? - Terra - Atreus, Lucas e Matheus-10 PT. 3

Ele correu por três dias e três noites inteiras. Claro, ele, Lucas e Matheus. Atreus não sabia que podia correr tanto sem se cansar. Era bom saber dos limites. Assim ele poderia superá-los. No segundo dia, os gritos dos decaídos cessaram — mas isso não queria dizer que pararam de segui-los. Como disse Lucas: “Apenas estão se preparando para algo.” Ele queria ao menos levar uma segunda notícia notória para o Sr Saladino, mas queria poder contar com seus amigos também.
Quando finalmente Lucas parou, ele estava um pouco ofegante com uma das mãos no joelho. Matheus sentou-se no chão e respirava profundamente.
— Estão comendo poeira... — foi tudo que Atreus conseguiu dizer antes de tudo escurecer.
Quando abriu os olhos, já era noite. Estava em outro lugar, deitado perto de uma fogueira. O ar cheirava a carne assada e madeira queimada. Ele se pôs sentado, sua cabeça girou.
- Fica aí. Eu vou pegar um espeto pra você - Quatro lebres estavam girando em galhos de árvores. - Você e Lucas morreram de inanição. 
- De que? - Lucas estava sentado já atacando uma outra lebre que já havia sido retirada do fogo. 
- Fome. - O Exo revirou os olhos. - Comam logo. Precisamos nos mexer, os decaídos vão ver essa fogueira de quilômetros de distância. 
As estrelas estavam bonitas. Saladino disse que, anterior à era dourada, a humanidade podia se guiar pelas estrelas. Atreus pensou em seu amigo Matheus. Ele veio das estrelas. Gostaria de aprender a se guiar entre elas. Descobrir outros planetas e outros pedaços de civilização. Outras pilhagens. Pela primeira vez pensou em um canto só dele, onde ele poderia levar todo o loot que pudesse e guardar.
- Vamos? - Lucas e Matheus estavam de pé. Matheus estendia uma mão para ele. 
Já havia terminado todas as lebres. Voltaram a correr, o mais rápido que suas pernas permitiam. Não se preocupavam em cobrir os rastros, os decaídos sabiam muito bem para onde eles estavam indo. Alguém iria ser culpado por eles terem escapado. Atreus riu com a ideia. Passaram pela clareira onde haviam visto Rezyl. No dia seguinte, chegaram ao no local onde Atreus havia contado a quantidade de decaídos.
Uma bala azul veio de noroeste. Atreus escorregou, sacou a sniper e mirou. Ele conseguia ver por de trás daquela porcaria de camuflagem. Um tiro, uma baixa.
- Onde? - Lucas sacou o canhão de mão e olhou em volta.
Tinha uma montanha a poucos metros deles e acabavam de chegar em um labirinto de arvores. Altas e cheias da primavera, elas formavam as novas arvores da era da treva, facilitando se esconder. Atreus conhecia o local, estavam a um dia da cidade se seguissem no ritmo que estavam. A senhora Perun estaria esperando o relatório dali a dois dias. O que será que aconteceria se não dessem o relatório no dia correto?
- Montanha e alguns por terra. - Matheus se escondeu atrás de uma das arvores. Estratégia Fabiana sacada. 
Parecia uma boa ideia até um dos tiros de sniper decaído atravessar a arvore e a cabeça dele. Uma pontada surgiu no coração de Atreus.
Lucas saltou e lançou sua granada de invisibilidade. Uma fumaça roxa apareceu no local. Balas foram disparadas e do meio da floresta saíram pouco mais de oito decaídos. Atreus não tinha juntado luz o bastante para lançar a flecha que Lucas havia ensinado a ele. Começou a atirar. Uma bala atravessou o peito do primeiro decaído. Os outros atrás se esconderam. Estavam a quinze metros do fantasma de Matheus, que vigiava todos os lados caso algum dos inimigos chegassem perto. Atreus faria sua cobertura.
Um tiro de sniper em sua direção. A armadura cedeu, o ombro direito ardia e Atreus sentiu cheiro de carne queimada. Não conseguiria atirar agora. Com o braço bom agrupou energia de vácuo e lançou dentre os decaídos. Dois perderam as pernas e gritaram em um uníssono enquanto sangravam no chão. Os outros ficaram confusos e descarregaram as armas ainda mais. Atreus teve apenas o tempo de se lançar para o lado, mas ainda levou duas balas na perna direita. 
- Aparece agora não Morpheus meu filho, Matheus foi de arrasta ali por muito menos. - "Nem passou pela minha cabeça. Desculpe pelo trocadinho". Atreus riu.
Ele tentou olhar para fora da cobertura um pouco. A tempo de ver Lucas surgir nas costas dos decaídos. Eles não perceberam. Descarregou todo o canhão de mão no grupo. Infelizmente para os que forma notando a morte fora rápida.
Matheus levantou-se e passava a mão no local onde a bala passou. Atreus lançou um joinha. Ele sorria. O Exo se levantou num pulo e correu na direção dele. O caçador só entendeu quando o sol foi encoberto.
-Ahnn...? - Ele olhou pra frente e era um dos capitães maiores que já viu. - Provável que você seja um arconte, né?
O decaído o agarrou pelo pescoço e puxou com força. A pressão aumentou, e o mundo começou a desaparecer. A dor no braço e nas pernas eram cortes superficiais comparado a pressão em sua cabeça e sentir os músculos distendendo e osso do pescoço quebrando. Já havia morrido algumas vezes, mas a sensação era sempre horrível. Algo acertou o grandão. Algo pesado.
- Não vai encostar mais um dedo no meu amigo. - Atreus conseguiu mover a cabeça para o lado e ver Matheus.
Ele estava imbuído em energia de vácuo. Seu corpo todo tinha uma camada roxa e em seu antebraço o prato que concentrava tantas vezes quando pensava no vazio do vácuo. Ele parecia um escudo agora. Devia ter doído para o grandão, pois ele se afastava enquanto o amigo o acertava cada vez mais. Morpheus apareceu e o curou. Sniper a postos. Ou será melhor...
- E se... - Atreus puxou um arco flecha imaginário e o vácuo apareceu em suas mãos. Ele abriu o espaço entre os dedos e três flechas apareceram ali. - Ma num é que foi.
A princípio admirou a energia em suas mãos. O arco e flecha em mãos era uma energia viva que seguia da sua mão para as pontas. Mirou no decaído gigante. Era como estar com uma sniper de três tiros simultâneos. Saltou três vezes e lançou. O grito foi satisfatório. A energia se agarrou a ele como a última vez que viu, tentáculos roxos, mas desta vez haviam três pontos de fixação. Matheus o acertou mais duas vezes e completou com uma ombrada, o escudo à frente dele. O som de metal se encontrando com carne, a criatura gritou ainda mais e retorcendo-se com algumas partes de seu corpo corroídas pelo vácuo, caiu para trás morta.
- Caralho... - Atreus virou-se com a sniper na cara de Lucas.
- Calma lá gatilho rápido, sou eu. Aprendeu a não atirar por reflexo?
- Acabou as balas. - Atreus carregou a sniper.
A armadura da cabeça de Lucas estava fixamente nele. Matheus voltou e parecia mais cansado do que quando correram. 
- Esse vácuo consome as energias, hein? - Ele estava com as duas mãos nos joelhos.
- Eu pensei em interferir, mas nem foi preciso. Parabéns pra vocês dois. - Lucas parecia orgulhoso. Parecia com o Sr. Saladino. - Agora vamos logo, Senhora Perun está aguardando nosso relatório. E este eu prefiro falar pessoalmente.
Atreus ficou um pouco chateado, talvez aqueles decaídos tivessem muito loot importante. Poderia deixar pra depois. Pensou na quantidade de decaídos que estavam logo mais na porta deles. Iria pilhar todos eles. Todos. Atreus sorriu. 

 






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