? - Antiga Rússia - Lucas e Paulo PT 2

Mesmo com o sol a pino, as árvores continuavam congeladas. Os ventos gélidos passavam de tempos em tempos. A tempestade tinha se acalmado, porém a quantidade de neve deixada para trás estava nos joelhos. Aurora ainda rastreava a mudança de tempo. O ponto mais forte dela estava longe dali. Ao menos por enquanto. Os decaídos tinham atacado novamente, mas a mesma estratégia usada várias vezes perdia sua força. Eles não estavam acostumados com inimigos imortais, que caiam, aprendiam e levantavam vez após vez.
— Quatro a quatro! — O grito de Paulo fez algumas árvores derrubarem um pouco de neve.
— Eu já te disse, eu não morri! —  Lucas estava à frente em alguns metros empurrando a neve em seu caminho o melhor possível. Paulo tinha entrado na brincadeira.
— Você usa quantos por cento do cérebro? — O titã estava com mais dificuldade de andar na neve. — Porque um tiro na cabeça é um tiro na cabeça.
— Foi de raspão.
— Você caiu no chão.
— Eu fiquei tonto — A armadura nova de Lucas consistia agora em uma capa negra com detalhes brancos. Seu capacete agora era num tom branco. "Camuflagem das montanhas, baby". A armadura estava no mesmo tom. 
— Aurora pode discordar — Paulo agora estava com uma sniper nas costas e em sua mão outro fuzil de assalto. Sua armadura agora era em um tom de marrom. 
As armaduras consistiam em proteções corporais feitas de metais que eles encontravam e acoplavam em uma malha de kevlar. Devido à força extrema deles, indiferente ao metal e peso, eles levavam como se fosse uma roupa qualquer. O capacete com sua "touca" era a parte de metal mais difícil, mas valia a proteção. 
Aurora e Soutre não falavam de que forma, mas conseguiam converter alguns materiais em mais balas para seus fuzis, snipers ou mesmo canhão de mão, as armaduras eram feitas com bases em design que os fantasmas faziam a partir dos metais. 
— O que mais vocês conseguem fazer?
— Por enquanto só isso — Soutre disse desaparecendo em seguida.
Mais vinte dias haviam passado desde a caverna. Eles encontraram restos do grupo que acampou lá. Não sobrou muita coisa. A clareira de árvores congeladas só revelava o óbvio. Um pouco de carne em decomposição em esqueletos. O ataque dos decaídos era mortal. 
— Espero que existam mais sobreviventes.
— Da última vez que saí do acampamento debaixo do viajante éramos em pelo menos mil pessoas. —  Aurora estava animada. —  Pelo tempo médio de quatro pessoas por hora.... Devem ter mais de duas mil pessoas lá.
— Dito assim parece pouco, mas continuemos andando.
As bolsas de dormir ficaram com eles. Todas as vezes que eles iam descansar tentavam encontrar um local fechado por onde o inimigo poderia vir apenas pela frente. Não desconfiavam que alguém os seguia, mas era melhor prevenir do que remediar. 
Em uma das noites, Lucas acordou Paulo, que se segurou em um joelho e o fuzil em mãos. Lucas colocou a mão sobre a arma.
— Calma, vai assustá-los.
Embora os reflexos de Paulo estivessem bons, a visão estava turva por ter acordado rápido demais. A forma à sua frente, um quadrúpede pequeno com os olhos brancos brilhantes. Um lobo. "Não é apenas um" disse uma voz em sua cabeça. Era uma alcateia. Atraída pelo calor da fogueira deles e da carne que eles assaram. Eram em onze. Lucas e Paulo permaneceram parados os encarando. Os lobos também não se moviam. Alguns minutos se passaram até Lucas levantar-se calmamente e pegar um resto de coelho no galho.
Alguns dos lobos mostraram os dentes. Ele lançou a carne em frente a um dos demais. Os lobos deixaram para os mais novos comerem.
— São sobreviventes, como nós. —  Andou pra trás e sentou-se. —  Desse planeta acabado.
— Renascido. —  Lucas virou-se para Paulo. —  Planeta renascido. Reerguendo-se. Como nós dois. Dorme, minha vez. O que parecia o líder da alcateia baixou a cabeça numa reverência e foi embora com os outros.
Dentre agora a imensa quantidade de neve à frente, Lucas seguia mais rapidamente. Paulo precisava gritar pelo colega para esperá-lo, não tinha tanta agilidade naquelas condições. O progresso agora era mais devagar e nenhum deles precisava lembrar que se a tempestade viesse eles poderiam ficar presos por dias. 
— Essa subida não tem fim?
Lucas parou de súbito, aparentava ter chego no ponto mais alto. 
— Que foi? —  A única resposta foi um aceno rápido com a mão para que Paulo subisse.
— Se for mais uma das suas...
Então ele viu. No alto de tudo eles podiam ver, a milhas e milhas de distância. Aurora e Soutre não precisavam dizer. Duas montanhas iam em direções oposta de uma clareira com milhas e milhas de distância. No espaço plano deste local existiam várias luzes ao longe, provável que fossem vários acampamentos se formando. Acima deles, uma esfera gigantesca se erguia como um protetor daquele local. Ela parecia ter algumas depressões, mas lá estava ele, majestoso. 
— Estamos chegando, não é mesmo? —  Paulo deu um leve sorriso. 








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