Ka
"O livro deve ser o machado que rompe o nosso mar congelado."
Kafka
E ainda dele:
Necessitamos dos livros que nos afetam como um desastre, que nos afligem profundamente como a morte de alguém que amamos mais que a nós mesmos, como estar perdido sozinho num bosque, como um [editado].
Que o livro é de fato esse machado não há duvidas. Que ele deve gerar esse tipo de emoção forte, tenho lá minhas dúvidas. Não precisa ser essa coisa toda, mas precisa ser algo próximo. Mas que é esse "nosso mar congelado"? Vou começar com um relato, assim como os contos de Lovecraft e acho que como seus personagens em suas histórias, estou a narrar sobre um sujeito que se vê numa longa teia de uma trama inominável e em um lugar que ao menos ele nunca se encontrou.
Eu nasci dia 2 de março de 1995. Isso as vezes confunde a cabeça de minha mãe e a minha, pois quando digo sobre a data: Dois do três ou três do dois? Mas tenho (ao menos desta vez) certeza dela. Nasci e os médicos correram comigo e minha mãe relata a mim que ficou apreensiva. Que houve comigo? Quando me mostraram ela disse que eu não era seu bebê. Motivo? Eu estava totalmente preto. Havia passado da hora de meu nascimento e teve complicações no parto. Não afetara nada (acho). Devido a minha semelhança com meu pai ( disse ela os pezinhos) ela me levou pra casa com a promessa de que eu iria esbranquiçar. Pode ver minha foto caso tenha dúvidas sobre isso.
É engraçado como a vida humana é frágil. Como é a complexidade do ser humano. Nove meses a ser gerado e ainda assim quando nasce precisa de cuidados até os seus... Vamos lá, 16 anos para enfim dizer que está preparado, sem falar de escola, convívio em sociedade, em casa, rua e outros mais... Os outros mamíferos e seres d'água já saem andando e pulando. Mas como é incrível ver crescer, se formar, ter as próprias ideias e ideais. Os primeiros passos. As primeiras palavras. Os choros. Risadas. O estado pleno de felicidade e aquela sensação de imortalidade e invencibilidade. Claro que isso desmorona com o primeiro erro, mas assunto para outro dia.
Por quatro longos anos da minha vida eu fiz uma escolha e pensei que havia o bastante para mantê-la. Eu pensei ser forte, invencível e estava cheio de vida e inspiração. Por dois anos eu estava invicto. Convicto que eu conseguiria levar adiante a promessa. Outros dois foram declínios totais. Estou falando de mim e de ninguém mais. "Que promessa?" Você me pergunta e eis a resposta: A de que eu iria amar uma pessoa, mas eu esquecera de outra. Algo nascera em meu peito o qual eu não perceberia a não ser que fosse tarde de mais. Ou quase tarde de mais. Algo me consumia a cada dia, roubando minha alegria, minha inspiração e aos poucos eu deixava a vontade de escrever, de desenhar, de jogar e de viver. De estar vivo. Isso não era tão claro para mim. Eu não sentia vontade de sair de casa e nem de ver o rosto de ninguém. Para me tirar de casa era a duras penas. Por mais que fossem insistentes os convites eu me mantinha em frente ao vídeo game tentando achar, em vão, a vontade que me tirou essa tristeza. Eu chorava escondido e sorria para as pessoas que eu amava, as poucas pessoas que restavam que eu amava. Quando as pessoas me viam chorando eu as abraçava, mas não tive coragem de pedir ajuda. Eu precisava ser mais forte. Elas contavam comigo. Esse monstro que se mostrou dentro de mim era imenso, ele tinha tentáculos espectrais enormes, braços do tamanho de troncos de arvores antigas. Seu rosto estava escondido a mim, mas seus olhos roxeados estavam na escuridão a me fitar insistentemente. Ah se eu soubesse o que ele queria me dizer. Mas levaria muito tempo para eu descobrir decifrar sua mensagem dita em um dialeto há muito perdido. Mas depois, sinto dizer encima da hora, que lembrei da frase "se for roxo, alguém irá morrer!".
O buraco o qual eu me enfiei foi tão profundo que tão mais baixo que o nível da água que eu pensei em João e Maria jogando pães durante a viagem na floresta. "E se eu quiser voltar? Eu irei conseguir? Eu iria querer voltar?" Até que enfim o monstro se tornou grande de mais para caber dentro de mim e aqueles terríveis tentáculos saíram e se agarraram em quem estava a minha volta. E minha tristeza afetou a pessoa que eu amava. E ela se foi.
Em uma noite que deixei que a chuva caísse de meus olhos eu me perguntei "Por que todos me abandonam?". Por tantas vezes eu me disse quem estava por perto e por realmente lutar, mas realmente acreditei que me entregando de forma mais aberta a uma pessoa eu poderia ser feliz. Esse herói que eu pensava que eu era. Me descobri frágil e extremamente sensível ao toque. Quando no dia primeiro de janeiro eu me deparei de frente ao espelho e me encarei de fato. Quem estava ali era eu. Parece engraçado não é? Sei que surgiu um "dã" na sua cabeça ou um "tsk". Mas veio as frases de realmente dentro de mim "Eu sei que você me abandonou, mas eu te perdoo".
Desempregado a quase três anos eu consegui, depois de quatro tentativas durante esses anos, meu atual emprego. Reencontrei a mim mesmo e me firmei em mim. Reencontrei uma pessoa que eu não estou fazendo feliz e nem ela a mim. Estamos felizes juntos. Cada um com sua felicidade, mas juntas tornam-se ainda maior. Amando a nós mesmos e amando um ao outro. Meu relacionamento comigo tem mais de um ano.
O que tenho agora em minhas mãos se fez em nove horas, nove dias, depois nove semanas, nove momentos e em nove meses. Que seja mais nove meses, que seja mais nove anos, que seja mais um e nove. Que 19 seja além do ka. Que nossa Ka-tet seja invencível e mais rápidas que as mãos de Roland. Tenha mais vontade que o Príncipe em sua vingança e o sua versão pequena por um desenho de carneiro.
Ka
Eu nasci dia 2 de março de 1995. Isso as vezes confunde a cabeça de minha mãe e a minha, pois quando digo sobre a data: Dois do três ou três do dois? Mas tenho (ao menos desta vez) certeza dela. Nasci e os médicos correram comigo e minha mãe relata a mim que ficou apreensiva. Que houve comigo? Quando me mostraram ela disse que eu não era seu bebê. Motivo? Eu estava totalmente preto. Havia passado da hora de meu nascimento e teve complicações no parto. Não afetara nada (acho). Devido a minha semelhança com meu pai ( disse ela os pezinhos) ela me levou pra casa com a promessa de que eu iria esbranquiçar. Pode ver minha foto caso tenha dúvidas sobre isso.
É engraçado como a vida humana é frágil. Como é a complexidade do ser humano. Nove meses a ser gerado e ainda assim quando nasce precisa de cuidados até os seus... Vamos lá, 16 anos para enfim dizer que está preparado, sem falar de escola, convívio em sociedade, em casa, rua e outros mais... Os outros mamíferos e seres d'água já saem andando e pulando. Mas como é incrível ver crescer, se formar, ter as próprias ideias e ideais. Os primeiros passos. As primeiras palavras. Os choros. Risadas. O estado pleno de felicidade e aquela sensação de imortalidade e invencibilidade. Claro que isso desmorona com o primeiro erro, mas assunto para outro dia.
Por quatro longos anos da minha vida eu fiz uma escolha e pensei que havia o bastante para mantê-la. Eu pensei ser forte, invencível e estava cheio de vida e inspiração. Por dois anos eu estava invicto. Convicto que eu conseguiria levar adiante a promessa. Outros dois foram declínios totais. Estou falando de mim e de ninguém mais. "Que promessa?" Você me pergunta e eis a resposta: A de que eu iria amar uma pessoa, mas eu esquecera de outra. Algo nascera em meu peito o qual eu não perceberia a não ser que fosse tarde de mais. Ou quase tarde de mais. Algo me consumia a cada dia, roubando minha alegria, minha inspiração e aos poucos eu deixava a vontade de escrever, de desenhar, de jogar e de viver. De estar vivo. Isso não era tão claro para mim. Eu não sentia vontade de sair de casa e nem de ver o rosto de ninguém. Para me tirar de casa era a duras penas. Por mais que fossem insistentes os convites eu me mantinha em frente ao vídeo game tentando achar, em vão, a vontade que me tirou essa tristeza. Eu chorava escondido e sorria para as pessoas que eu amava, as poucas pessoas que restavam que eu amava. Quando as pessoas me viam chorando eu as abraçava, mas não tive coragem de pedir ajuda. Eu precisava ser mais forte. Elas contavam comigo. Esse monstro que se mostrou dentro de mim era imenso, ele tinha tentáculos espectrais enormes, braços do tamanho de troncos de arvores antigas. Seu rosto estava escondido a mim, mas seus olhos roxeados estavam na escuridão a me fitar insistentemente. Ah se eu soubesse o que ele queria me dizer. Mas levaria muito tempo para eu descobrir decifrar sua mensagem dita em um dialeto há muito perdido. Mas depois, sinto dizer encima da hora, que lembrei da frase "se for roxo, alguém irá morrer!".
O buraco o qual eu me enfiei foi tão profundo que tão mais baixo que o nível da água que eu pensei em João e Maria jogando pães durante a viagem na floresta. "E se eu quiser voltar? Eu irei conseguir? Eu iria querer voltar?" Até que enfim o monstro se tornou grande de mais para caber dentro de mim e aqueles terríveis tentáculos saíram e se agarraram em quem estava a minha volta. E minha tristeza afetou a pessoa que eu amava. E ela se foi.
Em uma noite que deixei que a chuva caísse de meus olhos eu me perguntei "Por que todos me abandonam?". Por tantas vezes eu me disse quem estava por perto e por realmente lutar, mas realmente acreditei que me entregando de forma mais aberta a uma pessoa eu poderia ser feliz. Esse herói que eu pensava que eu era. Me descobri frágil e extremamente sensível ao toque. Quando no dia primeiro de janeiro eu me deparei de frente ao espelho e me encarei de fato. Quem estava ali era eu. Parece engraçado não é? Sei que surgiu um "dã" na sua cabeça ou um "tsk". Mas veio as frases de realmente dentro de mim "Eu sei que você me abandonou, mas eu te perdoo".
Desempregado a quase três anos eu consegui, depois de quatro tentativas durante esses anos, meu atual emprego. Reencontrei a mim mesmo e me firmei em mim. Reencontrei uma pessoa que eu não estou fazendo feliz e nem ela a mim. Estamos felizes juntos. Cada um com sua felicidade, mas juntas tornam-se ainda maior. Amando a nós mesmos e amando um ao outro. Meu relacionamento comigo tem mais de um ano.
O que tenho agora em minhas mãos se fez em nove horas, nove dias, depois nove semanas, nove momentos e em nove meses. Que seja mais nove meses, que seja mais nove anos, que seja mais um e nove. Que 19 seja além do ka. Que nossa Ka-tet seja invencível e mais rápidas que as mãos de Roland. Tenha mais vontade que o Príncipe em sua vingança e o sua versão pequena por um desenho de carneiro.
Ka
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