? - Terra - Paulo e Matheus PT. 4

Quase não podia acreditar que passaram pela ponte com apenas o esforço de colocar um pé na frente do outro. Os decaídos não apareceram, ou qualquer coisa que fosse para perturbá-los. Paulo e Matheus concordaram que aquele local seria a armadilha perfeita para atacar. 
— Eu atacaria se fosse eles — O exo deu de ombro.
— Ainda bem que você não é um decaído — O desperto riu, sem deixar a atenção na estrada. 
Eles cobriram mais alguns quilômetros de distância e metade do mês havia passado. Paulo pensou que poderia se acostumar àquela vida de andarilho. Caçar recursos para a cidade, sem precisar atirar ou matar quem aparecesse em seu caminho. Seja para comê-lo, seja para se defender. 
Sobreviver. 
No fim das contas era disso que se tratava tudo aquilo.
Pensava em abrir o comunicador e saber como os outros estavam em suas missões, mas só de lembrar que Perun poderia estar tentando interceptá-los, era um arrepio na espinha. Matheus estava a alguns metros de distância.
— É melhor andarmos um pouco mais separados agora. Terreno não conhecido e o perigo de ficarmos cercados juntos é muito grande. — Ele apontava para os dois lados da rua e as casas fantasmagóricas os observavam. — Melhor um de nós ficar cercado enquanto o outro atira e corre. Teremos mais chances. 
O titã desperto não discutiu. Os cortes de garras na parede e buracos de balas de aparência de decaídos era indiscutível. 
Fizemos bastante progresso, não é? Paulo ouviu Soutre em sua mente com aquele tom metálico. Fala sobre andar até o objetivo? respondeu uma pergunta com outra. Não se faça de bobo. A fantasma dava bronca brincando. Lembrou de quando me acordou, Soutre? Paulo engatilhou o fuzil de assalto. Vocês conversando na fogueira me fizeram lembrar. Você é um herói agora. Ela parecia orgulhosa. Pensava que eu poderia vir a ser isso? Houve um momento de silêncio. O ar fresco da tarde, o calor agradável e os pássaros cantando formavam uma música maravilhosa pra caminhar. Ver Matheus andando a sua frente e volta e meia olhar pra trás acenando era reconfortante também. Jamais pensei que seria tão forte. Não no sentido literal, eu estava te procurando por tanto tempo. E ver os renascidos e os guardiões lutando. Não sabia no que ia se tornar, mas tive fé em você e não me decepcionei, Soutre, sua fantasma e de mais ninguém, estava muito mais que orgulhosa. Ela estava genuinamente feliz. 
Paulo continuou andando. Sorriu por baixo do capacete e começou a fazer o caminho até a cidade em sua mente, a ida até a praia de gelo, a possessão de Faraday. Nem me fale dessa parte, ainda precisamos descobrir que coisa era aquela, não é? Disse Soutre, em tom natural. As patrulhas na cidade. A batalha dos seis frontes. A descoberta dos novos aliados e a possibilidade de morte. 
Novos inimigos.
Não precisamos nos preocupar com isso agora. Temos remédios para conseguir e pessoas para salvar. Paulo ouviu sua amiga de todas as horas. Fez que sim com a cabeça. Tudo girava em ajudar as pessoas. Precisava ser. 
Enquanto absorvia o bom tempo onde estavam andando, em outra direção, ao longe, uma tempestade se formava. Nuvens negras e carregadas. Ainda não chovia, mas estava estampado que seria uma enorme tempestade. Tenho certeza que é lá que Lucas está. Paulo disse. Como pode ter tanta certeza? A curiosidade da fantasma. Paulo podia enxergar Soutre perguntar e seu único olho virar uma interrogação Porque ele sempre está no meio da confusão. Quando não é ele mesmo a confusão. Soutre riu e Paulo riu junto. 
O guardião imaginou como seria estar vivo sem aquelas piadas idiotas e pessoas lhe perturbando a razão. 
Que existência miserável.
— Paulo — A voz grave de Matheus gritou ao longe, mesmo de costas escutava ele bem. Deve ter projetado a voz. 
— Diga — O desperto precisou colocar a mão em concha para fazer o efeito. 
— A partir daquela placa destruída ali — O exo apontou com a arma — estamos em território não mapeado, a não ser talvez pelos seis coiotes. Atenção.
— Eu vou ficar de olho na sua bunda, fica em paz — O titã desperto gargalhou.
— Disso eu não tenho a menor dúvida. — O outro guardião estava rindo pra si mesmo. — Seu safado. 
Você realmente tem... A voz de Soutre havia imensa desconfiança. NÃO! Paulo quase gritou. Fim do assunto. 







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