? - Terra - Lucas
- Maior que a última cidade? - Perun olhava para Lucas.
Aurora, seu fantasma, apareceu ao lado do Caçador e projetou a imagem do acampamento dos Decaídos na cabana onde estavam. Ao menos dez senhores de ferro observavam e as reações foram semelhantes: raiva, ódio, desespero e preocupação. Menos Saladino, esse permanecia calmo e com a expressão neutra. E claro, Shaxx, ele parecia animadíssimo. As conversas começaram a se acalorar. Uma voz queria se sobrepor a dos outros. Estratégias de guerra, protestos de porquê não tinham um acampamento ainda maior. Quando Radegast pediu silêncio, alguém gritou mais alto.
Aurora, seu fantasma, apareceu ao lado do Caçador e projetou a imagem do acampamento dos Decaídos na cabana onde estavam. Ao menos dez senhores de ferro observavam e as reações foram semelhantes: raiva, ódio, desespero e preocupação. Menos Saladino, esse permanecia calmo e com a expressão neutra. E claro, Shaxx, ele parecia animadíssimo. As conversas começaram a se acalorar. Uma voz queria se sobrepor a dos outros. Estratégias de guerra, protestos de porquê não tinham um acampamento ainda maior. Quando Radegast pediu silêncio, alguém gritou mais alto.
- E graças a vocês, eles sabem que sabemos. - Um dos Senhores de Ferro disse.
Um leve alvoroço. Quando tudo se acalmou a voz de Lucas apareceu.
- Com todo respeito senhor, graças a nós que vocês também estão sabendo. - Embora por dentro um fio de aço amarrou-se em seu estomago, Lucas permaneceu firme, não trairia seu esquadrão.
Entre protestos e risadas, um brilho no olhar de Perun.
- Ai está um Guardião! - Shaxx parecia estar narrando a cena.
Lucas sustentou o olhar do Senhor do Ferro atrevido sem saber seu nome. Então desviou levemente para a imagem que Aurora projetava. Os olhos de todos estavam voltados ao loop infinito da gravação do acampamento monstruoso com tanques aranhas, arcontes, kells e tantos e tantos Decaídos. Lucas engoliu a saliva e pareceu ouvir o estralo da garganta seca por toda a tenda tamanho silêncio que se fazia.
- Obrigado Lucas, isso nos dá uma vantagem estratégica muito grande. - Senhor Radegast estava sorrindo. Ainda bem que ele quebrou o silêncio. Lucas anotou mentalmente que precisava agradecê-lo. - Volte à cidade, descanse e leve minhas felicitações ao seu esquadrão.
-Senhores - Lucas com um pouco de hesitação saiu da tenda.
Quando saiu era de manhã. Lucas respirou fundo o ar matutino e sentiu-se revigorado, o ar lá fora estava bem mais fresco. A noite do dia anterior estava com o céu pintado de fumaça. Ficou sabendo que Paulo havia voltado com seu esquadrão da missão que lhe fora confiada e que eles toparam com uma das divisões de decaídos que estavam atrás do esquadrão deles. No comunicador de curto alcance eles conversaram.
- Se não fosse por vocês, provável que eles teriam nos alcançado - Lucas digitava em um recém construído tablet da era dourada. O relatório estava extenso.
- É bom saber disso por você amigo, estarei avisando o pessoal e vamos nos preparar para os dias que virão. - Paulo disse entre um pouco de estática.
- Bom saber que está bem Paulo - ele respirou fundo. - É estranho dizer que sinto falta de nós dois vindo para cidade?
- Sim, é estranho sim. - Paulo riu.
- Vai a merda. - Lucas riu junto com ele - Câmbio desligo.
Andando pela cidade, Lucas começava a ver que uma boa parte do muro já havia sido levantado. O chão permanecia de lama em alguns locais, mas já tinham arquitetos e engenheiros trabalhando em projetos para o asfaltamento. "Ainda bem que nem todos são Guardiões". Nós os sem memória. Alguém precisava estar na cidade construindo. Era tão ou mais importante que estar lá fora enfrentando os decaídos. Com seu significado.
Significado. Quando chegou a cidade logo foi colocado para fazer missões em prol dela. Suprimentos, recursos e armas. O vácuo veio como presente. Era como se sentir dominado pelos pensamentos que tanto o assombrou na caminhada para o Viajante. O universo o encontrou e ele pensava sobre tudo. Um estralo ocorreu quando começou a observar o que havia dentre os pensamentos, todo esse universo vasto e as coisas a sua volta.
A princípio pensou estar louco ao manipular algo intangível, mas presente até nele. Ao fechar os olhos uma imagem veio. Não uma arma de fogo, pois o fogo já havia aparecido em suas mãos. Uma coisa mais anterior do que a própria pré era dourada. Um arco e uma flecha. As suas mãos então brilharam naquele roxo que o seduziu desde o momento que tocara. O fluxo de energia se propagando, um véu que parecia o céu noturno e pequenos brilhos como as estrelas do céu. Ao lançar assustou-se com sua beleza e destruição. Desde então ele virou um predador noturno.
Lucas começou a caminhar lentamente, as pessoas olhavam para ele num misto de admiração e medo. As crianças eram mais livres daqueles sentimentos. Elas corriam em volta dele. Lucas ria e brincava, até os pais brigarem para elas voltarem. Ele dava "tchauzinhos" e elas retribuíam, mesmo sob o olhar severo dos pais. O caçador lembrava do acampamento de Atreus, deveria levar o agradecimento de Radegast para eles.
Começou a se dirigir para fora do acampamento. Se é que ainda poderia chamar assim, ele já estava muito maior do que lembrava e com muito mais pessoas. Observando ao longe, não conseguia ver onde a muralha que estava sendo feita finalizava. Mais ao centro os guardiões conseguiam trazer de volta a vida tecnologias da era dourada.
- Ora, não fique assim guardião, não é como se fosse o fim do mundo, não é? ha,ha,ha... - Uma voz tão potente quanto a de Shaxx vibrou a capa de Lucas.
Ele olhou para trás, a multidão estava na frente.
-Lá fora você deve lutar como uma fera - Ele falava com um guarda.
Era um Exo. A armadura dele era muito bonita. Fizeram contato visual e ele sorriu.
- Veja Gepetto, mais um daqueles rapazes que fizeram história. - Ele aproximou-se e deu um tapa no ombro de Lucas.
- Vai com calma titã. - Ele riu, mas realmente estava doendo.
- Me desculpe, as vezes esqueço da minha força - O guardião riu mais uma vez - Meu nome é São 14 e você é a ruína dos decaídos.
- Mas como... - tentou falar.
- As conversas e notícias voam rapaz. - Ele colocou as mãos na cintura - Vamos defender essa cidade, pois o amanhã pertence àqueles guardiões. - Ele parecia olhar para o horizonte, mas muito além.
- Que guardiões? - aquilo fez Lucas franzir o cenho.
- Osíris está me aguardando, não posso ficar de papo com você. Nós nos veremos na linha de frente. - E lá foi, sobe pegadas pesadas, o titã.
Lucas deu de ombro e seguiu o caminho. Felizmente deixaram um buraco na parede grande o bastante para passar uma pessoa.
- Vão ser os esgotos. - Alguém disse.
O caçador virou-se antes de adentrar. Era um homem com E.P.I de construção.
- Ah, bom saber, obrigado. - Ele foi andando. Pensou que deveria ter mais milhares destes espalhados pela muralha. "Tanta merda".
Alguns metros depois ele chegou. Atreus estava na rede deitado. Matheus mexia no baú. Revân estava construindo um tipo de estante. E Paulo estava admirando uma arma em suas mãos.
- Olá Revân, há quanto tempo. - Lucas o cumprimentou. - Iae seu otário.
- Uma ou duas vidas atrás - Revân riu da própria piada.
- Calado puta. - Paulo mirava com um fuzil de assalto em mãos.
Lucas se sentou em uma cadeira improvisada, esculpida de troncos. Observou os companheiros — cada um imerso em seu próprio mundo, mas juntos. Gostava daquela sensação de pertencimento.
- Eu concordo - Disse Revân.
- O que? - Lucas saiu de seu estado mental.
- Desde a lua eu consigo ver as intenções das pessoas em seus rostos. - Matheus o olhou. - E dos Exos. - O titã voltou-se para o baú novamente. - Você também diz muito com suas expressões. Podemos montar um grupo.
- Concordo com Revân e com você. - Paulo terminou sua análise e colocou o fuzil de assalto no encaixe da armadura das costas. - Atreus, precisamos carregar no mínimo três armas.
- Uma leve, uma mediana e uma pesada - Matheus terminou tirando uma escopeta do baú do acampamento. - Os inimigos estão aparecendo em maior número e mais preparados. Quanto maior for nosso arsenal, melhor. Exemplo: Leve, os calibres que andamos levando em missões, fuzis de assalto, canhão de mão e fuzis de rajadas.
- A luz não é o bastante? - Revân parecia intrigado.
- Nada substitui um carregador cheio. - Atreus estava de pé segurando sua sniper - Ahn... foi o que ouvi um Exo dizer na cidade.
- Armas secundárias ou medianas: Snipers e escopetas. Aqueles fuzis dos decaídos também são excelentes não são Revân?
- Precisamos de um nome maneiro - Lucas sorriu.
- Titãs. - Paulo disse.
- Esse nome acho que já tem dono e nem todos nós somos titãs, não é? - Revân com seus olhos escondidos conseguia intimidar com sua ausência de expressão. - E sim, os fuzis dos decaídos são bons, mas precisam de atenção quanto a mirar e atirar, demoram cerca de um segundo a mais depois do gatilho apertado.
- E pesados - Matheus estava com uma metralhadora em mãos. - Lança foguetes e metralhadoras. Os senhores da luz - Matheus disse.
- Chega de senhores - Paulo revirou os olhos.
- O senhor Radegast mandou parabenizá-los pela missão. - Lucas olhava para Atreus e Matheus enquanto sorria e segurava em seu cinto.
- ahn... Verdade - Atreus andou até mais algumas pilhas de loot. Depois voltou com uma sniper. - Para você. Por ter me ajudado.
Lucas levantou-se para pegar a arma. A sniper era leve, embora longa. Ela tinha várias fitas amarradas na ponta e algumas no restante do fuzil. A mira tinha uma rede, possivelmente era militar antes de chegar nas mãos do caçador.
- Que belezinha. - Lucas guardou a sniper na base das costas. - Obrigado Atreus.
- Que tal "Os mata decaídos" - Revân disse.
Todos olharam pra ele.
- 'Ta bem, já entendi, foi só uma sugestão. - Ele levantou as mãos.
- Pra quem lê, não parece ter muitas ideias. - Atreus disse.
- Por que você não vai se fuder? - Todos caíram numa risada. - Não tem nome ainda então. - Revân cruzou os braços.
- Com esse ataque de criatividade não mesmo. - Matheus riu.
Paulo enquanto ria estava com o indicador e o polegar limpando os olhos.
- Pessoal, agora gostaria de falar sério com vocês - Lucas posicionou onde melhor via a todos.
- Lá vem merda - Paulo disse e foi acompanhado com "isso", "viiishhi..."
- É sério mesmo - Todos empertigaram-se. - O relatório que entregamos hoje foi o pior que já tive que escrever. Uma possível guerra com os decaídos e o interesse deles no Viajante. O número de nossos inimigos é absurdo.
Nem o ar se atrevia a passar naquele momento. Todos se olhavam e o único som era o de suas respirações.
- Eu estarei aqui para proteger a cidade e as pessoas, mas definitivamente não sei se vamos conseguir. Caso eu não...
- Olha que clima merda tu deixou agora - Revân disse e sorriu. - Brincadeiras à parte. Lucas, se o Paulo confia em você eu também confio. - Ele andou até o lado do caçador. - Eu não vim da lua com Matheus para fugir quando todos mais precisam de mim.
- Eu quero o loot. - Atreus disse e todos deram risada.
- Eu também, mas acima de tudo, protegeremos a todos. - Matheus deu um passo à frente.
Lucas olhou nos olhos de Paulo.
- E você titã?
Ele respirou fundo.
- Entendo o que quer dizer quando diz não saber se vamos conseguir. - Todos viraram-se para ele. - Passamos maus bocados para chegar na cidade, enfrentando frio, tiros, fúria e raiva. Fome e escassez. Morte e ressureição. Não saber o que se passou e por onde ir. Pior, não saber se teremos amanhã. E agora esses desgraçados espaciais vem aqui e querem roubar o pouco que sobrou de nós?
- Sucateiros. - Matheus complementou.
- Eles vão sucatear outros lugares, o espaço é gigante, mas aqui é o nosso lar. Estamos sob a sombra do viajante, mas ele nos dá a luz como arma para combater nossos inimigos. Eu sinto em cada fibra do meu ser que eu não sou uma máquina de matar ou um destruidor. A luz serve para proteger aquilo que amamos e eu vou proteger cada grão de areia que conquistamos até agora.
Estavam todos sorrindo.
- Seria uma honra se fosse ao lado de todos vocês. - Paulo finalizou.
- Nós temos a luz ao nosso lado. - Revân disse.
- E nós somos guardiões, não é? - Matheus acenou com a cabeça.
Lucas sorriu, os olhos marejados. Sim, eles eram guardiões. E lutariam, mesmo que fosse até o último resquício de luz.

Comentários
Postar um comentário