Terra, Zona Morta Europeia - Ortif No
Estava diante da base cabal em uma patrulha de rotina quando de repente ouvi um barulho estrondoso. Algo muito grande havia caído não muito longe dali. Alguns tiros então um silêncio que se ouve antes de qualquer poder imensurável ser conjurado.
-É um guardião.
Não perdi tempo contestando e corri para subir nas pedras.
-Há uma entrada. Uma caverna. Um...
Setor perdido é claro. Os caçadores agora pintavam por todos os lados símbolos para alertar sobre estes lugares para nós guardiões. Com recompensas e perigos, dentro desses lugares é melhor se cuidar. Logo eu estava diante de uma frota inteira composta do alto comando da legião vermelha e uma nave guardiã logo mais a frente destroçada pela queda e pelas balas dos cabais.
-Nos ajudem! - Gritou um fantasma. O corpo de seu guardião estava logo ao lado. - Ainda falta um tempo para ressuscitá-la.
Pensei o quão bom era esses cabais não entenderem nossa língua, podem ter pensado ser um pedido de misericórdia ou rendição. Acho que nenhum de nós aceitaria tal coisa. A boa notícia é que eles apenas perceberam que meu escudo chegava em suas cabeças quando era tarde de mais. Até que o líder me apontou e levei uma saraivada de balas. Tive que me proteger e logo uma arcana nos sobrevoou e novamente aquele silêncio. A bomba nova acertou o batalhão em cheio o transformando em poeira. Aproveitei a luz para gerar a guarda do amanhecer, a minha redoma protetora. A arcana chegara perto de mim.
-Olá titã, obrigado. Fomos acerta... - Balas bem pesadas acertaram e quase desfizeram a guarda. - Melhor falarmos depois.
A melhor defesa é o ataque. Ou é o contrário? Mais cabais chegavam. Estas bestas com mais de quatrocentos quilos incrivelmente militarizados. Sabe se lá quantos quilos chegam os colossos (grandes cabais com mais poder de fogo). Atacamos. Matamos. Morremos. Ressuscitamos e fomos ressuscitados. Depois de muito tiroteio que não deve ter durado mais do que três minutos (quem está dentro dele vê o tempo passar diferente dos outros habitantes da terra ou do espaço) estávamos de pé e os cabais no chão. O combustível de suas armaduras impregnavam todo o chão e minha armadura também. Essa é a minha única inveja dos arcanos, eles sempre saem limpos das lutas.
-Meu nome é Guaraci. - Ela me estendeu a mão.
-Ortif. - Tentei limpar a minha o máximo possível e apertei de volta. Foi a primeira vez que nos vimos.
-Acho que minha nave não voa mais. - Deveras. Os cabais também não facilitaram. Se por acaso ela pudesse ter voado depois da queda, eles se certificaram que não voaria mais.
Tirei meu capacete e tentei limpá-lo o máximo possível. Ela retirou também, embora não fosse necessário. Talvez por respeito. Era desperta também, não do Arrecife claro, mas uma das mais bonitas desde que vi Petra.
-Lhe dou uma carona até a torre. - Os olhos dela brilharam e encolheram em hesitação.
-Muito obrigado.
-A Hollyday não irá gostar disso. Não vai mesmo.
-Vou ter que me explicar. - Amanda Hollyday é a vanguarda das naves. Ou gosto de chamá-la assim. Ela mantem elas no céu.
Demorou um pouco para conversar. Acho que houve outro momento de hesitação por causa da minha vanguarda. Não estamos acostumados a nos envolver. Contou que deu de cara com uma nave cabal enquanto se comunicava com outro arcano. Uma distração boba. Discutiam sobre a Ordem dos Demolidores solares e como eles pareciam suas manoplas disparadoras de sóis. Fiquei calado pois sei que quando um arcano fala tem muita certeza do que está a falar. Sei do que os demolidores são capazes, eu mesmo o era, mas calado ficaria.
-Agradeço pela ajuda. - Quando chegamos no hangar ela estendeu a mão a mim, mas dessa vez nela havia um punhado de lúmen. Lúmens, os decaídos lutam tanto pelo que virou o dinheiro para nossa humanidade.
Tirei um pouco do meu bolso e completei o que tinha.
-Irá precisar para sua nova nave.
-Por que está me ajudando tanto? - Acho que ela não compreenderia. Arcanos não compreendem nada obvio. Pensam muitas e muitas vezes, mas sobre isso ela jamais entenderia.
Eu olhei-a nos olhos e sorri.
-Até logo Guaraci.
Ela ficou parada com a mão cheia de lúmen estendida enquanto eu fazia a transmati para Nesso. Zavala mandou-me a terra, mas enquanto estava na nave voltando para me reportar a vanguarda dos titãs ele mandou-me em outra missão. As frotas cabais estavam indo mais fundo do que necessário naquele centauro instável, precisava que alguém investigasse. Acho que nem eu compreendi porque a ajudei. Não da primeira vez no tiroteio, sou guardião e minha função é essa. É melhor não me aprofundar. Minha mira é bem melhor quando minha mente está limpa. Mas a única coisa que conseguia pensar naquele momento: Não morra arcana boba.
Bom dia, boa tarde ou boa noite. Eu acabei por escrever isso quase em uma hora, acredita? É incrível o que a inspiração e motivação fazem conosco. Obrigado e até mais ver.
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