Memórias do Metrô - Maria Marino

Meus olhos de vidro atravessam a superfície embaçada. Eu não sei o que está acontecendo, mas tenho pressa. Os olhos são superfícies tão bonitas, o simples movimento de alguém pode fazer estremecer a estrutura. 
Um outro vidro avisa que não vai dar mais tempo, é tarde de mais. Os olhos de vidro me ajudam a passar em meio a multidão sem ver ninguém. Nem olhar ninguém. Como já disse, não faria diferença. Os olhos continuam cegos. Os olhos continuam vidrados. Continua como telas passando um filme sem fim do passado e do futuro. Não tenho tempo de olhá-los. Não tenho tempo de despertar meu olhar. Pois também sou um olho de vidro. Eu quero ser um olho de vidro. 
Ter um olhar a mais sobre tudo, ter um olhar a mais sobre as pessoas, sobre o que está em minha volta é tão penoso e tão ruim. Veria tudo, (ao mesmo tempo nada) mas do que iria adiantar tendo olhos tão abertos e uma mente tão gigante se minha alma seria vazia? 

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