? - Terra - Matheus-10, Atreus e Lucas - PT. 1

Três dias longos pela estrada, floresta e mata densa. Nenhum sinal de decaídos. Matheus se imaginou na lua. Aquela ausência de sucateiros lhe fazia mal. Parecia um flashback do que aconteceu. Tentou pensar positivo. Não conseguiu. 
- Ei piá de metal, não vamos avançar tão rápido se ficar andando lento assim. - Lucas e Atreus sempre andavam na frente.
- Estou fazendo a cobertura. - Matheus não conseguia lembrar-se a vez que tirou a Estratégia Fabiana da mão. 
- Do que? - Lucas perguntou.
As sobrancelhas de aço juntaram-se.
- A cobertura, é do que? Morango? - Lucas tinha um ar zombeteiro.
- Ahn... Cobertura de morango você disse? - era apenas a cabeça e a mão de Atreus atravessadas em alguns galhos. 
-Não é nada Atreus - Matheus virou-se para Lucas - Você é besta é? - Deram umas boas risadas. Atreus não entendeu e seguiu em frente.
Ao menos o barulho da floresta, os galhos, os cheiros e a visão eram bem melhores que a lua. Na rocha flutuante não tinha noite ou dia. Chuva. A sensação do sol tocando sua pele de aço era diferente de quando estava lá. Matheus estava gostando daquilo. Esperava não ter que voltar pra lua tão cedo. Isso lhe fez lembrar de Razyl. Este pensamento ao menos conseguiu afastar bem rápido. 
Gostava de trabalhar tanto com Atreus quanto com Lucas, os dois eram como o sol e a chuva, totalmente diferentes, mas igualmente necessários. "E o que eu sou?" Talvez a noite. A lua não. Então uma estrada durante a caminhada. Lucas e Atreus observavam preocupados. Pegadas, muitas pegadas. Muitas.
- Ou eles começaram a dançar aqui... - Atreus disse entre uma risada e um olhar preocupado. 
- Que o Viajante te ouça. - Lucas não parava de olhar para o chão, com o indicador no queixo. - Eles foram pra lá - Apontou para outra parte mais densa da floresta.
- Por que? - Matheus disse.
- Isso foi uma tentativa vã de tirar-nos do caminho. Eles tentaram apagar os rastros e quase conseguiram, se não fosse um ou dois decaídos que ficaram pra trás. - Ele apontou para dois locais diferentes. - Responsáveis por apagar as pegadas que levavam para a floresta, esqueceram das próprias. 
- Má sorte pra eles, boa sorte pra nós. Devem ser novatos no campo de batalha. Eles devem ter notado aproximação com algo que tenham deixado no caminho pra trás. Não reparei, mas não sabemos toda a tecnologia que eles tem - Atreus disse. 
Então Matheus pode ver. Estava ali, assim como ele conseguia ler os movimentos dos inimigos. Ele arqueou levemente a cabeça. Lucas fez o mesmo. Atreus começou a seguir o caminho. Os sinais estavam claros: os galho quebrados, pegadas e rastros de animais mortos sem necessidade foram encontrados. Atreus e Lucas conversavam, não com palavras, mas com gestos e movimentos. Eles apontavam com a cabeça e cobriam terreno para esquerda e direita, analisando pistas e rastros. O inimigo parecia mais próximo a cada dia. A tensão não havia ido embora. Restava uma coisa que não havia sido externada: Quantos decaídos eram necessários para fazer aquela quantidade de pegadas? Um apenas não iria ficar rodando tanto para despistar. Ou iria?
Matheus estava com saudade de tecnologia, do som dos computadores, dos geradores improvisados sendo construídos aos poucos na cidade. Podia sentir um pouco da agonia dos decaídos, mas respeitar o espaço a sua volta estava em um dos seus princípios. Nem aqueles sucateiros tinham prezo pela vida a sua volta. "Que ódio é esse que eles sentem por nós?"
- Escondam-se - Atreus rolou para debaixo de um arbusto.
Matheus escorregou para debaixo de uma arvore. Lucas saltou duas vezes e se aninhou em alguns galhos. Uma nave decaída passou por eles. 
- Vermelho - Lucas sussurrou. - A casa dos demônios.
- O que? - Matheus estava próximo.
Todos reuniram-se e Lucas tinha um graveto. Ele desenhava no chão.
- Segundo o relatório de Senhora do ferro Perun, esta divisão dos decaídos chama-se Demônios - Ele retirou um pano da bolsa com um símbolo. Parecia com um crânio de um animal grande. - Agressivos e raivosos, a tática e atacar e ganhar na força bruta. Só podemos ganhar desses com uma força mais bruta ou estratégia pura. Acredite, passei meses do começo de minha vida lutando contra eles. Eu chamo as divisões de casas, pois é mais apropriado.
Matheus ouvia e assimilava as informações. 
- Muito legal esses paninhos que você tem. - Atreus disse. 
Lucas balançou a cabeça. Matheus não sabia se ria ou se ficava preocupado. Eles continuaram andando. Mais dois dias e então ouviram um alvoroço. Gritos. Decaídos. Matheus se arrepiou, afastou os pensamentos. O grupo correu e pouco mais de dez decaídos estavam juntos com um guardião que aparentava estar encurralado. Havia um decaído diferente dentre todos eles, grande e com equipamentos melhores.
- Aquilo é um capitão, vamos - Lucas sacou seu canhão de mão e atirou em um dos decaídos. A bala atravessou as costas onde seria o coração.
Os gritos de raiva eram nítidos. O capitão não desviou a atenção do Guardião a sua frente. Eles se enfrentavam. O guardião estava sem sua arma e o capitão tentava acerta-lo com a espada. 
A estratégia Fabiana começou a gritar as ordens para os decaídos enquanto Matheus puxava o gatinho. "Morram desgraçados". Duas rajadas controladas em dois dos menores. As balas voaram e Matheus escondeu-se atrás de uma arvore. Quando Matheus apontou a arma para fora da cobertura uma bala de sniper explodiu a cabeça de um dos inimigos. Atreus estava a ao menos cinquenta metros atrás dentre arvores e floresta e seu tiro foi perfeito.
Lucas desapareceu, mas um decaído gritou enquanto a garganta havia sido aberta por uma faca. E então outro com um corte da barriga ao peito e por fim uma cabeça foi presenteada com um único chifre de cabo de faca. O caçador apareceu de repente, como se nunca tivesse saído dali. 
O guardião gritou enquanto uma das espadas do capitão bateu em uma armadura resistente, mas não impenetrável. Os outros três decaídos avançaram. Um fluxo roxo apareceu nas mãos de Lucas e em seguida um arco e uma flecha. Ele preparou-se e lançou nos decaídos. Eles desviaram e riram do caçador, mas não por muito tempo. O ponto onde a "flecha" acertou ficou como uma mancha roxa no espaço que se enlaçou nos três como tentáculos roxos. Eles gritaram e se retorceram, parecia que estavam em aflição. Um tiro de sniper de Atreus acertou um, mas todos eles explodiram em várias manchas roxas. 
O Capitão estava no chão morto e o Guardião deu mais oito tiros no corpo dele. Matheus o conhecia. Infelizmente.
- Rezyl. - Matheus chegava perto a tempo de sentir o aroma da pólvora do canhão de mão do titã e o cheiro agridoce do sangue dos decaídos. 
- Ah... Guardião da Lua. Eu poderia ter dado conta deles.
- Morpheus, ressuscita todos eles. - Atreus Fez surgir seu fantasma que inspecionava cada corpo. 
- O que Atreus quis dizer - Matheus se apressou em dizer pois viu aquele capacete se direcionar para o amigo - é de nada.
O titã acenou com a cabeça e começou a seguir seu caminho. 
- O que faz por aqui? - Lucas recolhia a faca da cabeça do decaído.
- Reconhecimento. Estou dando trabalho pros decaídos assim como eles estão dando a nós.
- Alguma novidade? - Lucas dividia a atenção entre Rezyl e a limpeza da faca.
- Eu continuaria o caminho por noroeste se fosse vocês.
- Por que? - Atreus se intrometeu.
Rezyl virou-se e foi embora.
- O herói do povo o caralho. - Lucas chutou um decaído. 
- Vamos seguir o conselho dele? - Matheus estava olhando as costas do Guardião.
- Razyl é estressado, mas não é maldoso. Podemos não ter perdido o rastro, mas vale a pena investigar.
- O que foi aquilo nas suas mãos? - O exo estava deveras curioso.
- Energia de vácuo. - Como Matheus não esboçou expressão alguma, continuou - Caso não saiba, nossa velocidade, agilidade e ressuscitação não são as únicas habilidades que temos. Podemos modelar algumas energias ao nosso redor. 
- Como o vácuo. - Atreus estava cortando a capa do capitão da casa dos demônios - Vai ficar lindo lá em casa.
- Com treinamento você também consegue. Domino a energia solar e a de vácuo até o momento. Paulo, você conheceu ele na tenda, consegue dominar a eletricidade. Chamam de energia de Arco, falta de isolamento ocorre aquilo.
Matheus começou a imaginar as possibilidades que poderia ter. tanta coisa que poderiam fazer.
- Quatrocentos e vinte dois. - Atreus disse para seu pano dobrado.
- O que foi Atreus? - Lucas recarregou o canhão de mão e o guardou no coldre.
- Quatrocentos e vinte dois. - Atreus guardou seu pano.
- Isso eu entendi e antes que me responda, o que isso significa?
- A quantidade de decaídos que fizeram tudo aquilo... as pegadas - Atreus começou a seguir as coordenadas que Rezyl mencionou. - Eu estava contando dentro da minha cabeça.
Lucas e Matheus permaneceram parados por alguns instantes. Eles se olharam e respiraram fundo.
- Ele só não me assusta mais do que essa quantidade de decaídos. - Lucas andou.
Matheus se forçou a andar. Depois do momento tenso passar começou a pensar no tal do Vácuo. Aquele poder da flecha poderia vir a calhar para eles com aquela quantidade de inimigos. Não sabia nem se poderia com tudo aquilo. Recarregou a Estratégia Fabiana e então a voz de Fenrir veio em sua mente "Gostaria de ver esse poder do sol em ação também." Matheus sorriu, era o que queria também.  


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