? - Terra - Revân-9
- E todo o conhecimento era armazenado em livros. - Revân disse.
- O que é livro senhor Revân? - "Cinco anos apenas. Mais curiosa do que todos."
Revân sorriu. Ensinar é aprender duas vezes. Ele mesmo falava de vários assuntos e o que parecia óbvio para ele, era o imaginário para todos.
- Excelente pergunta, Kora.
Kora ficou vermelha.
- Não há motivo para ter vergonha. É uma excelente pergunta. Vamos deixar esta para próxima aula, que acham? - Em uníssono, um descontentamento das crianças. Tinham quinze no total - Semana que vem teremos mais, fiquem tranquilos. Estão dispensados.
Enquanto as crianças pegavam seus tablets recém construídos, a divisão de Matheus e tecnologias deu seus frutos, Revân dera as costas a eles. Ainda assim conseguiu captar uma fala, entre todas: 'Isso se os Decaídos não nos matarem antes' — Álvaro, dez anos.
Não soube por quanto tempo ficou parado olhando para o livro de astrologia. A capa nem era interessante. Vários planetas e estrelas com o nome "astrologia" em amarelo grande na parte superior central, revisão da edição nº cinquenta e quatro no rodapé. Observou a lua por mais tempo do que queria. Todos os mundos para descobrir, entender e explorar, e eles estavam presos ali com a morte batendo à porta.
- O que é livro senhor Revân? - "Cinco anos apenas. Mais curiosa do que todos."
Revân sorriu. Ensinar é aprender duas vezes. Ele mesmo falava de vários assuntos e o que parecia óbvio para ele, era o imaginário para todos.
- Excelente pergunta, Kora.
Kora ficou vermelha.
- Não há motivo para ter vergonha. É uma excelente pergunta. Vamos deixar esta para próxima aula, que acham? - Em uníssono, um descontentamento das crianças. Tinham quinze no total - Semana que vem teremos mais, fiquem tranquilos. Estão dispensados.
Enquanto as crianças pegavam seus tablets recém construídos, a divisão de Matheus e tecnologias deu seus frutos, Revân dera as costas a eles. Ainda assim conseguiu captar uma fala, entre todas: 'Isso se os Decaídos não nos matarem antes' — Álvaro, dez anos.
Não soube por quanto tempo ficou parado olhando para o livro de astrologia. A capa nem era interessante. Vários planetas e estrelas com o nome "astrologia" em amarelo grande na parte superior central, revisão da edição nº cinquenta e quatro no rodapé. Observou a lua por mais tempo do que queria. Todos os mundos para descobrir, entender e explorar, e eles estavam presos ali com a morte batendo à porta.
Algo puxou seu sobretudo e o tirou da imersão daquele poço sem fundo. Dentro da cidade o
Exo conseguiu conter seus movimentos bruscos, mas uma das mãos já estava num
coldre vazio em sua cintura. Quando Revân virou-se, era Kora. Ela
tinha olhos castanhos escuros, sua pele bronzeada, cabelos encaracolados e quando sorria faltava um
dente da frente.
- Senhor Revân, meu pai não chegou. - Ela ainda segurava o sobretudo de Revân.
- Não tem problema Kora, pode ficar, ele logo chegará - Ele tentou sorrir o melhor que pôde.
Ela sorriu de volta.
- Eu fico olhando seu rosto todo, é engraçado - ela escondeu o rosto e o riso com as duas mãos.
- Senhor Revân, meu pai não chegou. - Ela ainda segurava o sobretudo de Revân.
- Não tem problema Kora, pode ficar, ele logo chegará - Ele tentou sorrir o melhor que pôde.
Ela sorriu de volta.
- Eu fico olhando seu rosto todo, é engraçado - ela escondeu o rosto e o riso com as duas mãos.
- Por que é engraçado, Kora? - Revan sorriu de verdade então.
- Porque não sei onde te olhar. Por que
o senhor não tem olhos? - Ela se balançou nos pés. Estava vestida com uma roupa
bem maior do que deveria para ela, mas provável que não haveria outra.
- Outra excelente pergunta Kora, mas esta eu não sei responder. - Kisuke se materializou.
- Nem nós pensamos nisso ainda Kora. - Ele aproximou-se da garotinha e ela riu enquanto o fantasma lançava pequenos feixes que bagunçavam o cabelo.
- Kisuke, não diga isso, como fico como professor? - Revân juntou os livros e os organizou nas prateleiras.
Kisuke ficou flutuando de um lado para outro enquanto Kora corria atrás dele, tropeçando de vez em quando na calça jeans surrada maior do que ela. Revân olhou em volta e absorveu todo aquele local improvisado. Um cômodo, paredes desgastadas e com uma luz improvisada no teto. O Exo ainda tentava tirar o cheiro de mofo. O gerador que Matheus construiu foi de grande ajuda, conseguia ouvir durante toda aula o barulho constante dele funcionando lá fora. As cadeiras improvisadas de caixas de madeira e de plástico desgastadas. O chão coberto de panos amarelos, azuis, pretos, vermelhos e roxos. Ainda estava pensando no que colocar do lado esquerdo.
Enquanto olhava lembrou de quando sugerira aos Senhores de Ferro sobre escolas e local para ensinar as crianças a ler e escrever, era como propor que os pássaros cortassem as próprias asas.
- Elas devem ficar com seus familiares o máximo de tempo possível. - Disse um deles do conselho.
- Por quê? Elas vão morrer? - Revân disse. A paciência estava longe naquele dia.
- Eu não disse...
- Eu sei muito bem o que disse, mas as entrelinhas deixam claro o motivo do seu comentário - O Guardião fechou a cara e olhou para o tablet a sua frente. - O que estou dizendo é que além das crianças terem um espaço para aprender, elas precisam sair dessa realidade bruta que estamos vivendo hoje.
- Quer esconder delas o que vivemos? O mundo real? - Saladino se interpôs.
- Quero mostrá-las conhecimento para que possam lidar com o mundo real. Nós somos guardiões, seres imortais que caminham sobre esse mundo destruído. Pra nós não faz diferença alguma se toda a cidade vir abaixo, se destruírem o restante do sistema solar ou mesmo todas as terras, podemos começar de novo. - Todo o conselho se olhou - Mas para estas pessoas, elas têm apenas uma vida pra dar, quer que elas deem o mesmo destino as próprias crianças?
Silêncio. Revân estava com o punho tão fechado que podia ouvir o barulho dele raspando nele mesmo e nas articulações de metal.
- Estamos falando do futuro da cidade, o que estamos fazendo aqui além de construir algo para as pessoas viverem?
Algumas palavras cruzadas. Murmúrios.
- Revân-9 - Disse a Senhora Perun. - O senhor tem permissão de criar este colégio. A princípio duas horas. Três dias da semana.
- Apenas... - A Senhora de Ferro levantou a mão, Revân se calou.
- Por agora, duas horas para o conhecimento de todos. Se vermos resultado e com resultado eu quero dizer que realizará relatórios sobre - Ela o olhou e seus olhos estavam pegando fogo de determinação. - Aumentaremos as horas e os dias. Satisfeito agora?
Revân aliviou a tensão nas mãos e respirou fundo.
- Sim. - Embora sua mente dissesse não.
- Seus deveres como guardião ainda são válidos, caso haja alguma dúvida.
- Sim. - Não.
- Dispensado.
Mais uma vez, ele olhou o livro de astrologia na estante, entre tantos outros. Rasgado em alguns pontos. Não posso ter medo do futuro.
- Outra excelente pergunta Kora, mas esta eu não sei responder. - Kisuke se materializou.
- Nem nós pensamos nisso ainda Kora. - Ele aproximou-se da garotinha e ela riu enquanto o fantasma lançava pequenos feixes que bagunçavam o cabelo.
- Kisuke, não diga isso, como fico como professor? - Revân juntou os livros e os organizou nas prateleiras.
Kisuke ficou flutuando de um lado para outro enquanto Kora corria atrás dele, tropeçando de vez em quando na calça jeans surrada maior do que ela. Revân olhou em volta e absorveu todo aquele local improvisado. Um cômodo, paredes desgastadas e com uma luz improvisada no teto. O Exo ainda tentava tirar o cheiro de mofo. O gerador que Matheus construiu foi de grande ajuda, conseguia ouvir durante toda aula o barulho constante dele funcionando lá fora. As cadeiras improvisadas de caixas de madeira e de plástico desgastadas. O chão coberto de panos amarelos, azuis, pretos, vermelhos e roxos. Ainda estava pensando no que colocar do lado esquerdo.
Enquanto olhava lembrou de quando sugerira aos Senhores de Ferro sobre escolas e local para ensinar as crianças a ler e escrever, era como propor que os pássaros cortassem as próprias asas.
- Elas devem ficar com seus familiares o máximo de tempo possível. - Disse um deles do conselho.
- Por quê? Elas vão morrer? - Revân disse. A paciência estava longe naquele dia.
- Eu não disse...
- Eu sei muito bem o que disse, mas as entrelinhas deixam claro o motivo do seu comentário - O Guardião fechou a cara e olhou para o tablet a sua frente. - O que estou dizendo é que além das crianças terem um espaço para aprender, elas precisam sair dessa realidade bruta que estamos vivendo hoje.
- Quer esconder delas o que vivemos? O mundo real? - Saladino se interpôs.
- Quero mostrá-las conhecimento para que possam lidar com o mundo real. Nós somos guardiões, seres imortais que caminham sobre esse mundo destruído. Pra nós não faz diferença alguma se toda a cidade vir abaixo, se destruírem o restante do sistema solar ou mesmo todas as terras, podemos começar de novo. - Todo o conselho se olhou - Mas para estas pessoas, elas têm apenas uma vida pra dar, quer que elas deem o mesmo destino as próprias crianças?
Silêncio. Revân estava com o punho tão fechado que podia ouvir o barulho dele raspando nele mesmo e nas articulações de metal.
- Estamos falando do futuro da cidade, o que estamos fazendo aqui além de construir algo para as pessoas viverem?
Algumas palavras cruzadas. Murmúrios.
- Revân-9 - Disse a Senhora Perun. - O senhor tem permissão de criar este colégio. A princípio duas horas. Três dias da semana.
- Apenas... - A Senhora de Ferro levantou a mão, Revân se calou.
- Por agora, duas horas para o conhecimento de todos. Se vermos resultado e com resultado eu quero dizer que realizará relatórios sobre - Ela o olhou e seus olhos estavam pegando fogo de determinação. - Aumentaremos as horas e os dias. Satisfeito agora?
Revân aliviou a tensão nas mãos e respirou fundo.
- Sim. - Embora sua mente dissesse não.
- Seus deveres como guardião ainda são válidos, caso haja alguma dúvida.
- Sim. - Não.
- Dispensado.
Mais uma vez, ele olhou o livro de astrologia na estante, entre tantos outros. Rasgado em alguns pontos. Não posso ter medo do futuro.
- Senhor Revân? -
Kora estava sentada em um pano vermelho no chão.
- Sim?
- O senhor acredita que vamos todos morrer para os decaídos?
"Oh Kora". Revân a olhava quase boquiaberto. Foi como estar na presença daquela criatura na lua, só de outra forma. Na verdade ele estava na presença de algo ainda pior.
- O senhor acredita que vamos todos morrer para os decaídos?
"Oh Kora". Revân a olhava quase boquiaberto. Foi como estar na presença daquela criatura na lua, só de outra forma. Na verdade ele estava na presença de algo ainda pior.
A dúvida.
Engoliu um seco, porém se recompôs.
- Claro que não. Por que diz isso?
- Ouvi Alvaro dizer. - Ela não ligava para o peso da pergunta, ainda continuava a brincar. "Ela que devia ser um guardião, tamanha força".
- Alvaro anda lendo histórias de guerra demais, não acha? - Revân se aproximou e sorriu. - Não vamos. Quer saber por quê?
- Por que? - Ela tinha o brilho nos olhos da curiosidade saciada.
- Porque eu vou proteger a todos. - Revân levantou uma das mãos e o vácuo apareceu e sumiu num piscar de olhos. - Eu e meus amigos.
- O senhor promete? - Kora tocou a mão do Exo.
- Eu prometo - As palavras surgiram em sua boca, se antes não soubesse, agora ele tinha certeza que protegeria.
- Hey, Kora - Era uma voz masculina.
- Papai! - Ela correu.
Uma barba rala e as roupas tão sujas, deveria ser da equipe de construção.
- Desculpe senhor Revân, eu não vi a hora.
- Não há do que se desculpar - Kora estava nos braços do pai. Revân apertou sua mão. - Estávamos brincando.
- Tchau senhor Revân, até semana que vem. - Kora gritou enquanto saia à rua.
Sim... Até semana que vem. Revân respirou fundo.
- Meus parabéns. - Era outra voz, mais firme e bem confiante.
Mais uma vez a mão no coldre.
- Descansar guardião. - Era um desperto, assim como Paulo. Olhos e pele azulada. Careca. Ele tinha uma armadura muito bem construída.
- Quer me matar do coração? - Revân relaxou.
- Meu nome é Zavala e queria agradecê-lo pelo que está fazendo.
- Não é nada demais, eu só enfrentei uns decaídos fora da fronteira - Revân sentou-se em um dos bancos de plástico. - O relatório detalhado do vácuo está no banco de dados da cidade.
- Me refiro a este lugar - O desperto apontou em volta.
Revân não gostava de ser pego desprevenido. Duas vezes no mesmo dia já era demais.
- Você é um exemplo a ser seguido. Enquanto pensam que nossa função é apenas matar inimigos, você entendeu que se não estruturarmos o presente, não teremos futuro. - Ele trazia parabéns, mas havia pesar em suas palavras.
Revân o olhou e demorou um pouco antes de falar. O barulho do gerador zumbindo lá fora. O leve cheiro de mofo no ar misturado ao perfume das flores que Revân trouxe.
- Quem era?
- Quem era o que? - Zavala franziu as sobrancelhas. A luz no teto fez uma sombra em seu rosto.
- Sei que era jovem. - Revân sentiu o guardião vacilar.
- Não sei do que está falando. - Ele ficou em posição defensiva.
- Eu não quis ofender, e sinto muito pela sua perda. Queria que estivesse aqui também.
Os dois ficaram se encarando por um tempo. Zavala relaxou.
- Hakim. - O desperto mencionou num sussurro.
Revân levantou e colocou a mão no ombro do titã. Eles se cumprimentaram e Zavala foi embora. "Sem olhos, mas vê muito além.". Riu pra si mesmo.
- Claro que não. Por que diz isso?
- Ouvi Alvaro dizer. - Ela não ligava para o peso da pergunta, ainda continuava a brincar. "Ela que devia ser um guardião, tamanha força".
- Alvaro anda lendo histórias de guerra demais, não acha? - Revân se aproximou e sorriu. - Não vamos. Quer saber por quê?
- Por que? - Ela tinha o brilho nos olhos da curiosidade saciada.
- Porque eu vou proteger a todos. - Revân levantou uma das mãos e o vácuo apareceu e sumiu num piscar de olhos. - Eu e meus amigos.
- O senhor promete? - Kora tocou a mão do Exo.
- Eu prometo - As palavras surgiram em sua boca, se antes não soubesse, agora ele tinha certeza que protegeria.
- Hey, Kora - Era uma voz masculina.
- Papai! - Ela correu.
Uma barba rala e as roupas tão sujas, deveria ser da equipe de construção.
- Desculpe senhor Revân, eu não vi a hora.
- Não há do que se desculpar - Kora estava nos braços do pai. Revân apertou sua mão. - Estávamos brincando.
- Tchau senhor Revân, até semana que vem. - Kora gritou enquanto saia à rua.
Sim... Até semana que vem. Revân respirou fundo.
- Meus parabéns. - Era outra voz, mais firme e bem confiante.
Mais uma vez a mão no coldre.
- Descansar guardião. - Era um desperto, assim como Paulo. Olhos e pele azulada. Careca. Ele tinha uma armadura muito bem construída.
- Quer me matar do coração? - Revân relaxou.
- Meu nome é Zavala e queria agradecê-lo pelo que está fazendo.
- Não é nada demais, eu só enfrentei uns decaídos fora da fronteira - Revân sentou-se em um dos bancos de plástico. - O relatório detalhado do vácuo está no banco de dados da cidade.
- Me refiro a este lugar - O desperto apontou em volta.
Revân não gostava de ser pego desprevenido. Duas vezes no mesmo dia já era demais.
- Você é um exemplo a ser seguido. Enquanto pensam que nossa função é apenas matar inimigos, você entendeu que se não estruturarmos o presente, não teremos futuro. - Ele trazia parabéns, mas havia pesar em suas palavras.
Revân o olhou e demorou um pouco antes de falar. O barulho do gerador zumbindo lá fora. O leve cheiro de mofo no ar misturado ao perfume das flores que Revân trouxe.
- Quem era?
- Quem era o que? - Zavala franziu as sobrancelhas. A luz no teto fez uma sombra em seu rosto.
- Sei que era jovem. - Revân sentiu o guardião vacilar.
- Não sei do que está falando. - Ele ficou em posição defensiva.
- Eu não quis ofender, e sinto muito pela sua perda. Queria que estivesse aqui também.
Os dois ficaram se encarando por um tempo. Zavala relaxou.
- Hakim. - O desperto mencionou num sussurro.
Revân levantou e colocou a mão no ombro do titã. Eles se cumprimentaram e Zavala foi embora. "Sem olhos, mas vê muito além.". Riu pra si mesmo.
Kisuke se materializou.
- Agora vamos, responda.
- O que?
- O que diabos é um livro?
- Agora vamos, responda.
- O que?
- O que diabos é um livro?

Maravilhoso, quero mais
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