? - Terra - Lucas, Atreus e Matheus-10 PT. 2
Não poderia deixar transparecer, mas estava preocupado. As pegadas aumentaram, as pistas triplicaram e o cheiro de morte era nítido. Encontraram mais duas patrulhas decaídas. Derrotaram nas facilmente, o que deixou Lucas pensativo foi o que ocorreu com um dos decaído.
- Ahn... ele disse alguma coisa, agora o quê... - Atreus deu de ombro. - Será que era uma piada de decaído?
Um dos decaídos quase mortos no chão começou a balbuciar algo, ele parecia muito orgulhoso e então riu da cara deles. Demorou um pouco para ser identificado como risada, pois estava entre tossidas de sangue decaído e dor, mas era uma risada. Atreus enfiou uma bala na cabeça dele, entrou pela boca e saiu pela parte superior do crânio.
- Ahnn... Estava me dando nos nervos - Atreus disse quando Lucas e Matheus o olhavam surpresos.
O relatório deveria ser entregue dali a seis dias. Eles deviam se apressar. A direção que Rezyl indicou estava mais do que certa. Restos de acampamentos desmembrados às pressas, mais pegadas, mais pistas e ainda mais indícios que cada dia mais decaídos se agrupavam. Atreus não disse mais nada sobre o número, talvez por não se preocupar com isso ou não prestar mais atenção à informação, embora tenha sido preciso da última vez. Lucas parou de falar sobre quantidade no segundo dia, quando pensou não ser possível a conta de mais de mil decaídos juntos.
A equipe andava mais quieta cada dia mais. Atreus e Matheus eram excelentes companheiros, eles lutavam com garra. Durante as fogueiras da noite deixaram de falar para observar e escutar. Lucas os apresentaria para Shaxx, até aquele guardião novo sendo treinado pelo Saladino. Vuvuzela talvez, algo parecido. A única conversa que tinham era sobre o poder do vácuo, treinando a cada dia.
- Você deve pensar no vácuo como algo por dentro do ar, das árvores, das paredes e coisas. Algo ausente e presente ao mesmo tempo. - Lucas dizia isso e com um protótipo de granada criado pelos engenheiros e guardiões da última cidade, concentrava o poder do vácuo ali dentro. - Como ele é invisível, ele pode assim me transformar.
Ele desapareceu, ainda mais profundamente que os decaídos. Alguns segundos depois, apareceu.
- Embora talvez não funcione da mesma forma pra você Matheus. Atreus e eu temos semelhanças, acredito que nós dois sejamos caçadores, assim se tornará mais fácil para ensiná-lo. Você precisa descobrir o que o vácuo faz para você.
"Meus parabéns, eles já te escutam e aprendem com você." Aurora disse a ele em pensamento. Embora Atreus observasse e não tivesse tanto interesse, Lucas sabia que ele estava aprendendo, apenas estava distraído com a luz da lua batendo na poça de óleo decaído e formando um arco-íris. Matheus conseguia juntar o vácuo em um tipo de prato de uns vinte centímetros de raio, mas nada mais que isso.
- 'Tô pegando o jeito. - Ele estava animado.
Ao menos isso servia para distrair do problema maior. Na metade do dia seguinte eles começaram a ouvir sons ao longe.
- Devemos subir por esta encosta - Era uma voz mecânica. Lucas nunca havia escutado Morpheus, o fantasma de Atreus. - Ir de frente com esses sons pode ser problemático.
Matheus escalava batendo na parede, abrindo frestas na pedra, embora gerasse barulho, os sons eram abafados pelo barulho além das montanhas. Lucas usou as facas laminadas com a energia do vácuo para não cegarem. Enquanto subia começou a ouvir mais barulhos. Máquinas se mexendo, o que parecia marcha, uma onda de gritos de triunfo e raiva. Ao menos vinte minutos subindo, Matheus acabou ficando para trás e Atreus fazia aquilo como se fosse outra das suas naturezas. Lucas era tão bom quanto, mas Atreus começou primeiro. Ao menos foi essa desculpa que ele usou para si mesmo.
Ele chegou pouco depois de Atreus e ao virar-se para o horizonte a visão foi acompanhada do comentário de Atreus.
- Eu não consigo atirar de sniper em todos eles. - Um mar de decaídos estava amontoado em um acampamento ainda maior que a última cidade deles. Muito maior.
Matheus chegou pouco depois com raiva e batendo na armadura para tirar a poeira vermelha da montanha. Ele levantou levemente a cabeça e embora o capacete não deixasse que suas expressões fossem vistas, seria a primeira vez que suas sobrancelhas de metal estariam mais altas possíveis.
- São milhares... - Matheus começou.
- São dezenas de milhares - Lucas tocou o ombro de Atreus. - Consegue contar?
- Desde que cheguei eu estou tentando... ahnn... se eles não se mexessem tanto. - Atreus apontava para o local, como se os cálculos estivessem todos lá. - Para ae decaído... Você eu já contei?... Cem mil e quatrocentos... não menos que cento e cinquenta mil. Cento e cinquenta mil e um? - E deu de ombros olhando para Lucas.
E estava chegando mais. Ao longe diversas naves decaídas e aquela nave gigantesca com o símbolo da casa demônios estampada nela, mas tinham mais símbolos. Havia uma linha reta de pelo menos 2 quilômetros de tanques aranha. As casas estavam se agrupando.
- Ahn... olha isso - Atreus passou a sniper para Lucas que olhou pela mira. - Próximo aquela cabana maior. - Apontou.
Um grupo de decaídos que Lucas nunca tinha visto antes, com detalhes da roupa na cor dourada, eles olhavam um holograma. Um holograma do Viajante e do acampamento da última cidade abaixo dele. Eles gesticulavam apontando um para o outro e para o holograma. Parecia aquela monstruosidade que Paulo e ele enfrentaram.
- Eles querem o Viajante. - Lucas devolveu a sniper para Atreus.
- Vamos voltar o mais rápido possível - Lucas disse, mas suas pernas não mexiam e seu olhar não desgrudava da multidão de decaídos lá embaixo.
Os gritos, as batidas de metal e as naves decolando e indo para direções diversas não assustava tanto eles, mas naquela proporção.
- Se juntar todo mundo acho que conseguimos atirar em alguns desses... - Atreus estava mirando com a sniper.
- Você acha? - Matheus mirou com a estratégia Fabiana - Eu gostaria de ter uma luneta na mira - Um pássaro passou pela mira de Matheus e o assustou. Puramente por reflexo puxou o gatilho. O barulho do tiro foi como um trovão no alto da montanha. O eco potencializou. A bala provavelmente acertou um decaído lá embaixo. - Shiiiiiii...
Tudo parou. O mundo então era só silêncio. Todos os olhos da multidão se voltavam para a montanha. Todo o eco cessou.
O mundo veio abaixo.
Urros e gritos eram escutados com ainda mais raiva.
Lucas puxou seus amigos pela armadura e os lançou junto com ele enquanto balas de tanque aranha destruíam a primeira parte da montanha e onde eles estavam poucos segundos antes. Ele não sabia a capacidade que poderiam correr em boas condições nem seu folego total na corrida, mas iria descobrir agora.
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