Cosmódromo - Antiga Rússia - Paulo e Lucas
— Socorro! — Era uma voz masculina ao longe de fora das muralhas.
O eco do grito derrubou um pouco da neve nas arvores, espantou os pássaros, alertou os predadores, mas a vida no vilarejo continuou a seguir.
Carol, assim como todos que estavam naquela comunidade, estava acostumada a ouvir essa palavra nos últimos meses de sua vida. Desde a queda do Viajante, desde aquelas formas piramidais, desde a destruição da civilização, da sua cidade, desde a destruição de sua vida... Desde os Senhores da Guerra. Aqueles malditos Senhores da Guerra. Ela ouviu aquele pedido enquanto estava cultivando abóboras e fez exatamente o que deveria ser feito nesta situação, abaixar a cabeça e continuar trabalhando. Ela gostaria de poder ajudar, sabia que todos queriam ajudar, mas muitos tentaram e enquanto eram cinquenta, agora eram menos de trinta.
— Por favor, estamos feridos! — O Eco dessa vez deu uma pontada no coração de Carol.
Os dois Senhores da Guerra que comandavam o local vieram caminhando, estavam há tanto tempo no comando que afrouxaram, mas não importava se muito ou pouco, eles eram imortais. Os desgraçados eram imortais. Os fuzis de assalto em mãos apontados para o chão, o dedo indicador estava movendo-se, coçando, quase um tique nervoso, pedindo algum motivo para atirar, era só lhes dar um motivo. E logo a frente o que eles pediam.
— Parecem aqueles dois que enviamos há duas noites. — O primeiro tinha cabelos negros ralos, blusa de couro, uma calça jeans surrada e uma bota coturno gasta. Em seus ombros havia uma capa de couro de cervo. Carol, próxima aos portões, olhou para ele lembrando que aqueles seres eram imortais, eles podiam morrer de frio, mas voltariam. Não precisavam daquele calor, e sim as pessoas do vilarejo, ela inclusive. Esses malditos.
O eco do grito derrubou um pouco da neve nas arvores, espantou os pássaros, alertou os predadores, mas a vida no vilarejo continuou a seguir.
Carol, assim como todos que estavam naquela comunidade, estava acostumada a ouvir essa palavra nos últimos meses de sua vida. Desde a queda do Viajante, desde aquelas formas piramidais, desde a destruição da civilização, da sua cidade, desde a destruição de sua vida... Desde os Senhores da Guerra. Aqueles malditos Senhores da Guerra. Ela ouviu aquele pedido enquanto estava cultivando abóboras e fez exatamente o que deveria ser feito nesta situação, abaixar a cabeça e continuar trabalhando. Ela gostaria de poder ajudar, sabia que todos queriam ajudar, mas muitos tentaram e enquanto eram cinquenta, agora eram menos de trinta.
— Por favor, estamos feridos! — O Eco dessa vez deu uma pontada no coração de Carol.
Os dois Senhores da Guerra que comandavam o local vieram caminhando, estavam há tanto tempo no comando que afrouxaram, mas não importava se muito ou pouco, eles eram imortais. Os desgraçados eram imortais. Os fuzis de assalto em mãos apontados para o chão, o dedo indicador estava movendo-se, coçando, quase um tique nervoso, pedindo algum motivo para atirar, era só lhes dar um motivo. E logo a frente o que eles pediam.
— Parecem aqueles dois que enviamos há duas noites. — O primeiro tinha cabelos negros ralos, blusa de couro, uma calça jeans surrada e uma bota coturno gasta. Em seus ombros havia uma capa de couro de cervo. Carol, próxima aos portões, olhou para ele lembrando que aqueles seres eram imortais, eles podiam morrer de frio, mas voltariam. Não precisavam daquele calor, e sim as pessoas do vilarejo, ela inclusive. Esses malditos.
— Sim Zig. — O segundo era calvo, tinha uma barba rala e ruiva. Suas roupas também de couro, obtendo tanto calor quando seu amigo.
—Vamos Carl, precisamos disso. — Carol viu um sorriso no rosto dos dois surgir, iluminando o rosto dos dois que seriam belíssimos se não fossem as atrocidades que ela tinha visto cometerem.
Os Senhores da Guerra andaram até a frente do acampamento. Os dois maltrapilhos, dos pés a cabeça, estavam finalmente chegando, pois um dos dois aparentemente estava manco.
— Parados ai! — Zig e Carl apontaram os fuzis ao mesmo tempo.
O homem parou, assustado, quase desequilibrando por causa da amiga, que estava com um capuz cobrindo-lhe o rosto.
— Minha amiga foi ferida por um reerguido, ela precisa de ajuda — Ele havia passado o braço da colega por cima do pescoço afim de conseguir carregá-la, mas a pobre coitada mal conseguia se segurar. — O encontramos a alguns dias...
— Não cumpriram a missão. — Zig apontou para o enfermo.
— É impossível fazer o que me pediram. — Ele ajeitava a amiga, mas a mesma se segurava em uma perna só. — Ele disse para aguardarmos, mas viemos mesmo assim.
—Nós lhe mostramos como fazer. Agora é tarde pra vocês.
—Não façam isso, sei que se os outros Senhores da Guerra conversarem...
—Não há outros aqui seu idiota. — Zig deu um passo a frente e mirou certeiro na companheira já desfalecida.
—Ah não? — Carol nesta hora teve de levantar os olhos para a cena e o que presenciou foi tão rápido que teve de perguntar mais tarde como realmente aconteceu.
Zig atirou na cabeça por trás do capuz, invés do colega cair amuado ao lado, aos olhos de Carl ele se teleportou e com o olhar periférico o Senhor da Guerra viu a cabeça de Zig ricochetear para trás, o sangue voou enquanto o drone que se intitulava fantasma surgia. Quando Carl resolveu atirar, agora tinha dois alvos mirando nele. A mulher que caíra estava de pé, mas agora não parecia uma mulher, era um homem azul com a barba tão ruiva quanto a dele, só que ele tinha cabelo. Enquanto esse pensamento estava passando pela cabeça de Carl, balas transpassaram por ela e seu corpo, em uma velocidade absurda. O fantasma surgiu logo após a queda.
—Não se atrevam a ressuscitá-los! — Lucas mirava com seu canhão de mão em um dos fantasmas. — Invocamos a lei dos Senhores do Ferro, que se outro Senhores da Guerra o quiserem, devem ser ganhos por combate.
Os fantasmas não responderam, permaneceram no ar, parados.
—Estou mirando diretamente em você coisinha e acredite em mim quando digo que não vai sobrar muita coisa de você pra contar história — A voz de Paulo era como um trovão, ecoando por todo um raio de quilometro. Ele segurava o fuzil que dilacerou Carl.
Os segundos passaram como horas para Carol que assistia a tudo isso, pois se os Senhores da Guerra fossem levantados, iria gerar uma destruição inimaginável, ela nunca havia visto lutas, mas já ouvira falar de locais que foram dizimados por conta desses monstros.
Os fantasmas então flutuaram para longe juntos em direção ao norte. Lucas e Paulo só relaxaram quando não era mais possível avistá-los.
— Guarde os corpos, irei pegar nossas armaduras. — Lucas voltava pelo caminho que fizeram.
Carol não se sentiu intimidada por ser notada por Paulo e aos poucos os civis começavam a chegar para ver o que houve.
—Vocês estão livres agora. — Ele pisou no corpo do Senhor da Guerra Zig e permaneceu assim, como se ele fosse um animal raro abatido. - a influência dessas abominações acabou.
—Vamos Carl, precisamos disso. — Carol viu um sorriso no rosto dos dois surgir, iluminando o rosto dos dois que seriam belíssimos se não fossem as atrocidades que ela tinha visto cometerem.
Os Senhores da Guerra andaram até a frente do acampamento. Os dois maltrapilhos, dos pés a cabeça, estavam finalmente chegando, pois um dos dois aparentemente estava manco.
— Parados ai! — Zig e Carl apontaram os fuzis ao mesmo tempo.
O homem parou, assustado, quase desequilibrando por causa da amiga, que estava com um capuz cobrindo-lhe o rosto.
— Minha amiga foi ferida por um reerguido, ela precisa de ajuda — Ele havia passado o braço da colega por cima do pescoço afim de conseguir carregá-la, mas a pobre coitada mal conseguia se segurar. — O encontramos a alguns dias...
— Não cumpriram a missão. — Zig apontou para o enfermo.
— É impossível fazer o que me pediram. — Ele ajeitava a amiga, mas a mesma se segurava em uma perna só. — Ele disse para aguardarmos, mas viemos mesmo assim.
—Nós lhe mostramos como fazer. Agora é tarde pra vocês.
—Não façam isso, sei que se os outros Senhores da Guerra conversarem...
—Não há outros aqui seu idiota. — Zig deu um passo a frente e mirou certeiro na companheira já desfalecida.
—Ah não? — Carol nesta hora teve de levantar os olhos para a cena e o que presenciou foi tão rápido que teve de perguntar mais tarde como realmente aconteceu.
Zig atirou na cabeça por trás do capuz, invés do colega cair amuado ao lado, aos olhos de Carl ele se teleportou e com o olhar periférico o Senhor da Guerra viu a cabeça de Zig ricochetear para trás, o sangue voou enquanto o drone que se intitulava fantasma surgia. Quando Carl resolveu atirar, agora tinha dois alvos mirando nele. A mulher que caíra estava de pé, mas agora não parecia uma mulher, era um homem azul com a barba tão ruiva quanto a dele, só que ele tinha cabelo. Enquanto esse pensamento estava passando pela cabeça de Carl, balas transpassaram por ela e seu corpo, em uma velocidade absurda. O fantasma surgiu logo após a queda.
—Não se atrevam a ressuscitá-los! — Lucas mirava com seu canhão de mão em um dos fantasmas. — Invocamos a lei dos Senhores do Ferro, que se outro Senhores da Guerra o quiserem, devem ser ganhos por combate.
Os fantasmas não responderam, permaneceram no ar, parados.
—Estou mirando diretamente em você coisinha e acredite em mim quando digo que não vai sobrar muita coisa de você pra contar história — A voz de Paulo era como um trovão, ecoando por todo um raio de quilometro. Ele segurava o fuzil que dilacerou Carl.
Os segundos passaram como horas para Carol que assistia a tudo isso, pois se os Senhores da Guerra fossem levantados, iria gerar uma destruição inimaginável, ela nunca havia visto lutas, mas já ouvira falar de locais que foram dizimados por conta desses monstros.
Os fantasmas então flutuaram para longe juntos em direção ao norte. Lucas e Paulo só relaxaram quando não era mais possível avistá-los.
— Guarde os corpos, irei pegar nossas armaduras. — Lucas voltava pelo caminho que fizeram.
Carol não se sentiu intimidada por ser notada por Paulo e aos poucos os civis começavam a chegar para ver o que houve.
—Vocês estão livres agora. — Ele pisou no corpo do Senhor da Guerra Zig e permaneceu assim, como se ele fosse um animal raro abatido. - a influência dessas abominações acabou.
— Quem irá conseguir suprimentos para nós agora? — Um homem baixo e com barba grisalha disse ao fundo.
—Há um assentamento não muito longe daqui, está sendo criado a sombra do Viajante. Lá vocês conseguiram comida e abrigo. Mas principalmente proteção, não sei por quais terrores vocês passaram, apenas peço que os deixem para trás agora. - O olhar apagado que Paulo observou em cada uma das pessoas começou a acender-se, de forma que sempre animava o titã.
— Iremos escoltá-los. — Era Lucas ao lado de Paulo, logo atrás parecia um trenó improvisado com suas armaduras - Só peguem o que for necessário, nós carregaremos o suprimento.
Carol ainda estava sentada junto a suas abóboras. Ela não mexeu-se quando todos iam para suas casas. Ela não mexeu-se quando o homem azul chegara perto.
—Você está bem? — O titã ajoelhou-se. — Vá pegar suas coisas. Quer ajuda?
Carol olhava nos olhos do que julgava uma monstruosidade a tanto tempo, aquelas abominações agora oferecendo ajuda.
— Eu não tenho nada... Não sobrou nada. — Carol deixou as lagrimas descerem.
—Ora vamos — Paulo a ergueu. — Não fique assim, tudo vai melhorar, você vai ver.

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