? - Terra - Matheus-10, Revân-9 e Atreus

O acampamento era gigantesco, o Viajante era belíssimo, ele parecia uma máquina de tamanho descomunal que aguardava ser explorada. Parou de ficar olhando pra cima, pois estava esbarrando nas pessoas. Matheus começou a gostar muito daquele lugar, depois da lua desolada encontrar com tantas outras pessoas, diferentes alturas, jeitos e modos. Pareciam várias e várias máquinas, cada uma com sua especialidade e especificidade. Guardiões. Sim. Guardiões. O que estava indo longe e que ele não gostava tanto era o interrogatório de Rezyl Azzir. Ele parecia desesperado para ir para lua, embora Revân tenha lhe contado todos os detalhes do que passaram lá. Duas vezes. Ou foram três?
- Vocês têm certeza de que nenhum dos dois imaginaram tudo isso? - Um titã, esse nome era apropriado, muito grande. Seu capacete tinha uma fissura no centro, trabalhado em metal maleável e fino, porém durável e resistente. A armadura de torço eram três camadas de aço sobrepostas, em seus trapézios tinham várias plumas que pareciam penas de pássaros. Seus ombros tinham ombreiras com pinos de aço afiados. Suas botas combinavam com seu torço com o mesmo metal. 
- Eu confirmo - Se Matheus tivesse dito mais do que dez palavras eram muito. Descobriu que não gostava de quem fala de mais, especialmente agora. A sua expressão não era convidativa, por isso Rezyl deixava para perguntar a Revân.
Matheus viu o capacete virar-se para ele. Ele permanecia de pé, impassível e embora tenham lhe pedido diversas vezes para sentar-se, estava encostado em uma das pilastras da tenda. Revân passou de respostas complexas e completas para "Sim e não". Matheus já percebera que a paciência do amigo também chegou ao fim. 
- Nada mais? - Rezyl estava sentado na ponta do banco improvisado. Um dos seus pés batiam no chão freneticamente.
-Tenha calma Rezyl. - Quem falava em uma das cadeiras mais trabalhadas da tenda era uma figura enigmática, carregava um peso na voz que só a idade poderia trazer, embora fosse um guardião também. 
O Porta voz. Aquele que fala pelo Viajante. Como era o que ele dizia? Devoção inspira bravura, a bravura inspira sacrifício e o sacrifício leva a morte. Isso era um lema deveras bom para os Guardiões. Tinha um manto que lhe cobria dos pés a cabeça, apenas revelando seus braços e sua face. Na verdade, sua máscara. A máscara tinha apenas três cortes que se cruzavam no centro dela, pequenos e bem feitos. 
- Estão prestando atenção? - Rezyl estava quase saindo da cadeira.
- Por favor Rezyl, os deixe descansar - disse o Porta Voz, Matheus e Revân sentiram uma tensão no ar. Antes encostado na pilastra, Matheus se endireitou - Eles devem estar cansados da viagem até aqui.
Rezyl levantou-se e fez um aceno de cabeça. Saiu da cabana. 
- Eu nunca o vi desta forma, a lua tem assombrado ele há muito tempo, vocês confirmaram suas suspeitas - O porta voz tinha uma voz leve e acolhedora. - Me desculpem pela atitude de Rezyl.
- Obrigado por interrompê-lo, eu já estava para mandar ele... - Revân repensou as palavras por alguns instantes, a presença daquele emissário do viajante o inspirava a ser mais respeitoso - fazer uma coisa que ele não gostaria. 
- O que vocês viram é preocupante, mas por hora descansem, logo teremos trabalho a fazer. - Ele virou-se para a mesa onde havia um livro antigo.
Matheus e Revân saíram e contemplaram todas aquelas pessoas.
- Ahn... Olá - Atreus estava mordendo uma coxa de coelho. 
- Olá - Matheus sorriu e acenou com a cabeça, Revân fez o mesmo com um leve sorriso no rosto. 
- Venham comigo, eu vou mostrar onde eu fico. - Atreus andou sem mesmo olhar pra trás pra saber se Matheus e Revân o seguia.
Os Exos seguiram ele de qualquer forma. Olhos amuados, cabeças baixas e roupas puídas. Cabanas improvisadas, racionamento de suprimentos. O chão de lama. Matheus observava tudo num misto de tristeza e alegria. Eles estavam vivos. Sobrevivendo invés de vivendo, mas ainda assim vivos. "Acho que já temos muito trabalho para fazermos". Ao longe guardiões ajudavam a construir locais mais apropriados. 
- Eu não gostei dele. - Matheus disse.
- Fala muito - Revân respondeu.
Eles começaram a se afastar do acampamento. 
- Atreus? - Revân chamou - Pra onde vamos?
- Eu disse, pra onde eu fico. - Ele já havia terminado a coxa de coelho e mordiscava outra coisa.
- Mas estamos indo muito longe do acampamento.
- É. - Atreus deu as costas e continuou andando.
Matheus seguiu, colocou a mão no ombro de Revân fez um leve impulso pra frente. Eles seguiram por alguns minutos a mais sem trocar nenhuma palavra, o interrogatório tinha sido extenuante. Então dentre as arvores eles encontraram Atreus. Ele estava na frente de um baú, agachado, mexendo em algumas coisas. Uma clareira natural, as arvores escondiam muito bem aquele local. No centro uma fogueira apagada. Próximo a esquerda entre duas arvores uma rede. Ao fundo do lado direito estava Atreus e seu baú, em volta, várias armas e espólios. 
- Você fica aqui? - Matheus olhou em volta e percebeu que estava muito limpo embora o chão fosse de terra.
- É meu palácio. - Atreus levantou-se - Pega.
Uma arma voou e Revân pegou.
- Que belezinha é essa? - O exo mirou nas arvores, sentiu o peso, puxou o cão e depois voltou ele no lugar.
- Parece uma mateba - Matheus disse. Ele observou de longe. O cabo de madeira, o metal da parte de cima da arma era prateado enquanto o cano, o tambor e gatilho eram pretos. No tambor havia um desenho nos espaços de fora onde ficaria a arma - Ela é linda. 
- Achei por aí. Parece a arma de Jaren. Pra você. - E lançou outra arma para Matheus. - Essa é sua. Me ajudaram a pegar o Senhor da Guerra, o Sr. Saladino ficou feliz e me deu parabéns. - Sem capacete, o sorriso dele brilhou junto com sua beleza.
Matheus segurou com as duas mãos o fuzil de assalto que Atreus lançou. Ele a segurou. A arma tinha um tom alaranjado de barro. Ela parecia uma Bullpup kalashnikov. Havia uma estrutura junto a ponta da arma, um escudo para o atirador. Mirou nas arvores assim como Revân e sentiu como se a conexão do servidor houvesse sido feita, como se as peças juntas fizessem o computador funcionar completo finalmente. O interrogatório estava longe agora. Então ele estava de pé em uma estrada de terra, uma moça andava em sua frente, seus cabelos negros iam até a cintura, eles voavam com o vento. 
- Fabiana - Matheus se pegou dizendo. Então ele estava de volta ao acampamento de Atreus.  
- Você deu nome pra arma? - Atreus perguntou - Eu nunca pensei nisso. Boa.
- Sim... - Revân começou a olhar pra arma em sua mão e guardou no coldre. Aparentemente enquanto Matheus estava longe ele encontrou dentre a pilhagem de Atreus - Essa aqui é a maldição dos meus inimigos. A primeira maldição. E a última. 
- Obrigado Atreus - Matheus sorriu, a felicidade o encontrou novamente.
Matheus e Revân começaram a sair da clareira. Matheus ainda estava com a arma em mãos.
- Ahn... vocês já vão? - Atreus estava parado no meio da clareira.
- Vamos sim, temos que resolver algumas... - Matheus olhou para Atreus, ele parecia triste.
- Vocês têm lugar pra ficar? 
- Não - Revân disse - vamos descobrir isso agora.
- Querem ficar aqui? - Ele apontou para tudo em volta.
- Você já fez muito por nós. Não sei como podemos retribuir. - Matheus apontava levantou um pouco a arma e a deixou abaixar.
- Podemos dividir a pilhagem - ele apontou para o baú e as coisas. Suas expressões foram de tristeza á alegria - Fiquem e retribuam na próxima missão, pode ser? 
Matheus e Revân sorriram.
- Claro. - Atreus sorriu de volta.







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