? - Terra - Revân e Atreus PT. 2

O comunicador tocou e interrompeu um pensamento. Ao menos não era o comunicador dos Senhores de Ferro. O barulho do gerador não existia mais, o cheiro de mofo era uma breve lembrança. A composição de flores perfumadas que desenvolveu e passou na sala fora excelente pra isso.  
— Atreus, pode atender, por gentileza? — Revân estava sentado à mesa e voltava a sua mente para o projeto de arquitetura da estrutura do QG.
— Ahn... Sim. — Atreus estava fazendo a limpeza de sua sniper. Sistematicamente todas as peças estavam dispostas em um pano e ele as limpava e lubrificava novamente. Estava na terceira vez.
Se levantou. Andou até o comunicador. Atendeu.
— Alô. — Ele olhava para um ponto fixo da parede. — Aham. Certo. Ahn... — Revân estava dividido na estrutura que visualizava e na ligação de Atreus. — Oh... certo. Hum... certo.
Revân se levantou, virou-se e cruzou os braços observando Atreus. Sabia que se tratava da equipe, mas quem ligava?
— Ahn... certo. — A curiosidade de Revân começou a atiçá-lo. — 'Tá bem.
Atreus desligou o comunicador e voltou a mesa e a limpar as peças da arma. Revân o observou por alguns minutos. Longos minutos. A única coisa que conseguiu foi um olhar curioso de uma peça contra a luz.
— E então? — Revân, agora estava de costas para mesa, apoiava as duas mãos nela e batia o indicador ritmicamente. 
— A arma 'tá excelente, só precisa de mais um pouco de carinho — O pano sujo foi trocado por outro limpo.
— E o que mais? — Revân cruzou os braços novamente, porém com mais força.
— É uma excelente sniper. — Atreus começou a montar novamente.
— E...? — Revân respirou fundo.
— Nada. 
Sentiu os nervos mecânicos estralarem, teve a impressão que tinha faíscas saindo de alguma das suas juntas. Entretanto se tratava de Atreus. Se fosse Matheus, Paulo ou Lucas ele já teria lançado uma granada e atirado todas as balas da Primeira Maldição.
— A ligação, Atreus. — O brilho nos olhos de Atreus acendeu.
— Ahn... Verdade. — Como se fosse uma bobagem qualquer. — Faraday e Lucas estão pedindo reforços para ajudar na luta contra os decaídos em uma vila chamada Palamon. — Atreus continuava montando a arma.
Se Revân tivesse olhos, com certeza estariam esbugalhados naquele momento. Revân correu para o andar de cima e vestiu a armadura, pegou o coldre e arma. Começou a concentrar-se para juntar luz necessária para algum ataque e desceu as escadas. Atreus estava finalizando colocando as balas no carregador.
— Eles estão muito feridos? — Conferia as balas na Primeira Maldição.
— Quem? — Atreus finalizou e deixou a arma à sua frente.
— Faraday e Lucas, quem mais? 
— Não — Atreus finalmente se virou para o amigo. Suas expressões se igualavam a um ponto de interrogação.
— Como não?
— Os decaídos não atacaram ainda.
A boca de Revân abriu e fechou num corte de respiro. Coçou a cabeça.
— E por que você não falou?
— Porque você não pediu. — Revân teria enforcado ele ali mesmo, preferiu morder o próprio lábio metálico.
Respirou fundo. 
— Poderia, por gentileza, me contar toda a ligação. — Com a arma no coldre, Revân juntou as duas mãos numa súplica. 
— Claro. — Atreus virou seus olhos para ele — Faraday desconfia que uma vila fora da cidade será atacada por decaídos. Lucas foi para lá a pedido de um amigo investigá-la enquanto o mesmo está longe. Nome da cidade: Palamon. Acredita que apenas eles não vão dar conta. Pediu nossa ajuda.
— Foi difícil? — Revân deixou transparecer um pouco de raiva.
— Ahn... Você complica tudo. 
Viajante, me dê paciência. Se me der força eu jogo a bomba nova aqui mesmo. 
— Se prepare, então, por favor — Revân respirou mais algumas vezes profundamente.
Enquanto Atreus levantava-se para buscar seu equipamento, o Arcano refletiu que perdia a paciência extremamente mais rápido com seus colegas do que com os alunos. Sabia que o próprio conhecimento sobre as pessoas era limitado. Ainda assim, entendia como falar, por onde começar e em que tom dizer com cada um dos amigos. Não era pra manipulá-los, mas era pra fácil entendimento. Atreus fugia as vezes daquele controle. 
Depois de resfriado o aço de sua cabeça, começou a juntar os projetos para serem guardados, afinal, já estava pronto para sair.
— Ahn... A propósito, as coordenadas são essas aqui. — Atreus estava com um tablet que entregou a Revân. 
— Excelente. — Revân colocou o dedo no queixo. — Sem autorização dos Senhores de Ferro ou o conselho da cidade por enquanto. Surdina. Compreendido?
— Ahn... Sim. — Atreus olhava para a sniper.
— Então vamos. 
Revân guardou o tablet no sobretudo e começou a ir embora e Atreus atrás. Trancada a porta, os dois foram observando possíveis guardas andando. A sorte estava ao lado deles, ninguém por perto. Logo estavam fora da cidade a caminho de Palamon. Longe, Revân observou uma nuvem negra e um vento gélido indo na mesma direção que eles. Aí vamos nós, Palamon.  



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Palamon - Terra - Faraday e Lucas - PT. 3

? - Terra - Lucas

? - Terra, A batalha dos Seis Frontes - Todos