? - Lua - Revân-9 e Matheus 10
— Você
pode...? — Matheus-10 estendeu a mão.
— Fenda. — Revân estendeu a chave enquanto lia.
Um chassi estava sendo montado com base na nave dos decaídos. Não sabiam quanto tempo passava, mas que dormir havia sido uma necessidade existente. Felizmente atendida. Os turnos de guarda não eram muito preocupantes, os decaídos tinham desaparecido de vez. Algo bom pra eles, algo provável ruim para Terra, mas não podiam baixar a guarda.
— Eu olho para lá e imagino os problemas que estão enfrentando. — Disse Revân. Os fantasmas dos dois reerguidos estavam flutuando em volta do chassi, eles projetavam um raio de luz que era usado como solda.
— É — Matheus saia debaixo da estrutura que agora parecia bem firme.
— Precisamos do metal da nave dos decaídos, cobrir esses espaços, para a entrada na terra não nos incinerar.
— Precisamos é de um motor de órbita. — Disse Fenrir. — Se não, nós não saímos nem da lua.
Um silêncio se instaurou.
— Ele é assim, sempre muito empolgado? — Revân olhou para Matheus, que deu de ombro, parecia pensar o mesmo — Eu vou encontrar.
—Vai ali na feira? — Matheus sorriu.
— Oh seu filho da puta, — Revân riu — eu vou procurar, não é possível que nenhuma dessas estruturas antigas aqui não tenha nada relacionado a naves.
— Vou com você. — Matheus pegou o chassi e o carregou como se fosse nada, já tinha descoberto sua força. Colocou o mais próximo da linha do arqueiro e jogou uma lona roxa por cima dela. — Espero que os sucateiros não entendam como um presente.
— Falta o laço — Disse Kisuke.
Seguindo pelo lado direito da estrutura da Linha do arqueiro, Revân e Matheus andavam lado a lado, fuzis de rajada em mãos por mais poeira lunar. O silêncio não era uma constância entre os dois, mas durante reconhecimento entendiam que era hora de esperar o melhor e se preparar para o pior.
— Fenda. — Revân estendeu a chave enquanto lia.
Um chassi estava sendo montado com base na nave dos decaídos. Não sabiam quanto tempo passava, mas que dormir havia sido uma necessidade existente. Felizmente atendida. Os turnos de guarda não eram muito preocupantes, os decaídos tinham desaparecido de vez. Algo bom pra eles, algo provável ruim para Terra, mas não podiam baixar a guarda.
— Eu olho para lá e imagino os problemas que estão enfrentando. — Disse Revân. Os fantasmas dos dois reerguidos estavam flutuando em volta do chassi, eles projetavam um raio de luz que era usado como solda.
— É — Matheus saia debaixo da estrutura que agora parecia bem firme.
— Precisamos do metal da nave dos decaídos, cobrir esses espaços, para a entrada na terra não nos incinerar.
— Precisamos é de um motor de órbita. — Disse Fenrir. — Se não, nós não saímos nem da lua.
Um silêncio se instaurou.
— Ele é assim, sempre muito empolgado? — Revân olhou para Matheus, que deu de ombro, parecia pensar o mesmo — Eu vou encontrar.
—Vai ali na feira? — Matheus sorriu.
— Oh seu filho da puta, — Revân riu — eu vou procurar, não é possível que nenhuma dessas estruturas antigas aqui não tenha nada relacionado a naves.
— Vou com você. — Matheus pegou o chassi e o carregou como se fosse nada, já tinha descoberto sua força. Colocou o mais próximo da linha do arqueiro e jogou uma lona roxa por cima dela. — Espero que os sucateiros não entendam como um presente.
— Falta o laço — Disse Kisuke.
Seguindo pelo lado direito da estrutura da Linha do arqueiro, Revân e Matheus andavam lado a lado, fuzis de rajada em mãos por mais poeira lunar. O silêncio não era uma constância entre os dois, mas durante reconhecimento entendiam que era hora de esperar o melhor e se preparar para o pior.
Chegaram a uma área extremamente grande,
com algumas estruturas tecnológicas da colonização. Cada vez mais para o centro
da área a cratera aumentava. O arquiteto foi inteligente em concentrar as
estruturas fora daqueles locais.
— Isso aqui deve ter milhares de quilômetros. Podemos começar ali pela esquerda. — Apontou Revân. Matheus acenou com a cabeça.
A área se desdobrava com suas elevações e depressões enormes. Com todo aquele chão branco em contraste com o céu negro estrelado, Revân imaginava o quão lindo poderia ser passar com uma nave tão próxima dessas estruturas a toda a velocidade. Caminhando sem presa, as construções estavam ao lado deles.
O local era composto de alguns prédios de pesquisa, Matheus e Revân se dividiram, inspecionando tudo, não deixando pedra sobre pedra. "Sem sinal dos decaídos". Revân chegou a um último prédio, não estava vendo Matheus. Aguardou dez minutos. Nada.
— Kisuke — O fantasma apareceu ao seu lado. — Varredura.
Um sonar foi ativado de dentro do fantasma. Kisuke começou a girar lentamente. Quando deu a volta completa em si mesmo, voltou-se para Revân.
— Sem movimentação... — Ele pareceu notar algo então. — Espera, agora, neste último prédio, senti uma vibração. Passos.
O Exo foi até a estrutura e entrou. Foi recebido por um corredor extenso que parecia ser mais do mesmo, porém ele acabava quando um buraco no chão se revelava, dois metros para baixo. Havia sido escavado.
— Alguém andou ocupado — Kisuke analisava. — Cavou... de dentro... pra fora? — Revân reparou em cortes profundos. "A faca dos decaídos para cortar essas paredes?" Os cortes eram profundos, teria cegado as lâminas.
Ele seguiu. Alguns passos depois o solo lunar acabou e em seu lugar surgiu uma cratera enorme. Dois metros para outra parede e mais um pouco de solo lunar. Revân voltou um pouco, pegou impulso e pulou. "Onde você está Matheus". Ele não ousaria gritar, além da lua poderia haver algo que não fosse lua. Pulou para mais três a quatro metros em uma plataforma de metal improvisada. "Isso é deles". Outro pulo e mais solo lunar. Mais a frente uma leve queda e tecnologia colonizadora.
—Isso tudo aqui foi escavado. A lua não tem essa formação. — Revân declarou antes dos tiros.
Ele começou a correr. Matheus estava de joelhos atirando. Revân se postou de pé e mirou. Os dois Exos estavam em terreno alto, havia uma ponta de nave depenada a frente. "Bingo". Alguns metros abaixo, os decaídos haviam se agrupado.
— Obrigado por ter me chamado — Disse Revân.
— Você estava demorando — duas rajadas e uma cabeça de decaído. Tiros azuis voaram e os dois esconderam-se.
Revân correu ignorando o comentário de Matheus, se escondeu em uma grande pedra a direita do caminho, ganhando visão de dois decaídos que estavam preparando-se para atacar. O primeiro se surpreendeu com as duas rajadas no peito, o sniper de traz se escondeu. Matheus correu pra cima de três, derrubando o primeiro com uma ombrada e alvejando os outros dois.
Revân viu o sniper mirando nas costas do amigo, correu e segurou a arma. O inimigo o olhou como se o que tivesse feito fosse uma afronta, uma desonra. O Exo tinha o indicador balançando de um lado para o outro na frente do rosto do decaído. A mão se dobrou em um punho, que se chocou tão forte contra a cabeça do decaído que Revân ouviu um estralo alto e forte. Deu um tiro na cabeça apenas por garantia. Ele observou a arma em suas mãos e a empunhou. De uma passagem que seguia para direita, sobre uma passarela de metal estavam chegando duas máquinas voadoras, com certeza tecnologia decaída. "Eles estão carregando bombas" Kisuke não se manifestou, mas avisou mentalmente.
— Matheus — gritou.
O exo finalizou outro decaído que estava próximo, pegou seu corpo e o laçou contra as máquinas. A explosão não era de grande porte, mas era o bastante para ferir e até matar quem estava próximo. Consequentemente a bomba de trás também explodiu.
Quando tudo era silêncio e os inimigos finalmente tinham parado de vir, Revân mirou com a arma do decaído e sentiu a leveza na estrutura e o gatilho rápido que ela tinha. Matheus observava a pilhagem dos inimigos com curiosidade, "ele nem deve ter notado que foi sozinho", só sentia cheiro de tecnologia.
— Parece que encontramos. — Disse Revân animado.
— Eu encontrei. — Matheus soltou um risinho.
— Não 'to te entendendo bacana legal não viu meu parceiro. Eu apontei o lado.
— Independente irmão.
Eles riram juntos e seguiram pela passarela de metal. Uma nave estava sem funcionamento, sendo usada de abrigo dos decaídos. Alguns passos mais a frente mais chão lunar escavado. Das fissuras do chão era como se algo estivesse soltando fumaça dos quilômetros abaixo, uma nevoa negra e verde era tênue, mas presente. Círculos enormes de metal e circuitos, partes de foguetes, estavam no meio do caminho.
— Pra onde foram os decaídos? — Revân disse.
Matheus continuou seguindo. Ele passou por um veículo guincho, ele estava afundado na terra, empoeirado e provavelmente quebrado. Mais à frente uma parte enorme de foguete estava sendo usada como casa por alguns dos inimigos.
O terreno começava a se elevar, mas então se dividia por mais um abismo. A áurea neste local era bem mais nítida, quase tangível.
— Tem algo errado. — Matheus disse.
Foi a vez de Revân apenas acenar com a cabeça. O brilho intenso fazia refletir em seu capacete, de dourado estava verde esmeralda. Matheus estava verde limão.
— Antes de chegar — continuou Matheus — os decaídos não notaram minha presença.
— Até começar o tiroteio.
— Eles... — Matheus parecia querer encontras as palavras — estavam com medo. Fugiam.
— Tem alguma coisa errada com esse lugar — Fenrir se materializou, trazia pesar na voz.
— Os sucateiros vivem de tecnologia... como deixariam tudo isso para trás? — Matheus olhou para o outro lado do abismo, quatro a cinco metros de distância, mais acima, um caminho para outro local. Ele correu e pulou, era como se flutuasse.
— Descobri que posso fazer isso. — Ele parecia totalmente outro agora, o Matheus alegre e distraído. — Vê se consegue também.
Revân correu e pulou, ele fez o mesmo que Matheus, mas a trajetória foi mais elevada. "Será que é por causa da lua? Não, era a luz. Ela afetava a forma de correr, da força e da manipulação de tudo a sua volta". Olhou para o teto e começou a analisá-lo. Não era igual as escavações feitas pelos colonizadores, era algo mais grosseiro, sem cuidado. "Os robôs dos decaídos podem fazer isso, não é? Aqueles suicidas que vimos mais cedo".
Sentiu algo em seu ombro. Virou-se rápido e viu Matheus subiu o indicador e colocar na frente de onde seriam os próprios lábios por cima do capacete. Acenou para que Revân o seguisse. Ele subiu calmamente pela elevação. O caminho seguia mais uma vez para direita, um pouco mais de tecnologia das naves, a parede a esquerda tinha o símbolo japonês. Uma bela estrutura de metal construída a frente com uma pequena passarela para subir invés de degraus. Aquele deveria ser o local de mais aproveitamento durante a formação, o teto e todo local estava construído e revestido pelas estruturas de aço, algumas cores em laranja e outras em branco. Ele subiu a plataforma e nela duas pequenas passarelas subindo para esquerda, localizadas nas duas pontas. Dentre as duas passarelas um guarda corpo protegido por baixo também.
— O qu... — a voz de Revân morreu na garganta quando ele avistou.
Todo o solo foi revestido com um chão mais apropriado, sem passarelas ou grades reforçadas. Ao lado esquerdo uma sala com computadores. Uma sala ao fundo e a direita estava aberta, possivelmente daria pra ver de onde os dois Exos vieram. O teto não era tão alto, mas o bastante para transitar. Mais dois pilares para sustentar tudo aquilo.
No centro de todo aquele local, envolta de uma áurea negra e avermelhada, algo flutuava. Sussurros podiam ser escutados, um tipo de cantiga ou uma música. A frente daquilo um círculo de cor verde florescente da mesma cor da áurea dos buracos, mas não se dava para ver os símbolos aquela distância.
"Issoouviuostirosissoouviuostirosissoouviuostirosissoouviuostirosisso... " à mente de Revân estava em desespero.
“A treva” Kisuke e Fenrir disseram, ao mesmo tempo na mente dos dois exos. Revân não se movia, com medo de alertar aquela criatura.
— Com licença, pode nos
ajudar? — Matheus gritou apontando o fuzil de rajada.
Não pôde acreditar que uma piada do amigo fosse quebrar seu choque.
O círculo verde desapareceu. Nenhum pensamento passava pela mente. A áurea negra sumiu e a silhueta escura virou-se para os dois reerguidos.
Não possuía olhos, mas tinha dentes em um sorriso monstruoso sem lábios. O capacete ou a cabeça era longa horizontalmente, em um "V" bem aberto. Braços esqueléticos e o corpo subdividido em pedaços ósseos numa mistura de roupa de carne e pele. Ela acabava em um véu de breu e seus pés não eram visíveis, se é que havia pés. Nas costas uma capa. Ou seriam asas?
Sua movimentação do ar era como se ela fosse uma mola, sobrevoando o chão com os dedos entrelaçados.
— Falei com você. — Matheus deu um passo à frente
— Porra Matheus, cala a boca! — Revân ia tentar segurar o colega pois sentiu algo maligno vindo.
Matheus soltou um grito seco e um véu negro cobria seu corpo inteiro e mais. Se Revân tivesse dado um passo em sua direção teria ficado preso junto. Ele não se movia.
Então o grito.
Agudo, alto e angustiante. Os tímpanos dos Exos doeram, Matheus tinha uma mão tentando se movimentar para seus próprios ouvidos. Aquela coisa abriu os dedos e direcionou para eles. Uma chuva de energia que parecia balas os acertou. Revân conseguiu fugir, Matheus permanecia preso, levou todas as rajadas. Seu corpo inerte caiu sem os dois braços e pedaço da cabeça.
Pior que o grito, a morte do amigo fez o rosto do exo se contorcer. Não pôde olhar por muito tempo.
Fenrir flutuou para longe tentando agrupar a luz. A criatura virou-se para Revân.
Ele levantou a arma dos decaídos e puxou o gatilho. Um estampido depois o tiro. Uma bala azul bateu no peito da criatura e ela recuou um pouco com a mãos na frente do rosto, mas não parecia ter sido ferida, pois a áurea vermelha se manifestou logo que a bala acertou.
— Mas aí não vale — Soltou Revân sem querer.
As mãos voltaram a se projetar para frente, Revân sabia que era hora de correr. Escorregando pelo chão, foi para trás do pilar, o véu negro apareceu logo atrás. Colocando metade do corpo pra fora mirou mais uma vez. Mais um grito e a bala acertou o que seria a cintura da criatura. Mais uma enxurrada de balas azuis voadoras. "Ela faz aquilo com as mãos" Kisuke estava mais impressionado do que com medo.
Matheus levantou estralando o pescoço e movimentando os braços.
— Minha vez — O fuzil de rajada foi descarregado em todo corpo da criatura.
Mais balas voadoras projetadas pelas mãos daquilo, Matheus se jogou pelo guarda corpo e recarregou a arma.
— Não esquece de mim — Uma bala certeira no rosto dela, mas a áurea vermelha permanecia ali.
O véu negro pegou Revân em cheio. Era como se várias facas estivessem cortando sua pele de metal diversas vezes e a pele costurasse novamente logo em seguida para ser cortada novamente. Os músculos não respondiam e a mente era um turbilhão de dor. Então num movimento rápido a criatura estava em sua frente apontando seus longos dedos com garras. "Ela escavou. Ela já estava aqui. E foi dela que os decaídos estavam fugindo."
A energia azul estava se formando quando a criatura foi projetada para uma área que Revân não pode mais ver, mas um corpo ficou no lugar. Matheus lhe aplicou uma ombrada. O campo energético vermelho havia sumido. O véu negro sumiu em seguida e os dois miraram juntos. A criatura gritou ainda mais forte, o mundo era agonia e dor.
— Cala boca, porra! — Revân e Matheus alvejaram o inimigo. E quando as balas acabaram, Matheus jogou a arma contra a criatura e Revân trocou a arma para dos decaídos, terminando os projeteis que tinha nela.
O corpo da monstruosidade desintegrou-se sobrando apenas a parte em V da cabeça. Revân caiu de joelhos respirando fundo. Matheus ajoelhou-se ao seu lado e estendeu a mão. O exo a pegou e levantou-se.
— Eu 'to bem. — Guardou a arma nas costas.
— Eu sei — Matheus seguiu, pegou sua arma e a recarregou.
Seguiram para a sala ao lado deles. Revân o seguiu. Kisuke projetou-se e flutuou, analisando os computadores. Um laser ia em direção aos teclados.
— Frequência 5481.
Fenrir se projetou e andou pela sala inspecionando-a. Como a camuflagem uma vez vista pelos decaídos, algo apareceu.
— O motor de órbita. — Matheus disse.
— 'Tá feliz agora Fenrir? — Revân tentava recuperar o humor.
— Sim. — Todos se olharam. A risada espalhou-se um pouco, mas não durou tanto.
— Vamos embora desse lugar. — Matheus pegou a máquina com as duas mãos.
— Isso aqui deve ter milhares de quilômetros. Podemos começar ali pela esquerda. — Apontou Revân. Matheus acenou com a cabeça.
A área se desdobrava com suas elevações e depressões enormes. Com todo aquele chão branco em contraste com o céu negro estrelado, Revân imaginava o quão lindo poderia ser passar com uma nave tão próxima dessas estruturas a toda a velocidade. Caminhando sem presa, as construções estavam ao lado deles.
O local era composto de alguns prédios de pesquisa, Matheus e Revân se dividiram, inspecionando tudo, não deixando pedra sobre pedra. "Sem sinal dos decaídos". Revân chegou a um último prédio, não estava vendo Matheus. Aguardou dez minutos. Nada.
— Kisuke — O fantasma apareceu ao seu lado. — Varredura.
Um sonar foi ativado de dentro do fantasma. Kisuke começou a girar lentamente. Quando deu a volta completa em si mesmo, voltou-se para Revân.
— Sem movimentação... — Ele pareceu notar algo então. — Espera, agora, neste último prédio, senti uma vibração. Passos.
O Exo foi até a estrutura e entrou. Foi recebido por um corredor extenso que parecia ser mais do mesmo, porém ele acabava quando um buraco no chão se revelava, dois metros para baixo. Havia sido escavado.
— Alguém andou ocupado — Kisuke analisava. — Cavou... de dentro... pra fora? — Revân reparou em cortes profundos. "A faca dos decaídos para cortar essas paredes?" Os cortes eram profundos, teria cegado as lâminas.
Ele seguiu. Alguns passos depois o solo lunar acabou e em seu lugar surgiu uma cratera enorme. Dois metros para outra parede e mais um pouco de solo lunar. Revân voltou um pouco, pegou impulso e pulou. "Onde você está Matheus". Ele não ousaria gritar, além da lua poderia haver algo que não fosse lua. Pulou para mais três a quatro metros em uma plataforma de metal improvisada. "Isso é deles". Outro pulo e mais solo lunar. Mais a frente uma leve queda e tecnologia colonizadora.
—Isso tudo aqui foi escavado. A lua não tem essa formação. — Revân declarou antes dos tiros.
Ele começou a correr. Matheus estava de joelhos atirando. Revân se postou de pé e mirou. Os dois Exos estavam em terreno alto, havia uma ponta de nave depenada a frente. "Bingo". Alguns metros abaixo, os decaídos haviam se agrupado.
— Obrigado por ter me chamado — Disse Revân.
— Você estava demorando — duas rajadas e uma cabeça de decaído. Tiros azuis voaram e os dois esconderam-se.
Revân correu ignorando o comentário de Matheus, se escondeu em uma grande pedra a direita do caminho, ganhando visão de dois decaídos que estavam preparando-se para atacar. O primeiro se surpreendeu com as duas rajadas no peito, o sniper de traz se escondeu. Matheus correu pra cima de três, derrubando o primeiro com uma ombrada e alvejando os outros dois.
Revân viu o sniper mirando nas costas do amigo, correu e segurou a arma. O inimigo o olhou como se o que tivesse feito fosse uma afronta, uma desonra. O Exo tinha o indicador balançando de um lado para o outro na frente do rosto do decaído. A mão se dobrou em um punho, que se chocou tão forte contra a cabeça do decaído que Revân ouviu um estralo alto e forte. Deu um tiro na cabeça apenas por garantia. Ele observou a arma em suas mãos e a empunhou. De uma passagem que seguia para direita, sobre uma passarela de metal estavam chegando duas máquinas voadoras, com certeza tecnologia decaída. "Eles estão carregando bombas" Kisuke não se manifestou, mas avisou mentalmente.
— Matheus — gritou.
O exo finalizou outro decaído que estava próximo, pegou seu corpo e o laçou contra as máquinas. A explosão não era de grande porte, mas era o bastante para ferir e até matar quem estava próximo. Consequentemente a bomba de trás também explodiu.
Quando tudo era silêncio e os inimigos finalmente tinham parado de vir, Revân mirou com a arma do decaído e sentiu a leveza na estrutura e o gatilho rápido que ela tinha. Matheus observava a pilhagem dos inimigos com curiosidade, "ele nem deve ter notado que foi sozinho", só sentia cheiro de tecnologia.
— Parece que encontramos. — Disse Revân animado.
— Eu encontrei. — Matheus soltou um risinho.
— Não 'to te entendendo bacana legal não viu meu parceiro. Eu apontei o lado.
— Independente irmão.
Eles riram juntos e seguiram pela passarela de metal. Uma nave estava sem funcionamento, sendo usada de abrigo dos decaídos. Alguns passos mais a frente mais chão lunar escavado. Das fissuras do chão era como se algo estivesse soltando fumaça dos quilômetros abaixo, uma nevoa negra e verde era tênue, mas presente. Círculos enormes de metal e circuitos, partes de foguetes, estavam no meio do caminho.
— Pra onde foram os decaídos? — Revân disse.
Matheus continuou seguindo. Ele passou por um veículo guincho, ele estava afundado na terra, empoeirado e provavelmente quebrado. Mais à frente uma parte enorme de foguete estava sendo usada como casa por alguns dos inimigos.
O terreno começava a se elevar, mas então se dividia por mais um abismo. A áurea neste local era bem mais nítida, quase tangível.
— Tem algo errado. — Matheus disse.
Foi a vez de Revân apenas acenar com a cabeça. O brilho intenso fazia refletir em seu capacete, de dourado estava verde esmeralda. Matheus estava verde limão.
— Antes de chegar — continuou Matheus — os decaídos não notaram minha presença.
— Até começar o tiroteio.
— Eles... — Matheus parecia querer encontras as palavras — estavam com medo. Fugiam.
— Tem alguma coisa errada com esse lugar — Fenrir se materializou, trazia pesar na voz.
— Os sucateiros vivem de tecnologia... como deixariam tudo isso para trás? — Matheus olhou para o outro lado do abismo, quatro a cinco metros de distância, mais acima, um caminho para outro local. Ele correu e pulou, era como se flutuasse.
— Descobri que posso fazer isso. — Ele parecia totalmente outro agora, o Matheus alegre e distraído. — Vê se consegue também.
Revân correu e pulou, ele fez o mesmo que Matheus, mas a trajetória foi mais elevada. "Será que é por causa da lua? Não, era a luz. Ela afetava a forma de correr, da força e da manipulação de tudo a sua volta". Olhou para o teto e começou a analisá-lo. Não era igual as escavações feitas pelos colonizadores, era algo mais grosseiro, sem cuidado. "Os robôs dos decaídos podem fazer isso, não é? Aqueles suicidas que vimos mais cedo".
Sentiu algo em seu ombro. Virou-se rápido e viu Matheus subiu o indicador e colocar na frente de onde seriam os próprios lábios por cima do capacete. Acenou para que Revân o seguisse. Ele subiu calmamente pela elevação. O caminho seguia mais uma vez para direita, um pouco mais de tecnologia das naves, a parede a esquerda tinha o símbolo japonês. Uma bela estrutura de metal construída a frente com uma pequena passarela para subir invés de degraus. Aquele deveria ser o local de mais aproveitamento durante a formação, o teto e todo local estava construído e revestido pelas estruturas de aço, algumas cores em laranja e outras em branco. Ele subiu a plataforma e nela duas pequenas passarelas subindo para esquerda, localizadas nas duas pontas. Dentre as duas passarelas um guarda corpo protegido por baixo também.
— O qu... — a voz de Revân morreu na garganta quando ele avistou.
Todo o solo foi revestido com um chão mais apropriado, sem passarelas ou grades reforçadas. Ao lado esquerdo uma sala com computadores. Uma sala ao fundo e a direita estava aberta, possivelmente daria pra ver de onde os dois Exos vieram. O teto não era tão alto, mas o bastante para transitar. Mais dois pilares para sustentar tudo aquilo.
No centro de todo aquele local, envolta de uma áurea negra e avermelhada, algo flutuava. Sussurros podiam ser escutados, um tipo de cantiga ou uma música. A frente daquilo um círculo de cor verde florescente da mesma cor da áurea dos buracos, mas não se dava para ver os símbolos aquela distância.
"Issoouviuostirosissoouviuostirosissoouviuostirosissoouviuostirosisso... " à mente de Revân estava em desespero.
“A treva” Kisuke e Fenrir disseram, ao mesmo tempo na mente dos dois exos. Revân não se movia, com medo de alertar aquela criatura.
Não pôde acreditar que uma piada do amigo fosse quebrar seu choque.
O círculo verde desapareceu. Nenhum pensamento passava pela mente. A áurea negra sumiu e a silhueta escura virou-se para os dois reerguidos.
Não possuía olhos, mas tinha dentes em um sorriso monstruoso sem lábios. O capacete ou a cabeça era longa horizontalmente, em um "V" bem aberto. Braços esqueléticos e o corpo subdividido em pedaços ósseos numa mistura de roupa de carne e pele. Ela acabava em um véu de breu e seus pés não eram visíveis, se é que havia pés. Nas costas uma capa. Ou seriam asas?
Sua movimentação do ar era como se ela fosse uma mola, sobrevoando o chão com os dedos entrelaçados.
— Falei com você. — Matheus deu um passo à frente
— Porra Matheus, cala a boca! — Revân ia tentar segurar o colega pois sentiu algo maligno vindo.
Matheus soltou um grito seco e um véu negro cobria seu corpo inteiro e mais. Se Revân tivesse dado um passo em sua direção teria ficado preso junto. Ele não se movia.
Então o grito.
Agudo, alto e angustiante. Os tímpanos dos Exos doeram, Matheus tinha uma mão tentando se movimentar para seus próprios ouvidos. Aquela coisa abriu os dedos e direcionou para eles. Uma chuva de energia que parecia balas os acertou. Revân conseguiu fugir, Matheus permanecia preso, levou todas as rajadas. Seu corpo inerte caiu sem os dois braços e pedaço da cabeça.
Pior que o grito, a morte do amigo fez o rosto do exo se contorcer. Não pôde olhar por muito tempo.
Fenrir flutuou para longe tentando agrupar a luz. A criatura virou-se para Revân.
Ele levantou a arma dos decaídos e puxou o gatilho. Um estampido depois o tiro. Uma bala azul bateu no peito da criatura e ela recuou um pouco com a mãos na frente do rosto, mas não parecia ter sido ferida, pois a áurea vermelha se manifestou logo que a bala acertou.
— Mas aí não vale — Soltou Revân sem querer.
As mãos voltaram a se projetar para frente, Revân sabia que era hora de correr. Escorregando pelo chão, foi para trás do pilar, o véu negro apareceu logo atrás. Colocando metade do corpo pra fora mirou mais uma vez. Mais um grito e a bala acertou o que seria a cintura da criatura. Mais uma enxurrada de balas azuis voadoras. "Ela faz aquilo com as mãos" Kisuke estava mais impressionado do que com medo.
Matheus levantou estralando o pescoço e movimentando os braços.
— Minha vez — O fuzil de rajada foi descarregado em todo corpo da criatura.
Mais balas voadoras projetadas pelas mãos daquilo, Matheus se jogou pelo guarda corpo e recarregou a arma.
— Não esquece de mim — Uma bala certeira no rosto dela, mas a áurea vermelha permanecia ali.
O véu negro pegou Revân em cheio. Era como se várias facas estivessem cortando sua pele de metal diversas vezes e a pele costurasse novamente logo em seguida para ser cortada novamente. Os músculos não respondiam e a mente era um turbilhão de dor. Então num movimento rápido a criatura estava em sua frente apontando seus longos dedos com garras. "Ela escavou. Ela já estava aqui. E foi dela que os decaídos estavam fugindo."
A energia azul estava se formando quando a criatura foi projetada para uma área que Revân não pode mais ver, mas um corpo ficou no lugar. Matheus lhe aplicou uma ombrada. O campo energético vermelho havia sumido. O véu negro sumiu em seguida e os dois miraram juntos. A criatura gritou ainda mais forte, o mundo era agonia e dor.
— Cala boca, porra! — Revân e Matheus alvejaram o inimigo. E quando as balas acabaram, Matheus jogou a arma contra a criatura e Revân trocou a arma para dos decaídos, terminando os projeteis que tinha nela.
O corpo da monstruosidade desintegrou-se sobrando apenas a parte em V da cabeça. Revân caiu de joelhos respirando fundo. Matheus ajoelhou-se ao seu lado e estendeu a mão. O exo a pegou e levantou-se.
— Eu 'to bem. — Guardou a arma nas costas.
— Eu sei — Matheus seguiu, pegou sua arma e a recarregou.
Seguiram para a sala ao lado deles. Revân o seguiu. Kisuke projetou-se e flutuou, analisando os computadores. Um laser ia em direção aos teclados.
— Frequência 5481.
Fenrir se projetou e andou pela sala inspecionando-a. Como a camuflagem uma vez vista pelos decaídos, algo apareceu.
— O motor de órbita. — Matheus disse.
— 'Tá feliz agora Fenrir? — Revân tentava recuperar o humor.
— Sim. — Todos se olharam. A risada espalhou-se um pouco, mas não durou tanto.
— Vamos embora desse lugar. — Matheus pegou a máquina com as duas mãos.
— Essa criatura é a mais pura treva que encontramos... — Fenrir disse sério.
Kisuke flutuou um pouco observando o chão.
— Desde o colapso. — Kisuke pensou alto.
— Por conta disso minhas preocupações para fazer a nave aumentaram. Seja lá o que nós enfrentamos agora, essa tal treva, é pior que os decaídos. Vamos ter que acelerar o projeto da nave. Nossa prioridade é chegar na Terra.
— Por conta disso minhas preocupações para fazer a nave aumentaram. Seja lá o que nós enfrentamos agora, essa tal treva, é pior que os decaídos. Vamos ter que acelerar o projeto da nave. Nossa prioridade é chegar na Terra.
Enquanto deixavam o setor, Revân podia sentir a energia em volta de si e olhos em suas costas. Ele respirou fundo.
— Precisamos avisar que há algo pior chegando. Pior que essa quase
extinção. — Olhou por cima do ombro mais uma vez — Pior que os decaídos.

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