Pipas
Porque a realidade é muito chata
De Michelangelo Paulino
Não vou mentir a vocês, antigamente, quando jovem, eu achava as pipas tão atraentes quanto esterco no chão; dava a devida atenção para não trombar, mas era repulsivo ficar olhando. Eu não via à graça que todos os garotos da minha idade viam naquele singelo pedaço de papel voando no ar. Mas hoje, com “outros olhos”, posso perceber que a pipa é muito mais do que eu ou qualquer outra pessoa possa ver.
As pipas nasceram na China antiga. Sabe-se que por volta do ano 1200 a. C. foram utilizadas como dispositivo de sinalização militar. Os movimentos e as cores das pipas eram mensagens transmitidas à distância entre destacamentos militares. No décimo segundo século, na Europa, as crianças já brincavam com pipas. Vale a pena notar também o papel desempenhado pela pipa como aparelho de medição atmosférica. O político e inventor americano Benjamin Franklin utilizou uma pipa para investigar e inventar o Pára-raios. Hoje, a pipa mantém a sua popularidade entre as crianças de todas as culturas.
Percebi então, que as pipas tem um significado tão simples, e, ao mesmo tempo, tão gigantesco. Embora a repetição seja chata, nunca se sabe o que vai acontecer. Eles, os "pipeiros", como são chamados os meninos que empinam as pipas, tecem suas linhas, querendo cortas outra pipa, e correm feito loucos para conseguir achá-las.
Embora cause muitos acidentes, claramente, efeito do uso inapropriado e indevido do cerol, ela é um refugio dos meninos. Refugio do que? Da realidade. Prefiro dez vezes ver um menino ou homem planando no céu, do que afundando na lama. O céu fica tão lindo com aquelas pipas multicolores. E eles as vêem como fruto de seu desempenho.
A graça da vida esta nesses momentos. Alias, em todos os momentos em que você se dedica a perceber o que é belo, entender porque é belo e compreender como é belo. As pipas fazem a imaginação voar, planar e navegar nas costas do vento... Todos temos uma “pipa-interior”, por onde fugimos da realidade, e lá há uma coisa, que sinto dizer, o ser humano possa ter esquecido. Essa coisa chama-se sonho.
Nota: Eu ainda era jovem.
Domingo, 12 de Março de 2017
Bom dia, boa tarde ou boa noite para você leitor. Está ai mais um dos meus textos (calma que eu vou postar novos, mas primeiro preciso mostrar o desenvolvimento que eu disse na última postagem.)
Obrigado e até mais ver.
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