus.
Uma voz em seu ouvido riu. Era o comunicador que os quatro guardiões e os quatro humanos das torres usavam.
As balas começaram a voar, a chuva se iluminava com as balas azuis do inimigo. Atreus esquivava e disparava um canhão de mão de cada vez, todos na cabeça. Estão enviando os mais fracos primeiros, mas não vejo artilharia pesada, isso é bom disse Morpheus em sua mente. Ahn... vou poder atirar só com as minhas belezinhas. Pensou Atreus. Seus olhos pousavam em cabeças e corpos e logo eles eram perfurados com balas.
Um raio. O trovão. O grito em seguida dos decaídos e a chuva torrencial. E embora tudo cooperasse para que sua visão ficasse péssima, Atreus se sentia com a mira impecável.
As balas acabam.
Os dois tambores foram abertos. Em um movimento rápido ele coloca as armas pra cima e deixa os tambores vazios caírem. Os projéteis vazios caem na terra molhada como sementes no arado. Atreus abriu a capa e diversos tambores carregados estavam lá, com pequenas travas resistentes, mas de fácil remoção. Da força certa pensou Atreus. O dedo mindinho era responsável por tirar os tambores das travas e lançá-los para dentro da arma. Num movimento que parecia uma dança, o caçador desviou de duas ou mais balas e recarregando acertou mais outros inimigos.
— Parece que está dando... — Pulou a tempo da bala de decaído não acertá-lo em cheio. Entretanto, de raspão na coxa.
—Tudo bem por aí? — As balas voaram para cooperar com Atreus. Ernani mirava e acertava muito bem aos olhos de Atreus.
— Ahn... Sim, obrigado.
Não se distraia. Não posso te regenerar em campo aberto.
Atreus esquivou de novo e continuou atirando. Foco no alvo.
Sul - Revân
O vácuo em uma mão e a Primeira Maldição na outra, o exo desaparecia e sobrevoava o campo. O raio iluminou o bastante para lançar a granada dentre as frentes onde faria mais estrago. Suspendeu o pulo e caiu atirando em dois inimigos.
Rolou e matou mais dois decaídos que não viram a trincheira e se levantavam da lama que dificultava a tentativa de andar.
São muitos disse Kisuke. Sim, eu sei. Respondeu Revân respirando cadenciado para economizar fôlego, disparando e correndo. O raio caiu, mas sem trovão. A bomba nova estava indo em direção à gritaria de inimigos. O encontro era sempre satisfatório.
Um tiro alto da sua esquerda. A torre. Os decaídos descobriram que não só havia resistência nas pontas, mas que haviam pessoas nas extremidades. A vantagem estava em não saberem se eram guardiões ou não.
As trincheiras foram uma bela ideia, atrasava os decaídos e os desavisados caiam e ficavam encharcados com a água da chuva ou mesmo com a lama.
Um tiro passou pelo seu capacete.
— Ah seu... — Revân atirou todo o tambor na linha da frente. — Vem cá seu merda.
Desapareceu e escorregou para uma árvore próxima. Recarregando, o cheiro da chuva era embriagante, ainda mais nas árvores próximas.
As palavras de Atreus gritaram em sua mente. Em nenhuma circunstância podemos morrer, não hoje. Ele concentrou. Respirou fundo. Preciso focar, atenção total, hoje quem deve cair são meus inimigos.
— Guardião, os rasteiros estão se amontoando aqui — Era a voz de Lester, as balas começaram a cantar. — Preciso de ajuda.
— Estou indo.
Revân respirou fundo, voltou-se para os inimigos mais uma vez, com precisão mortal.
Leste - Lucas
A flecha atravessou o ar acertando o peito do primeiro decaído. Ele foi sugado pelo vácuo e enquanto aquele ponto roxo lançava seus tentáculos para prender os inimigos próximos, Lucas massacrava com seu fuzil de pulso nas linhas. A granada de vácuo foi lançada enquanto alguns decaídos caíram nas trincheiras.
Temos a vantagem aqui Lucas, não se preocupe. Aurora tentava acalmar o guardião. A tensão explodia dentro de sua mente e reverberava em seu corpo. A mão permanecia firme contra os inimigos, a mente afiada para a estratégia, mas o coração de Lucas bombeava como se fosse um gerador para a cidade inteira.
Uma esquiva, balas voavam, raspou seu braço.
Ele virou-se e desesperado gasta as balas num escuro que não soube se acertou um inimigo ou não. Droga, droga, droga, droga... Pulou e escorregou. Se protegeu nas árvores enquanto as balas atravessavam os galhos. A muralha de madeira de Palamon sofria danos, a madeira não era tão resistente para parar as balas dos decaídos.
Lucas lançou a granada de invisibilidade. Correu para as frentes e surpreendeu o primeiro decaído. Ele pegou seu corpo. Arrastou por sobre o ombro; a carcaça quente escorreu lama pela armadura enquanto formava seu escudo improvisado. Sacou o canhão de mão e atirou na primeira fileira inteira.
Então ouviu vários tiros de uma das torres. Todos os alvos mortos pelo que o caçador pôde ver. Shin deve estar animado. Pensou.
Oeste - Faraday
Um dos braços estava amputado, felizmente não era o que atirava com a arma. Com o toco ele apoiava e atirava com seu fuzil de batedor.
O exo não tinha visto o sniper a não ser que fosse tarde demais. A pilha de corpos decaídos começava a se formar quando Faraday ficou animado que seu plano junto a Lucas deu certo. Quando veio a artilharia um pouco mais pesada. O sniper o pegou. O calor do sangue escorrendo despertou a irá de Faraday. A bomba nova foi projetada. Eles tentavam correr. Isso mesmo, tentem, é só isso que vão conseguir.
Quando vai se proteger para que eu possa recuperar seu braço? Disse Kepler preocupado. Dois tiros para um lado, sangue derramado. Ainda temos muito inimigos. Faraday desapareceu e tentou o melhor possível recarregar. Chame ajuda. Kepler disse.
— Engolindo orgulho aqui. Por favor, preciso de ajuda. — Aquelas palavras estavam com gosto amargo em sua boca, mas era melhor do que morrer e dar mais trabalho.
O comunicador chiou, Faraday conseguia ouvir até quatro tipos diferentes de tiro e possíveis habilidades.
— Quem está mais disponível agora? — Lucas disse. Ele respirava fundo e parecia tenso.
Não sentimos tamanha pressão na batalha dos seis frontes.
—Ahn... acabou de chegar os vândalos snipers, vai demorar um pouquinho — Atreus atirava bem rápido, parecia que tinha mais de uma arma, mas parecia um canhão de mão.
— Eu fui acertado na perna, estou escondido enquanto atiro e Kisuke me cura — Faraday estava respirando fundo e a chuva atrapalhava.
— Eu o ajudo, senhor Faraday — Era a voz de Magno.
Uma janela se abriu na torre ao lado esquerdo de Faraday e aquele senhor de barba longa sacou uma metralhadora enorme e descarregou nos inimigos.
Eles desconsideraram a força da cidade por um segundo. O exo não reparou a princípio, mas estava sorrindo olhando a cena. Correu, escondeu-se e Kepler recuperou seu braço.
— Obrigado, Magno. — Ele acenou.
— Pode contar comigo, robô. — Faraday soltou um riso fraco enquanto o comunicador se encheu de barulhos de bala e risadas.
Faraday não iria corrigi-lo. Magno fechou a janela a tempo de a chuva de balas atravessarem a torre. O exo se desesperou por um segundo e saiu da cobertura. Atirou enquanto concentrou uma granada de farpas e lançou nos inimigos. Atirou no máximo possível. Eles estavam chegando próximos.
— Magno? — Faraday falou no comunicador enquanto atirava. — Responda, por favor.
— Acalme-se, guardião, vão precisar de mais que isso para derrubar esse cão velho aqui.
Faraday desapareceu novamente e apareceu flutuando no ar atirando em tudo abaixo dele. A força deles é maior que a nossa.
Sul - Revân
Um raio caiu numa árvore próxima. O fogo nasceu e proliferou. Logo que os tiros continuavam, toda as suas folhas eram engolfadas pelas chamas. A iluminação ficou melhor. Os tiros ficaram ainda mais evidenciados.
Revân, já recuperado da coxa, já levou mais dois tiros, um no braço e outro no ombro. As cabeças explodiam, os snipers pararam de aparecer depois que Revân matou os que estavam à vista, escondeu-se e as balas passaram pela árvore onde estava.
— Caralho, só acontece comigo isso. — Ele recarregou a arma — Concentra. Vamos fazer dar certo.
Ele correu e atirava nos alvos espalhados, os decaídos não paravam de vir. Mais um raio. Dentre as frentes Revân pôde ver, um capitão.
— Onde estão os titãs quando se precisa deles? — Riu da própria desgraça e sacou um fuzil de fusão. — Vou testar, Atreus.
O comunicador chiou e um risinho leve veio. Revân pode sentir o sorriso no meio da chuva do céu e da chuva dos inimigos. O arcano correu e segurou o gatilho. O decaído surpreso à sua frente pensou ter morrido, ele piscou. Percebendo em algum outro segundo que tinha que atacar, já era tarde. Morreu após o quase ataque. A arma fez um barulho de carregamento e disparou uma rajada de energia. O decaído desintegrou e o inimigo atrás levou o restante dos tiros, apenas o ferindo.
— Nuooossa... — Revân não teve tempo de admirar tanto, virou a arma para o próximo inimigo e repetiu.
As fileiras iam se afastando com o poder. Parecia a sniper que ele retirou do decaído da lua, mas em menor escala e com alcance menor também.
— Iai, Revân? — Atreus estava curioso.
— Detonando, meu rei — O capitão correu em sua direção.
Ele estava com duas espadas enormes. Revân jamais tinha visto um capitão daquela forma. Ele esquivou a tempo de não ser decapitado. O Fuzil de fusão atirou sua rajada. O tiro era puro vácuo. Mas o escudo a mais do capitão era vermelho.
— Bosta. — Revân trocou de arma e mirou o canhão de mão e atirou as balas nos inimigos.
Ele pulou para trás atirando. O capitão pareceu rir dele e começou a andar em sua direção.
— Tenho a droga de um capitão com escudo solar aqui. — Revân disse.
— Quer trocar? — Faraday atirava e parecia se teleportar. — O meu é de arco.
— Todos com capitães aí pelo visto. — O comunicador de Lucas chiou. — Porra...
Um raio. O coração de Revân apertou. Eu não... pensou, mas foi cortado, Nada disso, você não joga a toalha Revân, você luta. Kisuke disse enfático. Revân carregou o canhão de mão. Tem razão.
Norte - Atreus
O capitão atirava com suas balas azuis que eram teleguiadas e Atreus fazia sua dança.
— Desgraça, por que tu não para com isso?
Esquivou-se de tudo que podia. O capitão cansou de brincar com ele e deu dois passos para trás para que os decaídos fossem pra cima de Atreus. Os tiros mais rápidos começaram a chegar.
— O Matheus seria ótimo com esse lugar. — Atreus atirava nas cabeças e mãos.
Uma das armas dos decaídos explodiu. O grito dele ecoou. Os estilhaços pegaram nos amigos ao lado. Um raio. Parecia vir mais na direção dele.
Morpheus pensou Atreus. Ele sabia. Produzindo mais balas, mas com as duas armas principais, vai gastar em menos tempo.
Atreus escorregou para trás. Os inimigos corriam. Por um momento as gotas d'água caíam mais devagar. Eles andavam em câmera lenta. A sniper veio tão rápido quanto o raio que caiu. Mirou ajoelhado no solo gelado e inconsistente. Atiro pelos meus amigos.
Cada tiro um corpo de decaído. Um corpo contorcido. Um peito atravessado. Recarrega. Repete. Mais seis corpos. Ora, melhore. Disse a voz de Osíris em sua mente. Uma bala, duas cabeças. Uma bala, dois alvos. A respiração não existia mais. O barulho da chuva. Ele e a arma eram um só.
Isso bastava.
Leste - Lucas
A raiva. O fogo crescente dentro do seu peito. Isso é o que eu preciso agora. Lucas olhou para seu canhão de mão.
— Senhor Lucas! — A voz de Shin veio e uma bala de sniper cruzou o campo de batalha.
Sobrou um sniper sorrateiro. A chuva o revelou. Lucas concentrado em seu poder não viu. Ele também não percebeu a tempo o capitão atirando e acertando Shin. Um raio.
— NÃO — Seu corpo se incendiou.
As balas projetadas pelo canhão de mão explodiram o capitão. Uma no peito era o bastante. Mas Lucas não percebeu que atirava na cabeça. O corpo entrou em combustão e ateou fogo nos decaídos ao lado. Mais quatro tiros na cabeça, depois mais três. O caçador não percebeu as lágrimas escorrendo de seus olhos, pois o fogo as evaporava.
— Eu estou bem... — A voz de Shin. Seu coração inflamado acalmou-se um pouco, mas ainda havia raiva.
Continuou atirando, os decaídos gritavam em desespero. Lucas correu em direção a eles. Suas pegadas inflamavam a terra e a grama, absorvendo e evaporando a água da chuva. Ele atirava pra todas as direções, acertando e explodindo tudo que existia em seu caminho.
Sul - Revân
Ele atirava no capitão, ele tentava cortá-lo. Os decaídos menores apenas assistiam. Ele desviou de uma estocada. Revân virou-se e descarregou o canhão de mão na barriga do capitão. O capitão cortou de cima para baixo. Revân defendeu com a arma. A outra espada veio de baixo. O atravessou. Revân, não, peça aju... As palavras de Kisuke estavam começando a ficar longe.
— Preciso... ajud... — As palavras faltaram, o gosto de sangue em sua boca.
— Algu... Ajud... — O som ia e voltava.
Ele caiu. Sentiu a grama nas mãos. Sentiu golfando sangue. O capitão rindo e parecia tê-lo cortado mais duas vezes. A torre abriu-se e Lester tentou ajudar, mas teve que fechar novamente devido a quantidade de balas que voaram em sua direção. A voz dele era um som distante, como um eco reverberando há muito tempo.
As gotas de chuva caiam como estrelas. Não podemos morrer, não hoje. Revân não sentia nada.
Mas estava consciente. Eu deveria estar morto.
Ele olhou em volta, estava em um local escuro, suspenso no ar. Algo começou a brilhar, ele não entendeu a princípio. Não algo. Alguém. Era ele. Tudo começou a pegar fogo.
Banhado em estrelas e chuva. A chama acendeu.
Os decaídos estavam andando em direção a Kisuke. Eles pensaram que outro raio caiu e incendiou o Guardião.
O capitão que andava em direção a cidade sentiu o calor em seu ombro. Virou-se com raiva, mas assustou-se com a visão. Revân estava embebido em fogo, brilhando mais que a árvore acertada pelo raio. Ele segurava seu ombro, transmitindo o fogo para a armadura do inimigo. Ele balançava o dedo indicador para o inimigo.
— Queima, maldito. — Revân concentrou e atacou com a projeção do soco.
Assim como o vácuo, ele imaginou o poder indo em direção ao inimigo. Mas o capitão pegou fogo por inteiro. Ele gritou e correu para seus subordinados. Tentou se jogar na trincheira. Ela estava quase tão cheia de água por causa do temporal. Entretanto era tarde, a carne carbonizada cheirava e o capitão caiu. Os decaídos olharam para Revân. Ele se observava e admirava o fogo em seu corpo. Nem a água da chuva conseguiu deixá-los com um frio nos ossos como ver aquele guardião virar-se para eles.
— Quem é o próximo? — Sem esperar resposta, Revân correu.
Granadas solares espalharam-se e assim como o fogo que se espalhava pela floresta, os inimigos derretiam sobre o calor de mil sóis.
Oeste - Faraday
Faraday, o que houve? Kepler disse, estava desesperado. O capitão aproximava-se e os decaídos junto a ele. Estou ouvindo... Um raio. Mais forte. Um poder. A compreensão.
O primeiro decaído ao ver Faraday estático tentou acertá-lo com a lança. Ao tentar chegar próximo e estocar, o metal ficou vermelho e o decaído o largou. Sua mão queimada. Eletricidade de arco começou a fluir do corpo de Faraday. Sua cabeça torceu-se. Um raio caiu em seu corpo.
Onde ele estava apenas uma fumaça, os decaídos começaram a se afastar, o capitão era o único a investigar.
O raio voltou a cair, ainda mais forte e no capitão. Ele morreu antes de notar. Faraday reapareceu flutuando levemente do chão. Seus olhos fechados. Suas mãos projetadas para frente, seus dedos tateavam o ar e pequenos fios condutores deslizavam. O arcano avançou e os raios agora saiam de sua mão. Os decaídos desapareceram em manchas azuis no ar. Suas peles queimavam, os músculos derretiam e os ossos carbonizavam pra então virar pó. Faraday conduzia a tempestade e matava as fileiras, enquanto o medo e desespero as dominava.
Leste - Lucas
As balas de fogo acabaram e os inimigos estavam debandando.
— Comunico, Leste limpo. Repito, Leste Limpo — Seu coração ficou leve, seus ombros caíram e ele relaxou. — Pessoal?
Norte - Atreus
Atreus tirava a faca de um decaído morto do chão. Alguns minutos atrás ele ficou sem balas. Quando um decaído achou que ele não merecia levar chumbo, o atacou com uma lâmina. Atreus desviou, quebrou seu pescoço e tirou a lâmina dele.
— Oun... — Ele se viu na lâmina enquanto as águas da chuva caiam.
O próximo decaído que correu e atirou levou uma facada no centro da testa. Atreus correu e retirou a faca com maestria e avançou para o próximo inimigo. E então o próximo. E o próximo. Um servidor apareceu e Atreus pulou sobre ele.
Esfaqueando-o, o servidor gritava enquanto os decaídos ficavam aterrorizados com a selvageria. Ao menos aqui está sem capitão lembrou Atreus das três balas seguidas que plantou na cabeça do capitão. Correu e atirou a lâmina em outro decaído. Eles começaram a correr.
— Atreus falando. — Ele colocou a faca ao lado do canhão de mão no coldre. — Norte Limpo.
Atreus respirou fundo, observando a água da chuva e pela primeira vez, admirando a.
Oeste - Faraday
Pisando no chão e abrindo os olhos, Faraday viu o campo limpo. Ele sentiu que os inimigos acabaram. Ou morreram.
— Oeste limpo. — Disse Faraday.
A chuva parou. O céu começou a abrir lentamente. Faraday respirou fundo. Deixou o cansaço cair sobre ele. O cheiro da grama invadiu seus sentidos. Petricor.
— Sabiam que esse cheiro de grama são bactérias que lançam esporos no ar? — Ele riu abaixando-se para sentir a terra. — Chama-se petricor.
— Ahn... Não acredito. — Atreus no comunicador — Será que somos imunes...? Somos imortais, né... Deixa pra lá.
O comunicador se encheu de risos.
— Pessoal, por favor, venham para a cidade. — Era Ernani, ele não parecia tão feliz.
— O que foi? — Lucas estava preocupado.
— Dentro da cidade, rápido. — Ele disse e cortou a comunicação.
Faraday pulou o muro de madeira quebrado, correu. Seu coração pesou e ele não entendia porquê. Olhava pela cidade e não entendia. Avistou então pessoas em um semicírculo. Se teleportou e caiu próximo a Ernani. Ele chorava. O exo tirou o capacete e o deixou cair na lama. Lucas estava abaixado. Magno estava nos braços dele, tinha um enorme corte no corpo que ia do peito à barriga. Muito sangue no chão.
— Mas o que... — Faraday olhou em volta, à procura de respostas.
— O Magno não avisou, mas um decaído pulou o muro — Revân disse, ele estava de braços cruzados. A voz dele parecia falhar. — Perseguiu uma criança. Magno a salvou.
— Por que você não nos avisou, droga? — Lucas tentava pressionar o ferimento. Faraday reparou que era parte de sua capa que ele usava. Estava com a voz embargada.
Magno apenas sorriu e balançou a cabeça negativamente. As pessoas estavam silenciosas, Shin chorava ao lado do pai com o ombro enfaixado. Lester tentava conter as lágrimas. Faraday andou alguns passos, sentiu seus olhos arderem.
— Senhor robô? — Magno disse, sua voz era quase um sussurro — Não consigo vê-lo agora, está tudo muito escuro por causa da tempestade.
Faraday aproximou-se, a tempestade tinha passado, a luz era tão branca sobre ele.
— Sim, Magno, sou eu. — Faraday tocou seu braço. Parecia tão frágil.
— Posso... — cuspiu um pouco de sangue. A barba grisalha foi pintada de carmesim. — P-pedir um favor?
— Claro, claro... — Faraday segurou sua mão.
— Peça, por favor, ao V-viajante mandar um fantasma para mim. Seria uma honra lutar ao lado de vocês. Pode... faz... — Uma explosão de tosse e sangue.
— Um médico...? — Atreus olhou para Revân. Seu rosto estava molhado, seus olhos vermelhos.
Revân balançou a cabeça.
— Ele disse que não há nada... — A voz de Revân falhou novamente e lágrimas surgiram de onde seriam seus olhos.
Faraday olhou para Lucas. Seus olhos iluminados e transbordando.
— E-eu... Não poss... — As palavras morreram na garganta de Faraday. Ele respirou fundo e as lágrimas surgiram. — Vou pedir, Magno. Todos os dias. — ele apertou mais sua mão. — Eu prometo.
A barba cheia de sangue se moveu e os olhos e rosto de Magno sorriram. A respiração parou. A mão deslizou. Os pássaros cantaram. A luz do dia brilhou intensamente.

Comentários
Postar um comentário