Memórias do metrô - Maria Marino
Me causa estranhamento quando sou atada e não possuo nada que sinalize-o. Não me sinto a estranha, sinto-me na verdade livre das minhas amarras. Livre do infinito que era o espelho grosso em meus dedos. Estamos de pé frente a frente, mas eu não olho para você. Não que faça alguma diferença, quando você chegar em casa não fara nenhuma.
Seu olhar no chão me faz pensar se não há algo de errado comigo ou mesmo com o estado de minhas roupas. Me visto a minha maneira e não consigo me sentir a vontade em nenhum momento. A culpa é minha por ter deixado você entrar na minha cabeça.
Não entenda-me mal. Apenas não me entenda. - Quem é você? Anda, me diz. Quem manda dentro de mim sou eu e ninguém mais. E agora ordeno, sai logo de dentro de mim.
Os dedos dela deslizam por sobre a minha pele e eu me sinto bem. Me arrepiando. Ela não tem base alguma do que é bom pra mim ou pra ela. Isso é ruim? Deveríamos marcar algo pra terminar de vez com isso.
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