? - Lua - Matheus-10

— Roubar a nave deles? — Fenrir repetiu para saber se tinha ouvido direito. 
— É. — Matheus piscou.
— Ela pode ser tripulada por dezenas deles, você sabe disso? — A voz de Fenrir ficou um pouco mais grossa e atenuou sua preocupação.
— Independente — Matheus agora tinha uma armadura que consistia em uma cor amarelada e branca. Manoplas, torso, botas e capacete. Todos repousavam ao seu lado enquanto conversava, calmo — Eu sou imortal.
Dois dias atrás, mais daqueles inimigos haviam o atacado. Ele combateu muito bem todos eles, só não esperava que um permanecia semimorto no chão. A bala passou por onde deveria estar seu coração. Os sentidos desaparecendo, a falta de ar e a dor, tudo aquilo misturado naquele corpo de máquina. Antes de fechar os olhos pensou no reflexo que viu no computador e como seria ele desligado ali no meio do nada, a sua não tão longa vida. 
Não soube dizer quantas horas se passaram, o céu era sempre parecido. Os sentidos acordaram todos de uma vez. Matheus sorriu levemente como se tivessem contado uma história feliz, mas suas sobrancelhas de metal estavam pressionando seus olhos. Fenrir explicou a dádiva do Viajante, que era a esfera um pouco menor que ele via na Terra agora. "Se meu corpo não pode ser destruído, ele é minha arma. Se ele é minha arma, ele vai ser usado como tal"
— Meu poder tem um certo limite. 
— Sim, eu já entendi. — Matheus ouviu Fenrir explicar que precisava de outro igual a ele para levantá-lo mais rápido. — Sou único na lua?
— Não sei, não vi meus irmãos vindo para cá. Passei muito tempo na Terra. Muito tempo. — Fenrir pareceu encarar o horizonte — Quando cheguei aqui, não sabia o que estava procurando. 
Matheus vasculhava o céu atrás das naves dos sucateiros. 
A preocupação brotou em seu coração, pois as naves não estavam vindo mais com tanta frequência. Sozinho na lua, ele prestava atenção aos locais, suas tecnologias abandonadas, cadáveres apodrecidos há muito tempo. Ele poderia montar uma nave.
Demoraria meses, mas ele conseguiria.
Sabia que conseguiria.
— Que tal construir? — Falou o Exo.
— Eu poderia te ajudar com a tecnologia e com alguns detalhes a mais — Foi como se acendesse uma luz a mais no fantasma — Sim, podemos construir!
Matheus colocou o capacete e começou a caminhar. O chão lunar cinzento e empoeirado era interessante de se percorrer. Algumas extensões de mais tecnologia colonizadora. Algumas estruturas já gastas pelo tempo, mas funcionais. 
Quilômetros depois com seu fuzil de rajada em mãos não encontrou os sucateiros de quatro braços, mas começou a observar próximo ao chão e em alguns momentos no meio do caminho, luzes azuis. Nada temível a princípio, mas Matheus tomou uma nota mental. A sua frente agora uma estrutura de metal branca foi construída e seguia por várias e várias milhas de distância. Até onde a vista não enxergava mais.
— A linha do arqueiro. — Disse Fenrir.
— O que? 
— Esta estação de pesquisa, ela se chama Linha do Arqueiro. Ela está desligada, mas pode ser religada se me esforçar um pouco.
A estrutura de entrada estava pouco mais à frente. Entre ele e o local havia o que parecia mini casas, pequenas estruturas de metal com computadores e Hds pifados. Uma estrutura ou outra para se apoiar. Matheus começou a imaginar as pessoas dentro daqueles locais com suas roupas de astronauta, mas sem os esqueletos que estavam no lugar delas. Que tecnologia aquele traje possuída que tudo se deteriorou, mas ele continuava inteiro? Que maravilhas tecnológicas o Viajante pôde apoiar a terra para que fosse possível estar na lua, vivendo na lua. Que outros planetas ou luas eles já tinham pisado? 
A terra formação de luas e planetas parecia uma verdade, pois ele respirava sem capacete. "Se bem que eu posso estar simulando isso" pensou. Era um Exo afinal e não comia desde que acordou. Não sentia fome. Avançou mais um pouco e começou a ver lonas verdes em alguns locais. Elas pareciam da mesma cor que os sucateiros usavam quando os enfrentou nas últimas vezes. "Decoração... aviso? Ambos?". Aparentemente controle territorial dos inimigos era caracterizado com essas lonas. Havia roxas também. A base da linha do arqueiro era uma estrutura bem maior, parecida de onde Matheus saiu quando acordou. Com o mesmo símbolo japonês, nove pilastras no total divididas em três corredores diferentes sustentavam um segundo andar. Compostas de barras de aço, estavam cobertas de cabos. Mais a frente duas portas enormes que ele já havia identificado, elas abriam para os lados.
Ouviu um barulho. Se escondeu rapidamente atrás de uma das pilastra. O fuzil de rajada estava a postos, aguardou ouvir mais passos. Aqueles desgraçados sempre andavam em companhia, era ariscado avançar em apenas um. Quando ele não veio, achou estranho. Tentou ser o mais sorrateiro possível. Uma pedra foi esmagada. Foi então que mais passos foram ouvidos. E alguns grunhidos que não eram dos sucateiros. Matheus se atentou "são vozes".
— Com mais um pouco de trabalho, ligamos essa belezinha. — Uma voz leve e melódica.
— Eu concordo — A voz era mais pausada e forte, dando ênfase nas sílabas. — Tem alguém nos observando.
Matheus descoberto saiu de trás do pilar, mas o fuzil de rajada ainda estava em mãos. Ele estava admirado, observando mais um fantasma e uma pessoa.
— Ahn... Oi. — Ele usava um sobretudo azul, armadura por baixo. Seu capacete parecia de ouro puro, mas era metal dourado bem polido. A armadura das botas eram da mesma cor. O que parecia em suas costas era um fuzil de rajada escuro. Ele tinha um símbolo flutuando em seu braço esquerdo.
Matheus acenou com a cabeça devagar. Fenrir apareceu.
— Olá! — Embora a voz grossa não conseguisse soar tão alta, ele estava alegre. 
-Ah, vocês também são reerguidos. — O homem deixou um peso sair de suas costas. — Eu pensei que poderia ser algum sobrevivente. Eu ia ter que explicar muita coisa.
— Meu nome é Fenrir, ele é o Matheus. — O Exo virou o rosto e embora não pudesse ver, estava claro que o encarava com receio.
— Meu nome é Revân. — retirou o capacete. A forma que Matheus viu acendeu uma conexão interna. Ele não possuía olhos visíveis, eles estavam cobertos por duas placas de aço. A boca movia-se e por dentro era de uma cor azul clara. A textura do seu rosto era de um prata reluzente. A parte de trás era branca com algumas estruturas mecânicas. — Revân-9.
— Somos iguais — Matheus removeu seu elmo e o encarou curioso. 
— Muito bem — O fantasma ao lado de Revân intercedeu. — Meu nome é Kisuke. 
— Estamos tentando dar um jeito de religar a linha do arqueiro, mas os decaídos tem nos atrapalhado. — Os dois fantasmas flutuaram para dentro da estrutura.
— Decaídos? — Matheus levantou sua sobrancelha de metal.
— As criaturas com quatro braços, Kisuke veio da terra recente, os chamam assim. 
Matheus balançou a cabeça em concordância. Era um bom nome, mas sucateiros iria ficar em sua mente para sempre. Ele notou que ainda estava com o fuzil de rajada em mão e em posição de batalha. Aos poucos, sem parecer nervoso, foi relaxando e colocando a arma nas costas.
— Quero construir uma nave. — Ele disse.
— Nós também, tentamos roubar uma deles, mas... — Revân andou por um dos corredores dos pilares. Matheus o seguiu.
A parte ao lado direito da estrutura da linha do arqueiro era um campo livre que levava a outra partes da lua. No meio do caminho havia uma das naves dos decaídos, toda depenada.
— O sistema de navegação deles é péssimo, a linguagem é quase impossível de entender e eles não são de conversar. — Ele riu pra si. — Tentei capturar um, mas sou desajeitado.
— Sou bom com tecnologia. — Matheus olhava para nave admirando-a.
— Ótimo, acho que tem alguns livros que podemos...
— Não leio.
— Certo... — Ele tentou não parecer, mas estava um pouco desapontado. — Eu leio e te ajudo.
— Passou de duas linhas... — abriu um pouco a boca num "é" sem soá-lo.
Revân estendeu a mão. Matheus observou a mão estendida sem saber o que fazer. 
— É um cumprimento. É só apertar minha mão. — Matheus então estendeu a mão. Aperto de mão firme.
— Onde estava quando Kisuko te acordou?
— O Kisuke? — Ele riu — Nunte.
— Nunte?
— Num te interessa — Revân começou a rir alto.
Matheus-10 franzio o cenho de aço a principio. Alguns segundos depois o acompanhou num sorriso leve e então riu uma risada rouca e feliz. Era a primeira vez que ria. Era um sentimento bom.


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