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— Alô? — voz pesada e rouca — Pode me ouvir? Eu não acredito que te achei.
"Me achou?" Foi seu primeiro pensamento. Piscou diversas vezes. A visão veio aos poucos, então os sentidos e o tato. As articulações não doíam, mas precisou movimentar repetidas vezes para se sentir seguro de se levantar. 
—Eu... posso. — Os pensamentos pareciam embaralhados. A sua voz era parecida com a voz que ele ouviu. Rouca, grave — O que houve?
— Muita coisa aconteceu. Você se sentirá confuso. Meu nome é Fenrir. — Embora a voz estivesse próxima, ele não via quem falava — Sou um fantasma. Sou seu fantasma agora.
— Fantasma? — Olhou para as próprias mãos, toda de metal. — Nome. O meu nome... Matheus. Matheus-10. Ou 16. — A dúvida pesou mais que seu nome. Era como se tivesse vivido outras versões de si.
— Já sabe seu nome. — Fenrir parecia admirado. 
— Eu sempre me lembro do meu nome. —  A voz saiu sem que ele percebesse, como se tivesse registrado ou codificado no cérebro.
Então ele notou. Um orbe flutuante com um tipo de carapaça direcionando seu único olho em sua direção. Matheus notou que a estrutura interna do orbe era de uma tecnologia simples, mas complexa. A carapaça envolta do orbe central movia-se conforme a vontade do orbe ou necessidade de aproximação.
O fantasma deu uma volta e então desapareceu. A voz agora estava em sua mente. "Ainda estou aqui, não se preocupe."
O lugar era pouco iluminado, um grande salão oval tomado por sombras. Computadores cobriam boa parte das paredes, mas a estrutura onde foram construídos era esquisita, não familiar. O chão em alguns pontos eram plataformas de aço e em outros um terreno plano, mas cinzento. No centro um tipo de antena surgia de um buraco, ela se estendia para cima, onde havia uma abertura. Para cima breu, para baixo breu. "Olha, tem um baú ali". Matheus seguiu andando e quando abriu o baú havia em seu interior uma arma. "Pode ser útil".
— É um fuzil de rajada. Eu não sei... como sei. “Pode ser sua memória de Exo” respondeu Fenrir em sua mente.
Então Matheus se olhou no reflexo de um vidro de computador apagado. Grandes olhos brilhando vermelhos e um rosto de metal preto feito petróleo. Sua boca ao se abrir uma luz vermelha no interior se ativava. Ele se olhou com o fuzil de rajada em mãos e notou a roupa simples que estava trajando. Branca com alguns detalhes cinza. Encaixou a arma em suas costas e seguiu pela sala. 
Os computadores não ligavam, embora clicasse em todo e qualquer botão. Ele viu um grande símbolo em japonês. "Isso eu não sei". Os computadores eram de uma tecnologia muito avançada. "Como sei disso tudo...".
Ao fundo de onde estava havia uma sala separada por duas portas e três grandes janelas. Os vidros enormes, mas com aparência resistente despertou na mente de Matheus que onde estava era uma área de teste. Dentro da sala se aproximou da parede, ela era de uma rocha branca meio acinzentada igual ao chão, riscou e sentiu a textura em seu indicador e seu polegar. A poeira deslizou e desapareceu, ele ainda não sabia onde estava, mas parecia uma caverna.
Começou a andar pelo caminho ouvindo só o som dos seus próprios passos e um rangido de metal antigo pelo local. Uma porta automática abriu-se para ele e uma enorme sala se mostrou. A sua direita várias estruturas de metal coordenadas para salas com mais computadores. "Extração de minério, talvez?". Alguns carrinhos de metal no chão, mas sem rodas. Ao lado esquerdo mais um pouco da escavação da caverna, mas nada com pedras em carrinhos.
No fundo da sala sobre a superfície branca uma passarela de grades. Olhou em volta. Sem saída. "Por cima". Matheus-10 olhou para sua direita e viu uma porta quebrada, mas aberta. Com uma habilidade que desconhecia de onde veio, escalou pelas paredes e chegou na parte superior. Andou mais alguns passos, viu alguns computadores em cantos de um corredor retangular. Algumas caixas cobertas por uma lona roxa. Uma porta a esquerda mostrou uma sala grande. Mais duas janelas a sua direita que dava visão na primeira sala onde foi acordado. Vários computadores estavam instalados nos quatro pilares nas paredes. Seu chão desta vez era composto apenas da estrutura de metal que vinha fazendo suas pontas em alguns locais. 
Então ouviu um barulho esquisito, um tipo de barulho de máquina funcionando e um eco diminuto. 
— O que...?
Agora não um orbe, mas uma esfera do tamanho de uma das cargas que Matheus viu anteriormente. Ele tinha uma cor roxa e brilhava onde parecia ser um olho. Ele pode perceber uma tecnologia avançada na criação.
— Ah, olá, eu não sei como vim parar aqui, sabe onde estamos?
A criatura olhou para ele e soltou um som esquisito, parecia um protesto. Ou um aviso. “Eles não são amigos, Matheus” Fenrir alertou.
— Eu não consigo entender. — Matheus deu dois passos em direção aquilo, que flutuou um para longe. Outro som alto.
Então as outras coisas apareceram. Criaturas com quatro braços ou dois braços, se comunicando em outra linguagem que Matheus também não entendia. Elas carregavam armas o que parecia mais com sucata, lanças, armas de fogo. De repente a sala se encheu com 10 daquelas criaturas. A bola gigante roxa lançou como se fosse uma áurea de sua cor em três dos bichos.
— Eu não quero brigar pessoal, eu não sei onde estou, eu só queria sair. — Matheus começou a dar passos cautelosos para trás, sentiu uma parede. Era um campo de força azul que o repelia. Estava projetado na porta de onde veio.
Os primeiros dois avançaram em sua direção, eles tinham lanças. O fuzil de rajada já estava em suas mãos e ele nem lembrava-se de ter retirado o das costas. Antes dos monstros chegarem perto balas já tinham perfurado seus crânios e peito. "Muito bem Matheus". 
— Eu já disse que não quero brigar! —  Gritou para os inimigos, eles não entendiam ou fingiam não entender.
Um tiro passou zunindo pelo seu ouvido e raspou no campo de força. "Chega". Matheus avançou, o primeiro monstro apertou o gatilho de uma pistola feia, feita de sucata, mas que parecia funcionar muito bem, mas a bala passou longe de acertar. Ele bateu com a base da arma. O inimigo desabou. Pegou-o como escudo. As balas voavam. Estilhaços de vidro e luz explodiam ao redor. 
Os gritos de protestos dos inimigos misturavam-se aquele caos. Matheus acertou mais dois e quando tentou acertar os monstros com a áurea roxa, percebeu que eles não sentiram as balas.
Lançou o corpo do inimigo contra eles e se escondeu atrás de uma pilastra para recarregar. "São sucateiros espaciais" Fenrir parecia preocupado. "Se eles não dão ouvidos, dê batalha." 
— Eu só não sei como mato aqueles ali atrás. — Uma bala passou quando Matheus tentou colocar o rosto pra fora. — Desgraçado. 
"Destrói a bola roxa, ela que parece dar essa proteção." Matheus foi pelo outro lado do pilar, as balas voaram, uma acertou ombro, mas ele ignorou a dor e correu ainda mais. As plataformas estavam divididas em andares centímetros maiores, com alguns guarda corpo para separá-las. Ele passou por debaixo de uma. Logo depois, ela deixou de existir sob uma saraivada de tiros. Pulou por cima da outra. A bola roxa estava atrás do pilar e tomou um belo susto quanto Matheus apareceu em sua frente.
— Olá, como vai? — Descarregou o pente inteiro e quanto os inimigos começaram a chegar próximos para contra-atacar e as balas acabaram, Matheus aplicou um soco no olho da máquina.
O barulho de tecnologia dando problemas não era fácil para ele ouvir, parecia que ele gostava de tecnologia. Sua mão entrou até o antebraço. Aproveitou e a usou de escudo para ir pra cima dos outros. Ele usou o cadáver da bola roxa como arma batendo nos inimigos.
A sala estava vazia, o cheiro de queimado e de pólvora era grande.
— Tem certeza que é a primeira vez que acorda? — Fenrir flutuou em volta. — Parecia que faz isso há anos.
Matheus deu um riso sem graça e continuou por onde a porta que antes bloqueada pelos inimigos estava livre.
Escadas construídas acima de um vão davam acesso a andares superiores. Ele correu e um pedaço da escada se desprendeu. Ignorando o que estava pra trás, Matheus continuou subindo até entrar por um corredor com alguns outros computadores. Viu uma placa que parecia ser a da saída.
— Finalmente. — Não se deu conta, mas seus passos começaram a se transformar numa corrida desesperada.
O exo estava em um tipo de complexo, mas não notou. Estava admirado com o céu. A brisa gelada tocou o rosto metálico. O céu estava vivo de estrelas e lá em cima, impossível e bela, a Terra flutuava. Um suspiro que não precisou de pulmões escapou dele.
— Estamos na lua. — Matheus disse pra si mesmo e para Fenrir. 
— Sim... — Fenrir parecia desanimado.
Uma nave passou muito rapidamente por eles, parecia da mesma tecnologia dos inimigos anteriores.
— Vamos descobrir um jeito de sair daqui Matheus, não precisa se preocu... 
— Eu já sei como. — O exo tinha um sorriso no rosto. 



 

 

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