A arvore de treva
Quando o sino da loja tilintou, o atendente se surpreendeu. Aquela época do ano era difícil de haver clientes. Surpreendeu-se ainda mais por ver um casal de adolescentes. Ou assim pareciam.Ele fechou o livro e encarou os dois. Seus óculos de grau revelaram um rapaz de cabelos castanhos, roupas simples e um olhar penetrante. O rapaz encarou de volta e sorriu.
-Bo... - Olhou o relógio. 15h33, "Deus, já?" -...a tarde. Como posso ajudar?
-Vamos dar uma olhada. - A voz do rapaz era grave, será que estava na fase de transformação?
Piscou duas vezes. Olhou para a pessoa ao lado, uma moça de longos cabelos loiros e olhos claros. Esses passeavam pela loja sem dar atenção de fato. As roupas eram tão simples quanto o do rapaz.
-Ninguém "da uma olhada" nessa loja filho. - Tirou os óculos e o encarou sem o auto grau deles. Seus olhos finos e pequenos, mas desconfiado o rapaz estava. - Me diz o que quer e eu te digo o preço.
O som do vento gelado lá fora foi o único som que ouviram por alguns segundos.
-Se...
-A arvore. - Disse a moça.
-Agora estamos conversando. - O atendente ficou contente.
O rapaz olhou para a moça com preocupação. Ela não pareceu se abalar.
-A arvore de treva.
O que era um sorriso no rosto do atendente se transformou em uma careta. Sua sobrancelha arqueou.
-Jovens de mais.
-É para minha mãe. Ela quer muito. - O rapaz voltou a reforçar o olhar preocupado para a moça.
O atendente levantou-se da cadeira e subiu a tábua que o separava dos clientes. Ele seria incrivelmente alto se não fosse curvado. Não era só uma leve curvatura, era como se ele estivesse sempre em gratidão profunda. Ele se aproximou dos recém chegados que não recuaram um passo."Confiantes. Mal sinal."
-Vocês não tem o bastante para trocar.
-Você não disse o valor. - Aos olhos do atendente a moça parecia agora mais abusada do que parecia a principio. "O rapaz é o diplomata. Ela é o presidente".
-Vocês não tem o bastante. - Disse novamente.
-Pode nos mostrar? - O rapaz tomou a frente. - Gostaríamos ao menos de tirar uma foto. - A moça não pareceu tão feliz.
O atendente refletiu. Olhou nos olhos dos dois. Após refletir deu as costas aos dois e foi para o fundo da loja. Eles permaneciam parados quando sem se virar, o atendente balançou a mão, um movimento simples para que o seguisse. O moça agarrou no braço do rapaz e quando ele se virou para olhá-la, ela estava sorrindo. Ele sorriu de volta.
Continua.
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