Desabafo de consciência - Naiara Brito
Sou a consciência de um sujeito chamado Doubret, um nome chique para um pobre da periferia, não acha? Pois é, mas ele não se chama Doubret, nem é pobre e muito menos periférico. Ah! Quem dera se fosse!
Antonio Carlos Amaral, como costumo chamar, é o melhor amigo de um governador. Eles são amigos porque roubaram e ainda roubam juntos. Cisto João Bezerra Cunha ou Tião, é tão mercenário quanto o próprio Antonio Carlos, apesar do disfarce de bom governador de um e de bom moço do outro, eles já machucaram muita gente e é para isso que eu existo. Eu, tristemente, sou comparada com a morte inúmeras vezes, Judas, o traidor, é um exemplo claro. No entanto, eu não mato, eu faço enxergar.
Enfim, voltando ao assunto principal, Antonio, ele é um homem obeso de tanto ego que lhe consome e para variar seu amigo é idêntico. Poderia contar a infância e a linda história de amizade e vida de Carlos Amaral, mas é uma historia entediante e nem um pouco legal ou bonita. Ah! Quem dera se fosse.
Doubret nasceu literalmente no meio da Oscar Freire enquanto seus pais estavam parados no semáforo a caminho do hospital. Sua primeira transa foi aos dezesseis anos com uma garota completamente alcoolizada, a coitada engravidou e ele não assumiu. Ela por fim, foi abortar clandestinamente e morreu na maca. Maria Lucia, quinze anos. Foi a primeira vez que eu apareci para ele e ele não me deu a mínima. Afinal, ele não era o responsável mesmo. Ah! Quem dera se fosse.
Com dezessete, ele largou a escola, não era importante para ele. Com vinte, roubou pela primeira vez e me esnobou pela segunda. Com vinte e três, conheceu Anderson, o traficante preferido de Tião, no mesmo ano começou a fumar maconha. Com vinte e quatro, em uma festa de Anderson conheceu Tião, que lhe ofereceu crack, mas ele recusou, porem a cocaína ele aceitou com gosto. Com vinte e cinco ele e Tião mataram a primeira vitima juntos para poder pagar a divida que tinha com Anderson. O pobre era um dono de joalheria que revidou o assalto. Com vinte e nove, Tião decidiu ser político, ambos já tinham roubado mais de vinte mil reais, matando, torturando, não importava. Quando se envolve dinheiro, não importa. Com trinta, eles conheceram o juiz que apagou toda a ficha criminal de ambos por uma boa grana. Com trinta e um, Tião se elegeu com suas inúmeras promessas que jamais se cumpriram. Antonio Carlos apoiava totalmente, pois dizia ser fiel ao povo brasileiro.Ah! Quem dera que fosse.
Com trinta e cinco, Tião já era governador e a mortalidade em hospital aumentou, assim como o nível de segurança da cidade diminuiu. Mas Antonio e Tião foram viajar. “Não vi, não ouvi, não estava lá” Depois de inúmeros protestos, greves, sátiras e outras coisas os dois finalmente compreenderam o que era a política. Quer dizer, eles acharam que compreenderam e assim se criou a frase “basta dar ossos para os cachorros que eles se calam” Esse ano Doubret se elege, eu tentei revidar, tentei avisar ele o quanto ele é errado, mas eu sou apenas uma consciência que não existe para ele.
A minha verdadeira questão olhando a vida desse homem é que: os jovens buscam tanta informação para matar erros com palavras, mas os verdadeiros ladrões são analfabetos e eles continuam no poder? Jovens! Se fossem mais observadores vocês notariam e desvendariam as mentiras que lhes contam, perceberiam o quão tratam a população como cachorros, não aceitem ossos se tens capacidade para ter uma refeição completas. Se fossem mais observadores. Ah! Quem dera...
Bom dia, boa tarde ou boa noite pra você meu caro leitor. Hoje trago mais cedo do que esperado um texto de uma amiga que fizera esse texto a alguns anos atrás, mas que retrata tão bem os tempos atuais. Bom, obrigado e até mais ver.
Comentários
Postar um comentário