Forma e conteúdo

Eu faço parte de uma companhia chamada Equipe Arcus de teatro e essa é uma reflexão sobre nosso trabalho ao longo de um ano e sobre a apresentação do espetáculo Tebaida sf. Retiro, solidão.  

Ao longo do processo da nossa Cia com Rafael meus pensamentos foram me mostrando uma preocupação quanto a um desejo não muito distante, mas que talvez tenha considerado esquecido. "A mensagem". O que nós queríamos dizer com essa pesquisa? O que ela iria dizer para nossos espectadores? Meu temor não era grande quando eu ensaiava, eu sabia o que estava fazendo e para o quê, entretanto essa pergunta voltava com algumas forças a mais. "Mas e o conteúdo?", "Você não quer atravessar o público com as reflexões? Não quer que eles voltem para casa 'mudados'?".
Expressada essa dúvida e questão minha na roda do último encontro (05/03/2017) eu pude obter algumas das respostas que eu estava procurando. 
Rafael falou a nós "público é público". Que uns iriam pensar sobre como nós apresentamos, a maneira de que dispusemos do cenário e o jeito de contar a história. Outros sobre a família, que coisa louca era a vida e as pessoas que vivem tentando conquistar a felicidade só que acabam sozinhos. Alguns poucos que não vão entender nada (ou não serão poucos) e outros que vão relacionar os três atos como uma única peça. 
"A peça não tem que servir a mensagem, mas a mensagem tem que servir a peça" eu logo disse, relacionando a leituras de um livro do autor Stephen King, sobre a escrita, onde ele diz que os personagens devem servir a história e não o contrário. "Pode ser, o contrário também". 
E pensando agora na forma e conteúdo, uma professora minha de teatro uma vez mencionou que a professora dela disse "Não importa o que o ator quer dizer". Será que não importa? "O que importa é o que o público entender". E quando eu querer dizer algo eu não vou poder dizê-lo porquê "o que importa é o que o público entender"? Forma e conteúdo exatamente como forma é conteúdo. E conteúdo é forma. Aquilo em si já quer dizer algo no nosso subconsciência e irá despertar algo no subconsciência dos nossos espectadores, no nosso público. "Há como controlar isso?" Deve haver, mas não é o nosso objetivo com esse processo. Não somos controladores da informação. Por agora. 

Bom dia, boa tarde ou boa noite caro leitor. Não tenho mais nada a adicionar. Muito obrigado e até mais ver. 

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