? - Terra - Faraday

A escalada. O respiro antes da subida. Faraday começou a caminhar com determinação para o alto do pico. Passou com apenas uma olhada de canto de olho para o bar no sopé da montanha. Aquele lugar deveria ser sagrado, não deveria ter aquele tipo de estabelecimento próximo. O Senhor Felwinter deveria dar um basta. Ao menos parecia fechado. 
O Exo começou a caminhada dentre a neve. "Anda, desembucha." Kepler disse em sua mente. Sabia que não podia esconder nada daquele fantasma por muito tempo.
- Como ele pôde juntar tanta energia de vácuo? - As pegadas começaram a ficar mais rápidas e pesadas. - Nem eu tenho tanto poder.
- Ele é um prodígio. - Kepler surgiu e demorou um pouco para acostumar-se com a temperatura, tremendo suas partes de metal. - Não está com frio?
- Não - Faraday olhou para o lado esquerdo. - Quero dizer, eu já vi o Senhor Felwinter lançar tamanho poder, mas um rapaz sem estudo ou treinamento.
- Você o iniciou no vácuo, ele desenvolveu-se. O que há de mais nisso?
Alguns passos em silêncio, então Kepler desapareceu e deixou seu amigo com seus pensamentos. Faraday lembrou novamente do sentimento de estar presente de tamanho poder. Aquela soma de energia se chocando e destruindo tudo que toca.  Paulo também foi muito bem com a energia. Projetando a como um escudo. Se o vácuo poderia absorver tudo que toca, ele também poderia ser um escudo que absorve tudo. Por trás daquele monte de armadura e pele azulada tinha alguém que valia a pena confiar. Faraday bateu um pouco na roupa para se livrar de flocos de neve que grudaram nela.
Deveria ter agradecido Revân pelo duelo. Se sentiu vivo novamente. Aquilo foi como ressuscitar dentro da biblioteca. Havia se afogado na frustração quando foi possuído. Ele iria ficar mais forte e iria atrás daquela força que o possuiu. Agora estava próximo do topo. Alguém vinha na direção contrária, estava enrolado em muitos panos que cobriam o corpo inteiro.
- Iai parceiro, 'tá com a cara boa. - A voz era grave, mas a sensação de Faraday não foi das melhores.
- Olá... eu não entendi.
- Nã... Deixa pra lá. Seu amigo Senhor do Ferro vai ficar ocupado logo, logo, melhor falar com ele bem rápido. - Parecia aqueles animais que Faraday leu nos livros de biologia. Algo peçonhento. Uma cobra.
- Meu nome é Faraday, qual seu nome?
- O meu nome eu vou guardar pra mim, mas agradeço a informação do seu - Ele continuou andando e rindo.
É um guardião. Deveria ser. Por mais enfaixado que estivesse. O Exo percebeu que ele não tremia nem vacilava na voz. A risada dele persistia mesmo depois que Faraday andou alguns metros, ecoando dentre a montanha.
Ao chegar nas portas do salão, observou as enormes gravuras de lobos gigantes. As duas mãos segurando o machado gigantesco. Aquele símbolo significava poder dentre as fileiras de guardiões na última cidade. Adentrou devagar e acolheu com felicidade o calor das enormes piras de fogo localizadas num círculo. No fundo olhando para as paredes e sinos localizados em um semicírculo, Felwinter tinha um aspecto que Faraday não conseguiu ler.
- Senhor. - Faraday fez uma reverência.
- Já disse que isso não é necessário Faraday. - O Senhor do Ferro não movimentou-se.
"Nada o agrada".
- Faz isso apenas pelo seu ego. - Parecia ler sua mente.
- A missão foi infrutífera. - Faraday disse.
- Deixe-me julgá-la.
Faraday contou todo o trajeto e Felwinter não expressava nada além de "prossiga". Então a parte vergonhosa.
- Foi então que algo me possuiu. - Então uma reação. O olhar severo do senhor do ferro. - Tenho imagens e vídeos. Mas falei em Russo e não consegui tirar o senhor da mente. E uma palavra.
- E que palavra era essa? - Felwinter levantou uma sobrancelha de metal.
A voz de Faraday congelou na garganta. Piscou várias vezes. Não tinha saliva, mas sentia a boca seca. Juntou forças e disse.
- SIVA.
Apenas o rosto do Senhor do Ferro estava virado para Faraday. Os segundos pareciam demorar milênios. Estar sob o olhar daquele Exo era pior do que encarar o rosto sem olhos de Revân.
- Tem certeza? - disse apenas isso depois de tanto tempo.
- Sim senhor. 
- Não foi tão infrutífera assim. - Ele voltou-se para os sinos. - Agora vá. A cidade precisará de toda ajuda possível. 
- Quem seria essa entidade Senhor Felwinter? 
- Eu disse vá. 
Faraday respirou fundo. Fez menção de que ia fazer uma reverência, mas parou. Deu as costas e começou o caminho de volta. A cidade estava alguns dias de estrada. "Foi melhor do que pensamos" Kepler passou as informações para o fantasma de Felwinter. 
- Pensei que ele ao menos sentiria orgulho de algo. - "Ele é um espelho d'água.". - Tudo passa, mas nada o toca.
Pelo que os relatórios de Lucas diziam, os decaídos estavam formando um exército massivo para atacar a última cidade. Teriam que defendê-la com tudo que tinham. Teria que correr contra o tempo e aprender com Revân sobre aquela monstruosidade que gerou. Os dias que se seguiam tornavam-se ainda mais incertos. "Acho que eu preciso focar nos guardiões à minha volta. Eles vão me enriquecer mais ". Faraday pensou para Kepler " Antes tarde do que nunca." Ele sorriu. "Ninguém fica para trás." 



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