? - Terra, A batalha dos Seis Frontes - Todos

 15 minutos da invasão decaída... 

—Tirem todos os civis próximos à muralha o mais rápido possível! — Era difícil ser entendido em meio a barulhos de tiros de canhão e balas explodindo tão próximos, mas Lucas tentava se fazer entender o melhor possível.
Os decaídos vieram com força em todos os seis frontes da cidade. Eles estavam há três quilômetros da muralha e as balas já começavam a acertá-la. Demarcaram um cerco e em seu caminho já destruíam tudo que tocaram.  O grupo Não tem um nome ainda e Faraday foram encaixados em uma das facções de titãs que fariam a defesa de um dos frontes. A facção das Firebreak. Uma das líderes, Elriq, tinha mais oito guardiãs ao seu lado. 
—Nós não deixaremos os decaídos avançarem. Para trás nem pra pegar impulso. —  A voz dela fazia as armaduras vibrarem — Vocês ouviram? 
Então Wei Ning apareceu. Wei Ning, aquela que acendeu uma chama em uma praça da cidade como símbolo de esperança. A mesma Wei Ning que estava treinando os titãs da cidade para usar seus corpos como instrumentos de destruição e proteção das pessoas. Se queriam um exemplo de titã, Wei Ning estava na ponta da língua de todos. 
—Quando a longa escuridão se fechar ao nosso redor, seremos a última luz! — Ela levantou um dos braços e, desarmada, correu em direção ao aglomerado de decaídos.
—Não tem como dizer não. — Paulo sacou a arma e correu.
—Tem sim - Atreus disse, mas se arrependeu depois das Firebreak se voltarem pra ele.
—É pra rir, calma - Revân estava andando e puxando Atreus.
—Só vamos. — Matheus começou a correr.
—Titãs — Faraday engatilhou o fuzil de batedor e se teleportou.

50 minutos da invasão decaída...

— E ai Revân, 'tá conseguindo acertar alguma coisa com esse canhão de mão? — Matheus disse enquanto atirava com a Estratégia Fabiana. 
Enquanto os não tem um nome ainda ficaram em trincheiras e se escondiam em escombros de casas há muito abandonadas mais ao longe da muralha da cidade, as Firebreak estavam lutando nas frentes, ora usando as mãos, ora usando as armas. As balas que passavam, quebravam paredes, restos de janelas e tijolos.
— 'Tô acertando sim, quer ver? —  Revân atirou a poucos centímetros da cabeça de Matheus.
O titã esquivou-se sem necessidade e quase voltou a arma para Revân.
— Você 'tá ficando louco? — Paulo escorregou para uma cobertura que ficava entre os dois. Matava com seu fuzil de assalto.
— Pergunta ali se ele 'tá bravo. — Matheus estava rindo e voltou a atenção para o fronte.
— Ahn... Pessoal, sem querer atrapalhar, tem mais dois tanques aranhas vindo — Atreus mirava de Sniper do ponto mais alto de uma construção que mais parecia um esqueleto de uma velha igreja.
Aplicou dois tiros de snipers seguidos em um capitão da linha que comandava as equipes. Quando ele caiu morto, alguns decaídos pareciam entrar em desespero. A felicidade de Atreus por matar um dos líderes só não foi maior porquê notou o tanque aranha virando a mira do canhão para ele.
— Me lasquei. 
Uma bola de fogo surgiu no ar, mas não era o tiro do tanque. Era de alguma forma humanoide. Várias labaredas foram lançadas diversas vezes seguidas. As rajadas pareciam as projeções de balas solares do dia que Lucas chegou à cidade, só que maiores. O tanque explodiu e pedaços de aço voavam para todos os lados. As firebreak gritaram em triunfo e os não tem nome ainda acompanharam. A energia flutuava de um lado para o outro enquanto adentrava algumas linhas inimigas e ateava fogo dos decaídos, queimando o que tocava pelo caminho e espalhando dentre os inimigos. Eles tentavam acertá-la, em vão. 
—  O que diabos é aquilo? — Faraday exterminava com seu fuzil de batedor e lançava ocasionalmente uma granada de vácuo, ele estava limpando as roupas de vez em quando devido ao gesso antigo das construções que ele se apoiava.
— Não o que, mas quem. — Lucas mirava com a sniper que ganhou. — O Arcano Osíris. 
— Ahn... Ele é meu amigo — Atreus disse entre ricochetes de balas.
— Você é amigo de Osíris? —  Lucas parou por um segundo e quase cinco balas acertaram ele.
— Tem outro tanque ali ainda, lembram? —  Paulo mirava nas pernas da máquina enquanto deu uma ombrada em Lucas - Revân, tem a Bomba Nova?
O nome dentre as fileiras da energia gigantesca que Revân havia projetado pegou rápido. O relatório do Exo foi modesto comparado de Paulo e Faraday. O titã descreveu a energia como "A morte em câmera lenta". O que se ouviu dentro da cidade eram murmúrios, fofocas de guardiões e cidadãos "Você ouviu falar dessa nova bomba? - Bomba? - É, uma Bomba nova que criaram... é de matar."
—  Ainda não, pergunta ali pro Faraday. —  Revân acertava o melhor que podia as fileiras mais fáceis, enquanto combinava com suas granadas. O alcance da Última Maldição era limitado, mas o arcano estava fazendo cada tiro valer. 
Balas da mini-gun do tanque voaram por todos os cantos e os guardiões se esconderam. O cheiro de concreto, fumaça e pólvora predominavam o ar. Logo em seguida o agridoce do sangue decaído das fileiras e o cheiro do próprio sangue. Uma bala de canhão fez destroços voarem. O barulho dos outros frontes ainda existia, entretanto não maior que os dos berros dos inimigos raivosos, projetos de balas e das Firebreak brigando.
— Pela última vez, EU, NÃO, VI, A, ÁRVORE! — Faraday saiu da defesa e atirou a cada palavra.
— E o Revân que não tem olhos, hein. —  Matheus estava incrédulo.
— Fala pra ele calar a boca — Faraday se escondeu, estava recarregando.
Uma bala de canhão acertou Revân. Os estilhaços da explosão feriram alguns dos guardiões em volta. Matheus foi jogado longe. Paulo precisou ser curado, o osso da perna próximo ao joelho estava exposto. A única coisa que sobrou para Kisuke rastrear foram as botas de Revân. 
—   Será que Exo tem chulé? —  Atreus olhou por alguns segundos para o equipamento.
—  Atira no tanque, porra! —   Lucas pulou e lançou a flecha de vácuo na fileira atrás do tanque aranha. Os decaídos ficaram presos e gritavam de agonia. 
—  Vocês querem se concentrar? —   Osíris estava brilhando ao lado deles de braços cruzados. Era como se ele tivesse dado um tapa na cabeça de todos presentes.
Ele desapareceu logo em seguida. O que estava soando nos comunicadores era que Osíris lutava nos frontes. Em todos eles ao mesmo tempo. Aquilo era uma projeção, que tinha tanto poder quanto original. Enquanto isso Wei Ning corria socando e matando tudo que tocava. Ao seu lado estava outra titã chamada Sloane que atirava incansavelmente. As outras cinco guardiãs atiravam e morriam, ressuscitavam e morriam de novo. Elriq era a única que permanecia ao lado deles protegida.
—  Como Osíris disse, é melhor nos concentrar, os inimigos estão ganhando terreno e não avançamos quase nada — Ela tinha um fuzil de assalto. —   Vamos avançar assim que destruirmos aquele outro tanque!

6 horas e 20 minutos da invasão decaída, Guerra...

A morte já havia se transformado em algo natural. A proteção dos fantasmas era a prioridade quando isso acontecia. Lucas e Paulo já haviam perdido as contas de quantas vezes caíram e levantaram. Não apenas eles, mas os amigos e as Firebreak também. As armaduras estavam desgastadas e em alguns pontos quebrada. Os decaídos não davam trégua. Havia três esqueletos de tanques aranhas no fronte, corpos e mais corpos de decaídos. Matheus e Paulo correriam para cima das frentes, Matheus com o vácuo: seu escudo destruía e desmaterializava tudo que tocava. Paulo com o poder do arco: as ombradas e os impactos no chão faziam tudo tremer. Wei Ning, Sloane e Elriq se admiravam com eles enquanto ajudavam. Quando os poderes da luz acabavam, eles voltavam com a retaguarda dos amigos e da facção. Mais duas flechas sombrias de Lucas e Atreus acompanhavam a proteção. 
Revân lançava uma Bomba Nova e depois que os decaídos juntavam-se novamente, Faraday lançava outra, tomando o cuidado de gritar para saírem da área de impacto, as Firebreak levavam a sério não recuar sob nenhum pretexto. Quanto mais dentro da batalha eles iam, mais rápido conseguiam energia o bastante para invocar esses poderes monstruosos. Pouco a pouco eles conquistavam terreno contra os inimigos. 
A ruina dos tanques agora serviam de proteção. Orin e Callisto, mais duas titãs que atiravam e corriam nas fileiras sem parar, estavam quebrando outro tanque com a força das mãos. Era bom que ao menos os sem nome ficassem para trás, poderia acontecer o inesperado e eles caíssem sem ninguém para ajudar. Um comunicador feito apenas pra eles, construído por Matheus de última hora, passava a fala reservada de todos. Embora não oficialmente da equipe, Faraday também ganhou um. 
—  Algum momento os decaídos vão perceber o padrão de ataque — Lucas disse. — E vão matar todos de uma vez.
—  É bom que estejamos preparados para esse momento — Matheus começou a guardar a luz para proteger dos tiros de tanque e ataques mais pesados.
—   Ninguém sabe se ainda há mais surpresas atrás daquele monte de balas e decaídos. — Lucas complementou.
—  Você acabou de zicar tudo. —  Disse Revân.
—  Mas você também, hein — Uma bala passou raspando pelo rosto de Matheus.
—  Atenção! — Elriq gritou.

13 horas e 43 minutos da invasão decaída, Guerra...

Disparos, cansaço e dor. Morte e ressurreição. Uma sombra alta e temida. Espaço era dado pelos decaídos, do contrário, mortos automaticamente, pisoteados ou desmembrados. Gritos de medo, mas não dos guardiões. 
Um dos líderes. Um Kell.
Ele era maior que todos os outros Kells que eles já haviam visto e com uma armadura mais trabalhada, dois braços de cima eram orgânicos e dois braços mecânicos abaixo deles. Do tamanho de um torso humano. Matheus e Revân o olharam com mais atenção e uma linha de frio correu por suas costas.
— Você está vendo Revân? —  Uma das sobrancelhas metálicas de Matheus subiu. Seu capacete não existia mais, seu rosto estava todo exposto e faltava-lhe armadura de perna. 
— A áurea em volta dele. Mas desta vez é azul. — Revân se abaixou e colocou o indicador onde seria sua boca. Todo seu sobretudo havia sido destruído. Suas manoplas estavam chamuscadas de fogo, a ponta dos dedos estavam pra fora.
— Acabamos de lançar todos os nossos poderes — Paulo ofegava. A sua armadura do torso haviam quatro buracos de bala, estava suja de poeira e metade do capacete estava quebrado, mostrando cabelo ruivo e rosto azul. A parte amostra estava brilhosa de suor, a poeira havia misturado ao molhado e havia se tornado uma camuflagem no rosto do desperto.
—  Continuem atirando, uma hora essa coisa tem que cair. — Lucas não parava de atirar. A capa estava rasgada, sem ombreiras e uma das manoplas. 
Atreus havia desistido de ficar na parte superior, alternava de local a cada dez minutos de batalha. Ele não tinha mais capa nem armadura de torso. Pareceu melhor pra ele depois que os snipers decaídos começaram a focar somente nele. 
— Acontece quando você não dá chance pros líderes deles liderarem. —  Matheus disse. —   Pessoal, atenção redobrada, essa energia em volta dele é um escudo a mais. Ele absorve as balas.
— Caso nenhum de vocês tenha lido o relatório, a criatura da lua tinha algo parecido, mas a cor da áurea era vermelha. O que será que... —   Revân olhou para Paulo e foi como se as luzes acendessem.
Sloane disparou diversas vezes na cabeça do Kell, porém não surtiu efeito. Ao contrário dele, que aplicou-lhe uma pesada e ela foi cortada ao meio. Foi difícil ver o sangue espalhado com tripas e órgãos no chão. O fantasma voou para se proteger dos tiros, sendo ferido no processo. Wei Ning deu quatro socos, mas foi lançada pelo Kell muitos metros de distância e se encontrou com uma pedra. Orin recuou atirando, xingando o Kell de todos os nomes possíveis. O Kell atirou em sua cabeça, metade do capacete e cabeça evaporaram, uma quantidade enorme de sangue derramou no ombro e enquanto o corpo inerte caia no chão. 
— Até onde sei, eles podem estar nos xingando igualmente. - Atreus disse, mas sentia em sua voz a angustia de assistir as colegas morrendo.
Callisto viu suas companheiras sendo derrotadas e correu disparando no Kell. Ela aplicou-lhe um soco certeiro em seu rosto. Ele devolveu, arrancando sua cabeça. Pegou seu corpo, então lançou dentre as fileiras de decaídos que atiraram e cortaram o corpo já morto da titã. A cabeça dela a monstruosidade empalou em um gancho na cintura. Havia mais ganchos, ele queria uma coleção. 
—   Filho da puta... —   Matheus parou de atirar e olhou fixamente no visor do Kell.
—  Matheeeeus... - Revân tocou o ombro do amigo. —   Tenha paciência.
O titã respirou fundo, mas ainda sentia a raiva crescente. Atreus descarregou dois pentes de arma no Kell, que só cresceu sua fúria e sacou outra arma. Uma versão ainda maior da metralhadora dos tanques. Ele descarregou em Atreus que caiu no chão, Morpheus atrás. O Kell pareceu dar risada. Outras duas guardiãs estavam desaparecidas, provavelmente mortas. Elriq estava contendo sua raiva, assim como Matheus. Os tiros não cessaram. 
Paulo parou e ajudou Morpheus a ressuscitar Atreus. 
—   Uma aposta meu amigo —   o capacete de Atreus estava quebrado no queixo, mostrando seu sorriso ao ouvir essas palavras. —   Quem abater esse Kell ganha a maior pilhagem.
— He,he,he... —   Atreus colocou a sniper nas costas e sacou um canhão de mão. —   Fechado.
— O último tiro é meu. —  Disse Matheus.
— Só se for mais rápido do que eu. — Revân engatilhou a Primeira Maldição, a arma parecia brilhar.
— Vamos então galerinha? —  Lucas riu —  Isso não vai presta.
— Vocês são loucos —  Faraday recarregava o fuzil de batedor —  Estou dentro.
— Elriq, você é a nossa cobertura — Paulo apontou para a incrédula titã — Enquanto distraímos o grandão, tente ressuscitar todas.— Engatilhou o fuzil de assalto.
Ela balançou a cabeça em afirmativa. 
— Paulo, é só um teste, mas preciso que faça o seguinte —  Revân cochichou algo no ouvido do titã.
— 'Ih, alá. — Matheus se preparou para a batalha.
Matheus preparou as pernas e correu. Balas passavam e nenhuma acertava o titã, centímetros atrás, onde a poeira surgia, as balas chegavam. O Kell tentou pegá-lo, uma das quatro mãos estendidas na direção do pescoço e torso. Passando direto por ele, há dez metros de distância, Matheus invocou o escudo de vácuo. Agora o Exo conseguia projetar o vácuo que emanava dele, como se fizesse um escudo gigantesco, segurando as balas que vinham em direção ao grupo pela multidão de decaídos atrás do Kell. Um total de vinte metros do campo de batalha.
— Peguem o desgraçado. —   Entre o esforço e dentes cerrados, o Exo disse.
Revân apareceu e descarregou a Primeira Maldição, dividindo as balas por cabeça, torso e pernas. Ele andou poucos metros dentro do campo de batalha para ter a melhor visão do inimigo. Faraday desapareceu e surgiu acima do Kell, lançou uma granada de vácuo enquanto atirava com seu fuzil de batedor. Lucas e Atreus combinaram os tiros por de trás de uma perna de metal estendida do tanque caído. Miravam nos olhos e na cabeça. O escudo de energia azul absorveu boa parte da ofensiva.
Paulo por último lançou uma granada de arco em direção ao Kell. Ele gritou e o escudo desapareceu. O estralo do escudo se desfazendo pareceu feri-lo também
—  Essas áureas são forças do universo! —   Revân gritou vitorioso. —   As balas agora vão pegar nele...
A fúria do Kell não teve demora. As balas azuis da minigun atravessaram a carcaça do tanque. Lucas teve metade da mão arrancada e sua cabeça sumiu. Aurora tentou ficar próximo ao corpo, mas as balas eram muitas. Paulo sentiu o peito doer, mas se manteria concentrado na batalha embora seus músculos se contraiam para ajudar o caçador.
Atreus teve tempo de pular três vezes para as balas não o pegarem. Caiu e rolou para frente e parou de frente para o monstro. Disparou debaixo do Kell em uma abertura da armadura. 
O sangue escorreu e o decaído ficou colérico. Levantou o pé para esmagar Atreus. Porém ele não contava com Paulo vindo em sua direção. O titã lançou-se e aplicou os dois pés no peito do decaído gigante, que até tentou se equilibrar, mas caiu junto com o guardião. Revân e Faraday recarregaram as armas e continuavam a atirar.
—  Paulo! — tarde demais pensou Revân.
Paulo tentou correr e embora sua mente gritasse para isso, não conseguiu. Estava sob duas mãos do Kell. O decaído esmagou o titã. Sangue jorrou de nariz, ouvidos, olhos e boca. A cabeça de Paulo tombou para o lado e o decaído gigante jogou o corpo de seu abate no chão, gritando de triunfo. Atreus, Faraday e Revân pararam de respirar por alguns segundos observando. O caçador então mirou a sniper e descarregou a arma no rosto do Kell. A armadura começou a ceder.
Balas da sniper do Kell perfuraram o peito e pernas de Atreus. Cuspiu sangue e caiu por cima da sniper. Seus pensamentos voltaram-se para o loot, porém a imagem de seus amigos apareceu. O ar ficou parado por alguns segundos e uma Bomba Nova foi projetada. Revân estava no céu, a raiva e ódio o acompanhavam. Faraday do outro lado lançava outra Bomba Nova, do outro lado do inimigo, embora centrado, seu semblante no céu era terrível. 
O decaído esticou os braços orgânicos, destroçados até seus cotovelos pelas explosões. Os mini fragmentos das duas bombas novas explodiram em volta. Ele não gritou de dor, parecia não querer dar esse prazer aos inimigos. Um pedaço de osso espirrava sangue do coto de um dos braços. O cheiro agridoce era ainda mais gritante. O outro braço tinha um nervo pendendo por ele. 
Voltou-se para o campo e descarregou a minigun em Revân e Faraday, que conseguiram escapar de boa parte das balas. O que eles não contavam era a sniper da outra mão. Revân teve uma das pernas destruída e seu braço amputado, enquanto a cabeça de Faraday ficou pendendo por alguns fios com seu corpo apoiado em uma mureta.
- Arrombado - Kisuke, não apareça. Rêvan...
Matheus olhou pra trás, vendo o campo destruído e seus amigos caídos. Apenas ele vivo. Porém não podia deixar a energia baixar, se não o massacre teria sido em vão e os fantasmas não poderiam ressuscitar os amigos. Elriq devia já estar chegando. As balas vinham de encontro a barreira de energia de vácuo, porém o Exo estava decidido a não ceder.
O Kell voltou a atenção a ele, o último de pé. O vento começou a virar mais forte e o cheiro de morte no campo ficou mais evidente. Matheus sabia que jamais conseguiria esquecer aquele cheiro. Precisava pensar rápido. Fenrir - Sim Matheus - Eu quero que fuja agora e chame ajuda dentro da cidade - Mas e você? - Os passos estavam mais próximos e a sombra começou a aparecer abaixo, nas botas do Exo. Foda-se - Eu não vou te deixar aqui. - Nós vamos cair se não fizer alguma coisa. Se eu deixar a barreira baixar, ai sim estará tudo acabado. Dois braços mecânicos restantes do decaído já estavam indo ao alcance da cabeça. FENRIR. O Fantasma se projetou entre seu guardião e o Kell.
—  Você não irá tocá-lo! — O chão tremeu.
Parecia um trote. Tanque aranha agora não. Porém sentia que não era. Sabia que não. Cadenciado. E um som. O que era aquilo? Uma... Risada? Disparos de tanque e balas voam, mas o escudo de Matheus não é mais o alvo. Algo no céu, algo vindo rápido. A visão periférica do Exo conseguiu ver tiras roxas presas a armadura.
—   A cidade ainda não está perdida! Ha,ha! Esse ai é dos grandes! 
A curiosidade do decaído também foi despertada, ele virou-se para onde estava vindo o som, apenas a tempo de ver sua última memória. A explosão no Kell foi tamanha que Matheus pensou que fosse uma bala de canhão vindo da cidade. O que sobrou da cabeça afundou para dentro de seu corpo. A espinha vertebral parecia uma exclamação vinda das costas. O corpo permaneceu de pé por alguns segundos, antes do guardião o empurrar. O sangue do decaído jorrou e espalhou-se pelo chão misturando-se a sujeira e terra.
—  Vocês já se recuperaram de coisa pior, Vamos! — São-14 estava rindo enquanto sangue decaído estava espalhado por toda sua armadura e seu capacete tinha um leve amassado. 
O céu brilhava com outro sol a vista. Os decaídos que agora voltaram-se para Matheus então são incinerados novamente. Osíris faz chover fogo nas fileiras. O pânico se instala e os capitães gritam, parecia que queriam ordem novamente, mas eles mesmos tinham medo. 
—  Mande ver seu maluco! — São-14 gritou para Osíris. Ele anda até Matheus —  Pode baixar o escudo, cuidaremos com as Firebreak para vocês se recuperarem.
—  Não podemos morrer de novo... —  Matheus não queria ter dito com tamanho desespero.
—  Então não morreremos. 
As Firebreak, Osíris e São-14 seguraram por alguns instantes as linhas, os sem nome ainda se recuperaram e com socos de cumprimento, voltaram para a batalha.

1 dia e 2 horas da invasão decaída, Guerra...

Explosão, destroços e um zumbido. Mais um tanque aranha vinha a baixo. Os decaídos começaram a vacilar, mas os guardiões estavam exauridos. 
—  Avançar Guardiões! —   Gritou Wei Ning —   Vamos recuperar o campo de batalha, todos, comigo!
O que parecia impossível era novamente possível. As poucas palavras da guardiã os animaram de novo. 
—  Bora porra! —  Revân estava atrás com energia concentrada em uma das mãos.
—   Iráa! —   Atreus sacou o canhão de mão do coldre e atirava.
Paulo e Lucas estavam lado a lado atirando em alvos prioritários, decaídos que chegavam próximos demais da equipe ou mesmo snipers mirando muito ao longe. Ferrões suicidas. Matheus e Faraday matavam o que eles deixavam para trás, estavam recuperando o território para fora da cidade.

1 dia e 20 horas da invasão decaída, Guerra...

—  Falaram no comunicador que os Senhores do Ferro conseguiram quatro quilômetros recuperados - Atreus atirava nos decaídos por uma fissura no chão. 
—   Enfie no cu —  Revân pulou e a pressão do ar mudou novamente. Mais uma Bomba Nova chegando nas frentes.
Os decaídos estavam desistindo ou já haviam aceitado a morte, eles nem corriam mais. 
As armaduras ao menos continuavam tão quebradas quanto antes. Faraday deveria ter se misturado a fuligem, fogo e destruição do caminho dos oito quilômetros que eles conquistaram a duras penas, pois já não se encontrava com armadura de torso, sobretudo e capacete. 
—  Ahn... enfia você. —   Atreus não deixou de atirar, mas quase errou um dos capitães.
—  Não é você não idiota! —   Revân abaixou-se para recarregar.
—  Ainda bem que todo mundo aqui é amigo —  Matheus tentava conter o riso.
Aos poucos todos estavam rindo enquanto balas azuis e tiros de metralhadoras disparavam em direção a eles. 

2 dias e 15 horas da invasão decaída, Guerra...

O fantasma de São 14, Geppetto, comunicava-se, tinham apenas um único rádio na cintura de Matheus. O único que sobrou.
—  Frequência liberada, olá! tem algué...
—  Shaxx na escuta, os inimigos estão em retirada total. —   Todos se afastaram do comunicador juntos, era como se tivesse um amplificador toda vez que Shaxx falava. 
—  As muralhas do norte permanecem - Osíris parecia preocupado.
—  Shaxx, as frentes ocidentais estão livres. A sim, aqui é São 14.
—  Então marcharemos para o sul. - Shaxx disse.
—  Ele não consegue falar baixo? —  Atreus sussurrou para Revân.
—  Deve ser o modulador dele, estão falando mais coisas, espere.
O comunicador chiava. 
—  Eles pensaram que entrariam aqui e que iriamos todos morrer. - Shaxx não consegue esconder a risada na voz.
Todos acompanham as risadas, no comunicador e em volta. 
—  Sim. —  Saladino, a alma da festa.
Os guardiões se olhavam e observavam o horizonte, limpo e mais importante, sem decaídos.
—  Eu não morri —  São-14 parecia indignado.
—  Eu não acredito —  Shaxx parecia ainda mais.
—  É porque você morreu, Shaxx? Ouvi dizer que os decaídos quebraram seu chifre.
—  Tenta vir quebrar o outro, que acha?
Todos desataram a rir. O comunicador continuou com as falas de todos sobre o cerco. Paulo estava sentado na parte superior de um dos tanques. Atreus depois do desinteresse pelo que falavam, vasculhava corpos pelo campo. Matheus estava com um dos pés no corpo de um Kell que ele derrotou como se ele fosse um troféu. Lucas ainda mirava de onde os decaídos estavam vindo. Revân estava ao lado de um dos tanques segurando energia de vácuo e Faraday estava de braços cruzados. As Firebreak estavam de pé, ainda esperando qualquer movimento decaído. 
—  Achei fácil. —   Matheus disse.
—  Como que sai do tutorial? —  Lucas complementou.
—  Eu vou ligar o meu modulador ocular aqui —  Revân fingiu apertar algo na cabeça. 
O silêncio foi quebrado por ainda mais risadas dos guardiões. O cheiro da guerra ainda pairava. Mas, pela primeira vez dentre os dias, o horizonte estava em paz.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Palamon - Terra - Faraday e Lucas - PT. 3

? - Terra - Lucas