? - Antiga Rússia - Lucas e Paulo PT 1
— Então temos Miseráveis, Decaídos, Vândalos... — Lucas estava com três
dedos levantados enquanto o indicador passava para cada um deles. Agora ele
possuía um capacete azul um pouco enferrujado. E uma capa. Ou o que ele chamava
de capa. Ela estava puída, levemente desgastada, mas gostava dela. A armadura
em tom pastel tinha alguns buracos de bala e suas botas tinham cores mistas
entre verde e roxo.
— Capitães — O rosto de Paulo se voltava para o sol poente. O capacete dele era de um vermelho machucado pelo tempo. Uma armadura no tom esverdeado e armaduras pretas nas pernas. A velha escopeta tinha sido trocada por um fuzil de assalto.
Os inimigos pelo caminho cresciam, mas eles começaram a melhorar cada vez mais. Morrerem menos enquanto os inimigos morriam mais. Eles estavam seguindo sempre na mesma direção quando podiam, evitando depressões e elevações, embora tenham descoberto que eram bons em escalada.
— Não esqueça das máquinas... As sentinelas e aquelas bolas roxas. Odeio elas. — Lucas levou a mão a outro canhão de mão que estava no coldre. Este era azul claro muito bem conservado. "Achei num baú".
— Mecanoides ou Servidores. — Um vento passou pelos dois. Até aquele momento eles não haviam percebido, mas o tempo já estava para mudar.
— E então temos eles com roupas de cores diferentes... — Lucas começou a enumerar novamente. Mais um vento cortante. — Essa parece uma ordem apropriada, devido a tamanho.
— Aparentemente as cores distinguem como agem cada grupo deles. Os vermelhos parecem mais agressivos, porém desorganizados. Enquanto os azuis parecem cautelosos, mais estratégicos. - Mais uma lufada de vento.
— Meus sensores estão mostrando que há uma mudança forte no clima nas próximas horas... dias... meses... — Aurora disse atenuando a preocupação a cada palavra.
Eles tinham progredido bem desde o navio, passaram-se vinte dias. O primeiro passo não ditou o que houve após.
— Nós somos imortais não? — Lucas olhava para baixo do alto do navio.
— Somos, mas po... — Um vulto ao lado de Paulo o pegou e puxou para baixo. — Você não, ele nã...
O chão chegou mais rápido do que os dois esperavam. Ainda bem que morreram na queda, pensou Paulo mais tarde. Aurora e Soltre deram uma bronca sobre não usar a luz do Viajante desta forma.
Sim, o tal do Viajante.
Algumas coisas em sua mente estavam claras: sua língua, sua forma de pensar e como andar. Mas outras lembranças além do navio eram bloqueadas ou inacessíveis. Soltre disse que não sabia nada sobre isso também, que há anos procurava por Paulo e que só sentiu que ele seria a pessoa perfeita para trabalharem juntos, para Paulo empunhar a luz do Viajante. Aquilo não o preocupava, mas a interrogação em cada ação dele, cada decisão ou frase, quem foi ele antes daquilo?
Para sobreviver a fome, começaram a caçar. O que parecia território antes nunca explorado pareceu natural aos dois, eles corriam mais rápido, eram mais fortes e silenciosos. Tomando cuidado o bastante para não matar de mais, o planeta parecia estar também estar se recuperando de uma queda brusca. "Então eu renasci para matar? É isso?" Então reparou que Lucas bloqueava o caminho.
— Escutou? — Lucas olhava para o capacete onde seria os olhos de Paulo.
— Não — Ele procurou uma pedra próxima, apoiou o fuzil no chão e sentou-se.
— Procuramos abrigo e vemos como a tempo age. Definimos o que fazer depois disso. Aurora estando certa, devemos ir rápido.
Paulo acenou com a cabeça em afirmativa. Eles andaram mais alguns metros e os primeiros flocos de neve começaram a cair. As nuvens no céu pareciam correr mais rápido do que eles na direção contrária. Pareciam estar fugindo. "De onde estamos indo" e com tristeza pensou "ou de nós".
— O que tem nessa cidade? — Paulo continuava olhando pra frente. Lucas levantou a cabeça e parecia interessado também.
Foi Soltre que começou.
— O que resta da humanidade. As pessoas estão indo pra lá. Na sombra do Viajante.
— O que é o Viajante?
— Isso é difícil de responder... — Soltre vasculhou o céu — Ele é uma força da natureza. Nós nascemos dele. Fomos seu último suspiro depois... — A voz do fantasma morreu no ar e um vento cortante passou assoviando por eles.
Lucas e Paulo andaram por mais duas horas sem dizer uma palavra. Seus pés já começavam a ficar cobertos, mas seus corpos ainda se projetavam para frente sem dificuldade devido ao vento. A luz do sol era fraca, a neve ao vento dificultava visão, mas eles continuavam em frente,
— Se o Viajante tem tanto poder... O que derrubou ele? — Paulo não parou com a pergunta de Lucas que quase gritava para ser escutado no barulho da tempestade, mas sua espinha se arrepiou inteira. Ele poderia dizer que era o frio, mas sabia que não. A mente dele não o deixava acessar, mas seu corpo sabia.
— A Treva. — Aurora disse.
— Os decaídos vêm da Treva?
— Não, eles são outros seres do espaço que acharam a terra.
Finalmente uma fissura no meio das rochas. Parecia uma caverna. Mas um farfalhas de alguma coisa na neve e um barulho que não parecia o vento da tempestade foi ouvido. Lucas sacou o canhão de mão, mas não via nada. O dedo no gatilho do fuzil de assalto de Paulo estava preparado para mover-se.
—Não se engane. Eles estão aqui.
Um barulho rápido que parecia um assovio. Um tiro de uma arma estranha, a dor. Paulo caiu no chão para um lado, a perna para outro. Ignorando o fato de ter sido descolado de sua perna, seu alerta dizia o pior.
— Montanhas, Lucas, snipers — Ele mirou e atirou, uma risada. Mais um tiro do inimigo, mas Paulo estava em frenesi, rolou para o lado e finalmente viu um brilho. — Invisível? — Ele voltou a atirar e dessa vez um barulho fez ele ficar feliz. Sentiu o sangue esguichando da perna, mas não ariscaria chamar Soltre no meio do tiroteio.
Lucas já estava correndo e percebeu mais rápido do que Paulo que haviam aparecido novos sulcos na neve que eles não haviam deixado e que a neve não conseguia preencher. Atirou e acertou perna, cabeça, corpo e braço.
— Caraca, camuflagem é novo! — Lucas mais parecia animado do que surpreso. — Como será que eles fazem? - Mais dois tiros certeiros. - Azuis Paulo, azuis.
Paulo rolou mais alguns metros pro lado e parou de barriga pra baixo.
— É uma emboscada — Ele percebeu o que Lucas percebeu. Atirou, a princípio quase errou, mas tornou-se natural notar os movimentos dos decaídos.
Minutos que pareceram horas passaram e então um grito veio do alto da montanha. Alguma linguagem que eles não entenderam. Os decaídos não estavam mais avançando. Lucas olhou em volta com canhão de mão fumegando.
— Ha,ha! — Atirou mais duas vezes para o ar — Retirada! Otários! Tudo frouxo. Diz ai Paulo quem é o gatilho mais rápido destas montanhas esquecidas pelo Viajante? Somos nós. Eu e você, você e eu. Não tem pra ninguém, você foi rápido... E esse sangue todo?... Paulo? Paulo?
O vento soprou.
— Ele 'tá morto né?
— Sim — Soltre lançou a luz sobre o que sobrou de perna decepada do tiro e ela reapareceu. — Pode me ajudar?
Era a segunda ou terceira vez que ele havia feito isso? Paulo também fizera e os dois tiveram dificuldade. Lucas chegou perto de Soltre e concentrou em volta dele.
— Deixe fluir — Aurora auxiliava. — É como uma energia dentro de você que lhe anima, te ajuda e te faz ser melhor.
Ele estava fechando os olhos antes, mas desta vez achou melhor mantê-los abertos. Ele viu a luz do fantasma de Paulo ficar mais intensa, suas mãos começarem a brilhar e então uma luz se manifestar por todo o corpo do amigo. O desperto ficou sentado por alguns instantes e começou a fazer sua inspeção.
— Preciso bater toda vez pra ter certeza que está aqui — Paulo tocava sua perna que voltou ao local certo.
Eles caminharam até a fissura e que se mostrou grande por dentro. Era um acampamento há muito abandonado. "Para nossa sorte". A cadeira enferrujada com um tom esverdeado fora pega para improvisar uma assadeira, sacos de dormir ainda estavam bons então foram organizados no canto. Era um grupo pequeno, aparentemente não haviam voltado. Não havia sangue, então devem ter morrido fora de lá. Podia ser que a emboscada do lado de fora fosse para os membros que sobreviveram.
Paulo saiu pela tempestade e procurou a arvore mais próxima. Ele se aproximou dela e aplicou um golpe com a mão direita no tronco. Onde o soco foi aplicado ela esfarelou. A arvore caiu. Paulo então a pegou e seguiu com ela para a caverna. O nítido para os dois abençoados com a luz do Viajante era que cada um tinha sua especialidade. Paulo era forte e poderia estar muito ferido, mas permanecia como uma pedra. Lucas era mais rápido e esguio. Pensamento ágil e estratégico. O triplo mais rápido do que Paulo.
A lenha estava toda em um canto e a fogueira havia sido acesa.
— Sobrou um pouco do cervo — Estava rodando em um graveto encima da fogueira.
Paulo comia com ânimo. A morte o deixava com fome.
A hora da comida se seguiu assim sem palavras por alguns minutos. O silêncio era reconfortante, melhor do que barulho de problema. Poucos momentos lá fora foram tranquilos até ali, apreciavam cada instante daqueles o quando podiam. A imortalidade não tornava aquilo mais fácil, não poder morrer não o tornava imune a raiva, tédio ou tensão. Angústia.
—Vai dormir, eu faço o primeiro turno — Paulo tirou o capacete como se os pensamentos fossem providos dele ou para afastá-los.
—Você acabou de voltar. Melhor você primeiro. Pela conta é dois à três.
Paulo franziu o cenho.
— Você está contando quem está morrendo?
— Lógico.
— Eu vou dormir antes que eu mesmo empate esse placar ridículo.
Lucas sorriu e voltou-se para porta da caverna, a escuridão se projetava. "A Treva". Ele colocou a mão no coldre. "Que venha sua maldita, estamos esperando".
— Capitães — O rosto de Paulo se voltava para o sol poente. O capacete dele era de um vermelho machucado pelo tempo. Uma armadura no tom esverdeado e armaduras pretas nas pernas. A velha escopeta tinha sido trocada por um fuzil de assalto.
Os inimigos pelo caminho cresciam, mas eles começaram a melhorar cada vez mais. Morrerem menos enquanto os inimigos morriam mais. Eles estavam seguindo sempre na mesma direção quando podiam, evitando depressões e elevações, embora tenham descoberto que eram bons em escalada.
— Não esqueça das máquinas... As sentinelas e aquelas bolas roxas. Odeio elas. — Lucas levou a mão a outro canhão de mão que estava no coldre. Este era azul claro muito bem conservado. "Achei num baú".
— Mecanoides ou Servidores. — Um vento passou pelos dois. Até aquele momento eles não haviam percebido, mas o tempo já estava para mudar.
— E então temos eles com roupas de cores diferentes... — Lucas começou a enumerar novamente. Mais um vento cortante. — Essa parece uma ordem apropriada, devido a tamanho.
— Aparentemente as cores distinguem como agem cada grupo deles. Os vermelhos parecem mais agressivos, porém desorganizados. Enquanto os azuis parecem cautelosos, mais estratégicos. - Mais uma lufada de vento.
— Meus sensores estão mostrando que há uma mudança forte no clima nas próximas horas... dias... meses... — Aurora disse atenuando a preocupação a cada palavra.
Eles tinham progredido bem desde o navio, passaram-se vinte dias. O primeiro passo não ditou o que houve após.
— Nós somos imortais não? — Lucas olhava para baixo do alto do navio.
— Somos, mas po... — Um vulto ao lado de Paulo o pegou e puxou para baixo. — Você não, ele nã...
O chão chegou mais rápido do que os dois esperavam. Ainda bem que morreram na queda, pensou Paulo mais tarde. Aurora e Soltre deram uma bronca sobre não usar a luz do Viajante desta forma.
Sim, o tal do Viajante.
Algumas coisas em sua mente estavam claras: sua língua, sua forma de pensar e como andar. Mas outras lembranças além do navio eram bloqueadas ou inacessíveis. Soltre disse que não sabia nada sobre isso também, que há anos procurava por Paulo e que só sentiu que ele seria a pessoa perfeita para trabalharem juntos, para Paulo empunhar a luz do Viajante. Aquilo não o preocupava, mas a interrogação em cada ação dele, cada decisão ou frase, quem foi ele antes daquilo?
Para sobreviver a fome, começaram a caçar. O que parecia território antes nunca explorado pareceu natural aos dois, eles corriam mais rápido, eram mais fortes e silenciosos. Tomando cuidado o bastante para não matar de mais, o planeta parecia estar também estar se recuperando de uma queda brusca. "Então eu renasci para matar? É isso?" Então reparou que Lucas bloqueava o caminho.
— Escutou? — Lucas olhava para o capacete onde seria os olhos de Paulo.
— Não — Ele procurou uma pedra próxima, apoiou o fuzil no chão e sentou-se.
— Procuramos abrigo e vemos como a tempo age. Definimos o que fazer depois disso. Aurora estando certa, devemos ir rápido.
Paulo acenou com a cabeça em afirmativa. Eles andaram mais alguns metros e os primeiros flocos de neve começaram a cair. As nuvens no céu pareciam correr mais rápido do que eles na direção contrária. Pareciam estar fugindo. "De onde estamos indo" e com tristeza pensou "ou de nós".
— O que tem nessa cidade? — Paulo continuava olhando pra frente. Lucas levantou a cabeça e parecia interessado também.
Foi Soltre que começou.
— O que resta da humanidade. As pessoas estão indo pra lá. Na sombra do Viajante.
— O que é o Viajante?
— Isso é difícil de responder... — Soltre vasculhou o céu — Ele é uma força da natureza. Nós nascemos dele. Fomos seu último suspiro depois... — A voz do fantasma morreu no ar e um vento cortante passou assoviando por eles.
Lucas e Paulo andaram por mais duas horas sem dizer uma palavra. Seus pés já começavam a ficar cobertos, mas seus corpos ainda se projetavam para frente sem dificuldade devido ao vento. A luz do sol era fraca, a neve ao vento dificultava visão, mas eles continuavam em frente,
— Se o Viajante tem tanto poder... O que derrubou ele? — Paulo não parou com a pergunta de Lucas que quase gritava para ser escutado no barulho da tempestade, mas sua espinha se arrepiou inteira. Ele poderia dizer que era o frio, mas sabia que não. A mente dele não o deixava acessar, mas seu corpo sabia.
— A Treva. — Aurora disse.
— Os decaídos vêm da Treva?
— Não, eles são outros seres do espaço que acharam a terra.
Finalmente uma fissura no meio das rochas. Parecia uma caverna. Mas um farfalhas de alguma coisa na neve e um barulho que não parecia o vento da tempestade foi ouvido. Lucas sacou o canhão de mão, mas não via nada. O dedo no gatilho do fuzil de assalto de Paulo estava preparado para mover-se.
—Não se engane. Eles estão aqui.
Um barulho rápido que parecia um assovio. Um tiro de uma arma estranha, a dor. Paulo caiu no chão para um lado, a perna para outro. Ignorando o fato de ter sido descolado de sua perna, seu alerta dizia o pior.
— Montanhas, Lucas, snipers — Ele mirou e atirou, uma risada. Mais um tiro do inimigo, mas Paulo estava em frenesi, rolou para o lado e finalmente viu um brilho. — Invisível? — Ele voltou a atirar e dessa vez um barulho fez ele ficar feliz. Sentiu o sangue esguichando da perna, mas não ariscaria chamar Soltre no meio do tiroteio.
Lucas já estava correndo e percebeu mais rápido do que Paulo que haviam aparecido novos sulcos na neve que eles não haviam deixado e que a neve não conseguia preencher. Atirou e acertou perna, cabeça, corpo e braço.
— Caraca, camuflagem é novo! — Lucas mais parecia animado do que surpreso. — Como será que eles fazem? - Mais dois tiros certeiros. - Azuis Paulo, azuis.
Paulo rolou mais alguns metros pro lado e parou de barriga pra baixo.
— É uma emboscada — Ele percebeu o que Lucas percebeu. Atirou, a princípio quase errou, mas tornou-se natural notar os movimentos dos decaídos.
Minutos que pareceram horas passaram e então um grito veio do alto da montanha. Alguma linguagem que eles não entenderam. Os decaídos não estavam mais avançando. Lucas olhou em volta com canhão de mão fumegando.
— Ha,ha! — Atirou mais duas vezes para o ar — Retirada! Otários! Tudo frouxo. Diz ai Paulo quem é o gatilho mais rápido destas montanhas esquecidas pelo Viajante? Somos nós. Eu e você, você e eu. Não tem pra ninguém, você foi rápido... E esse sangue todo?... Paulo? Paulo?
O vento soprou.
— Ele 'tá morto né?
— Sim — Soltre lançou a luz sobre o que sobrou de perna decepada do tiro e ela reapareceu. — Pode me ajudar?
Era a segunda ou terceira vez que ele havia feito isso? Paulo também fizera e os dois tiveram dificuldade. Lucas chegou perto de Soltre e concentrou em volta dele.
— Deixe fluir — Aurora auxiliava. — É como uma energia dentro de você que lhe anima, te ajuda e te faz ser melhor.
Ele estava fechando os olhos antes, mas desta vez achou melhor mantê-los abertos. Ele viu a luz do fantasma de Paulo ficar mais intensa, suas mãos começarem a brilhar e então uma luz se manifestar por todo o corpo do amigo. O desperto ficou sentado por alguns instantes e começou a fazer sua inspeção.
— Preciso bater toda vez pra ter certeza que está aqui — Paulo tocava sua perna que voltou ao local certo.
Eles caminharam até a fissura e que se mostrou grande por dentro. Era um acampamento há muito abandonado. "Para nossa sorte". A cadeira enferrujada com um tom esverdeado fora pega para improvisar uma assadeira, sacos de dormir ainda estavam bons então foram organizados no canto. Era um grupo pequeno, aparentemente não haviam voltado. Não havia sangue, então devem ter morrido fora de lá. Podia ser que a emboscada do lado de fora fosse para os membros que sobreviveram.
Paulo saiu pela tempestade e procurou a arvore mais próxima. Ele se aproximou dela e aplicou um golpe com a mão direita no tronco. Onde o soco foi aplicado ela esfarelou. A arvore caiu. Paulo então a pegou e seguiu com ela para a caverna. O nítido para os dois abençoados com a luz do Viajante era que cada um tinha sua especialidade. Paulo era forte e poderia estar muito ferido, mas permanecia como uma pedra. Lucas era mais rápido e esguio. Pensamento ágil e estratégico. O triplo mais rápido do que Paulo.
A lenha estava toda em um canto e a fogueira havia sido acesa.
— Sobrou um pouco do cervo — Estava rodando em um graveto encima da fogueira.
Paulo comia com ânimo. A morte o deixava com fome.
A hora da comida se seguiu assim sem palavras por alguns minutos. O silêncio era reconfortante, melhor do que barulho de problema. Poucos momentos lá fora foram tranquilos até ali, apreciavam cada instante daqueles o quando podiam. A imortalidade não tornava aquilo mais fácil, não poder morrer não o tornava imune a raiva, tédio ou tensão. Angústia.
—Vai dormir, eu faço o primeiro turno — Paulo tirou o capacete como se os pensamentos fossem providos dele ou para afastá-los.
—Você acabou de voltar. Melhor você primeiro. Pela conta é dois à três.
Paulo franziu o cenho.
— Você está contando quem está morrendo?
— Lógico.
— Eu vou dormir antes que eu mesmo empate esse placar ridículo.
Lucas sorriu e voltou-se para porta da caverna, a escuridão se projetava. "A Treva". Ele colocou a mão no coldre. "Que venha sua maldita, estamos esperando".

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