? - Terra - Atreus, Lucas e Matheus-10
A sala de reunião estava cheia, o que o enchia de medo sempre. Entendia o horizonte, quantos milímetros devia subir a arma para acertar a cabeça do alvo, isso com vento a favor, com vento contra um pouco para direita ou esquerda. Entendia a terra no chão, a lama pisada, os cheiros e sentidos da mata. Os restos de civilização que ficou para trás. Mas com pessoas era mais difícil. Lidar com muitas delas e muitos pensamentos era chato. Isso quando lembrava de prestar atenção no que estavam falando. Os líderes da bandeira estavam lá, Perun, Radegast, Jolder e o Saladino. E aquele esquisito do Felwinter.
As armas eram legais. Feitas pra atirar e acertar o alvo. Sempre perguntam como ele sempre acerta. A resposta era sempre a mesma "eu imagino a bala em um local e ela vai". Nunca agradava ninguém. A sniper que estava admirando por exemplo, era só mirar e atirar, simples. Ainda bem que encontrou pessoas que aprenderam a lidar com uma das únicas coisas que não sabia lidar depois das pessoas. Consigo mesmo. A ausência de algo não era o centro das atenções. "Atreus? Está ouvindo?" E ele se voltava para Matheus. "Eu falo de novo". Eles estavam ali. Seus amigos. Matheus e Revân. Seu esquadrão. Ele ouviu algo com seu nome, mas como não insistiram, achou melhor ignorar.
Ah, o senhor Radegast estava com as mãos levantadas, apontando para todos, Atreus achou melhor prestar atenção.
- ... estávamos contra os senhores da guerra e vamos ficar juntos contra os decaídos, que nenhum irmão fique para trás. - A voz dele era forte e vibrante, soava por todo seu corpo.
- Vamos. - Matheus pediu e seguia com outro caçador para fora da tenda.
- O que aconteceu? - A sniper que admirava colocou nas costas.
- Vamos sair em missão, aquele ali é o Lucas - Atreus viu finalmente o outro caçador. Ele já havia visto Lucas diversas vezes, porém não sabia seu nome. A armadura negra não o deixava chegar perto. Não era muito convidativa.
Lucas abriu um tipo de pergaminho dizendo o que procuravam e pra onde iam. Ele guardou em um dos bolsos e olhou para os dois.
- Temos uns vinte dias, há uma movimentação estranha de decaídos e a senhora Perun quer que entendemos o que está acontecendo. - Atreus pensava em quantos metros conseguiria acertar a cabeça de um decaído.
- E os Senhores da Guerra? - Atreus piscou.
- Por hora, fizeram um cessar fogo com os Senhores do Ferro. Felwinter é inteligente e conseguiu Shaxx para nós. O problema agora são os decaídos.
- Quando vamos? - Matheus não demonstrava emoção na voz.
- Se estiverem prontos, agora. Aurora - A fantasma de Lucas apareceu, ela tinha detalhes bonitos. - Calcula o tempo por favor.
- Com as previsões atuais, devemos estar próximo ao objetivo em oito dias.
- Isso é bom - Matheus disse.
- Lembra que é previsão, não precisão. - Atreus soltou, lembrava de ouvir de Senhor Saladino. - Devemos confiar em nosso progresso.
- Vamos então? - Lucas deu meia volta nos pés e começou a andar.
Matheus se pois a andar e Atreus foi atrás. Olhou para a esquerda a tempo de ver Revân seguindo com mais um titã e arcano. O céu estava sem nuvens e sua cor era azul real. Seria um dia ótimo para começar a atirar. Estavam saindo do perímetro da cidade. Seria sua primeira missão com outros guardiões, ninguém gostava de trabalhar com ele, a missão parecia pífia quando havia mais coisas para ver no caminho. Mas trazer o senhor da guerra com a ajuda de Matheus e Revân aumentou seu status entre os guardiões.
- Então você veio da lua?
Matheus tinha acabado de pular por uma raiz enorme de arvore.
- Sim.
- Muito bom saber que poderemos, quem sabe um dia, viajar pelo universo atrás de outros segredos da humanidade.
- Só volto quando tiver reforços - O rosto de Matheus estava coberto, mas sua voz denunciava um sorriso.
- Parabéns pela última missão Atreus - Lucas disse.
- Ahn... obrigado. - Atreus não sabe por quê foi elogiado, pensou que Lucas nem estava ligando para sua presença ali, estava mais ligado na movimentação de pássaros para o sul. Tinha visto muitos outros fazerem o mesmo.
Alguns metros em silêncio, arvores e grama, mata e construções destruídas, Atreus olhou para baixo e parou. Agachou-se e uma pegada de Matheus provável, mas a outra pegada que marcava um X no chão era mais preocupante.
- Atreus, o que está vendo? - Matheus voltou e notou a mesma coisa enquanto Lucas se juntava a eles.
Um pé quase o dobro do tamanho do pé do titã.
- Tão próximos do acampamento. - Lucas disse olhando em volta.
- Próximo. - Atreus não queria corrigir, ele nem havia ouvido o que Lucas tinha dito, mas o pensamento chegou em sua boca. - Reconhecimento. Estava sozinho, camuflado. Um ou dois dias no máximo.
- Como você...? - Matheus não o viu dar mais do que duas olhadas em volta.
- Teriam mais pegadas se fossem muitos, área aberta e ninguém viu? E ela está seca, de mais e ontem não choveu e o sol está mais forte agora.
- Eu acho que precisamos fazer essa caminhada em seis dias. - Matheus olhou para Lucas.
- Cinco dias então. - Deu meia volta e continuou a andar.
- Ahn? - Atreus levantou-se e olhava em volta, deixou aquele ar absorto em coisas e se transformou no velho e bom distraído.
- Apenas vamos Atreus, precisamos apanhar os sucateiros. - Matheus bateu o punho na palma da mão.
Atreus tinha visto um trevo de três folhas no chão, só então viu a pegada, o restante era só dedução básica, não tinha tanto alarme pra isso. Assim ao menos ele pensava. Colocou o trevo no peito e foi atrás dos dois guardiões, mais atencioso as formações em volta.
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